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CRÍTICA

Super Pumped: ganância da Uber e motoristas como massa de manobra

Minissérie narra o surgimento da empresa que, bem ou mal, revolucionou o transporte urbano

Publicado em 13/05/2022
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Há um didatismo bem cristalino na minissérie Super Pumped: A Batalha Pela Uber, que estreou no Paramount+ na última quinta-feira (12). A série protagonizada por Joseph Gordon-Levitt (3rd Rock from the Sun) expõe como a Uber nasceu na base da ganância, sem qualquer escrúpulo, usando até os motoristas do aplicativo de carona como massa de manobra para obter lucro e atingir os interesses financeiros e políticos da empresa.

A trama é baseada no livro A Guerra Pela Uber (2019), de Mike Isaac. O relato traz os primórdios da startup, em 2009, quando atendia por outro nome: UberCab. Toda história contada é baseada em centenas de entrevistas e documentos inéditos, obtidos pelo escritor, que revelam a podridão da empresa que revolucionou o transporte urbano de pessoas.

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Quem lidera a narrativa é Travis Kalanick (Joseph Gordon-Levitt), o fundador da Uber, expulso da própria empresa em 2017, por, entre outras coisas, implementar uma cultura corporativa tóxica e ignorar denúncias de assédio sexual na companhia. 

Super Pumped mostra como o executivo é conhecido, um verdadeiro asshole (cuz@*). A fama corresponde ao tipo de funcionário contratado por ele. Nas entrevistas de emprego, Kalanick fazia a seguinte pergunta para a pessoa candidata: “Você é um cuz@*?”. A resposta para ganhar a vaga era o sim.

O ator Joseph Gordon-Levitt na primeira temporada de Super Pumped

Lucro a todo preço

Para fazer o que fez, Kalanick só poderia ser um sujeito asshole mesmo. As táticas de crescimento da Uber foram um chute no balde da ética e da moral. Tudo começou em San Francisco (Estado da Califórnia), modelo de funcionamento repetido em outras cidades do planeta.

A Uber tinha que, primeiro, bater de frente com o sistema de transporte local, principalmente os taxistas. Para tanto, não havia limites no combate. Colocar a população contra esse meio de transporte consagrado e tradicional fazia parte do plano maquiavélico.

O mais cruel e sujo, porém, era o trato com os motoristas do aplicativo. Na fachada, a Uber mostrava-se preocupada com os homens e mulheres que pegavam o próprio carro para integrar o sistema da empresa e passar a dar carona a pessoas na rua, recebendo um pagamento por isso. Por trás da cortina a verdade tinha outra cara.

Kalanick era movido pelo dinheiro e poder. Os motoristas foram usados como massa de manobra para pressionar políticos a legalizarem o aplicativo, vendendo a ideia de liberdade no trabalho como dirigir sem um horário fixo, criar um expediente personalizado e assim por diante. Bastava conseguir a vitória no debate público que a Uber virava as costas para os motoristas.

Incentivos oferecidos a eles desapareciam. Taxas extras foram criadas, mas todo o dinheiro pago pelos clientes tinha como destino o cofre da empresa. A Uber provou ser uma miragem, pois os motoristas acreditavam ser ali um paraíso, a ponto de largarem empregos fixos e se inscreverem na plataforma. 

Quando a ficha caiu, eles notaram que faziam apenas parte de uma engrenagem capitalista e, para se sustentar, precisavam passar horas e horas atrás do volante.

Os passageiros estavam longe de qualquer lista de preocupação da Uber também, seja por conta da segurança deles nos veículos ou reclamações protocoladas acerca de motoristas inconvenientes. Medidas paliativas eram tomadas apenas para apaziguar a tensão e satisfazer a opinião pública.

Super Pumped apresenta Travis Kalanick ao grande público, um executivo que usava ilegalmente informações dos motoristas associados, fugia de responsabilidades e fazia vista grossa em relação às denúncias de assédio moral e sexual na Uber. Oportunista e paranoico, o executivo sintetiza quem é o verdadeiro cuz@* da história

Produção do grupo Paramount para o canal americano Showtime, Super Pumped é uma minissérie que pretende contar uma trama diferente a cada temporada, abordando empresas de tecnologia. A segunda leva está confirmada: o tema será o Facebook. ⬩

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