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FÉ NA FAVELA

Sem caricatura, representação evangélica em Sintonia é um acerto raro

Durante toda a segunda temporada, série nacional da Netflix foi equilibrada no retrato da religião

Publicado em 31/10/2021
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Por preconceito ou puro desconhecimento, a representação evangélica na TV tem um histórico de falhas. Na maioria das vezes, personagens encarnam versões caricatas dos fiéis, explorando o engano e proferindo uma crença cega e fanática. A segunda temporada de Sintonia (Netflix) entrou na contramão dessa tendência ao retratar o lado mais verdadeiro da fé.

Em favelas no Brasil, nas comunidades periféricas, igrejas evangélicas são quase onipresentes, tal qual as biqueiras (locais de venda de drogas) e bares. É mais do que comum ver esses três “estabelecimentos” um do lado do outro.

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Sintonia mostrou como é esse convívio bem inusitado de uma maneira muito feliz, um acerto raro. Quem conduz essa narrativa é a personagem Rita (Bruna Mascarenhas), que se dedica à vida religiosa e lidera a construção de um novo templo na fictícia Vila Áurea.

Fachada da nova igreja na Vila Áurea (Reprodução/Netflix)

Engajamento na comunidade

De doações feitas por comerciantes a contribuição braçal de moradores, Sintonia retratou bem o envolvimento da comunidade com as igrejas evangélicas instaladas na quebrada. Há um sentimento de ajuda ao próximo e de utilidade.

A ligação entre crime e a fé, comum na vida real, ganhou espaço na série nacional da Netflix. Esse foi mais um ponto preciso da trama, seja pela visão do Nando (Christian Malheiros) ou do braço direito dele, o Formiga (MC M10). 

A incongruência de uma relação tão díspar, da vida bandida oposta a da entregue a Jesus, é delicada de ser encenada. Mas Sintonia tirou de letra, deixando claro que quem participou do processo criativo da elaboração das histórias conhece bem do assunto.

Outra situação interessante é a da música, do funk, com a igreja. Embora MCs façam rimas “mundanas”, cheias de palavrões e pregando um discurso secular, quando o assunto é igreja há uma reverência e total respeito. Pois, como foi a caminhada do MC Doni (Jottapê), muitos funkeiros nascem na igreja, cantando louvores.

Por causa do vício de sempre ver na tela uma ilustração pejorativa dos evangélicos, o público de Sintonia fica no aguardo de em algum momento ver alguém da fé caindo em desgraça. Mas não é o caso. 

Os desvios de caráter apresentados na série por pessoas da igreja são inerentes ao ser humano. Não há ali qualquer exploração barata de ridicularização. O que deve ser aplaudido de pé.


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