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ANÁLISE

My Brilliant Friend ilustra como comunismo caviar destoa do chão da fábrica

Drama da HBO entra nos anos 1970 e mostra a força da luta comunista na Itália

Publicado em 09/03/2022
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A terceira temporada de My Brilliant Friend (HBO e HBO Max) ilustra com clareza, em um território farto e pleno da esquerda política, a diferença fundamental entre o comunismo caviar e a vida de quem trabalha no chão da fábrica. O discurso de profissionais liberais e alunos universitários destoa da realidade, por serem meras palavras ditas por pessoas que não experimentam na pele a dura vida do proletariado.

O drama imperdível entrou nos anos 1970, década muito importante para o comunismo na Itália. O movimento se fortalecia cada vez mais, mantinha distancia da ideologia ortodoxa, desobedecia a doutrina soviética e pregava valores da chamada democracia comunista.

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Durante o segundo episódio da terceira temporada da série italiana da HBO, um relevante debate sobre o papel do comunismo na sociedade ganhou destaque. O sempre politizado Pasquale (Eduardo Scarpetta) citou o jornal l’Unità, publicação oficial do Partido Comunista Italiano (PCI). A vitrine proeminente, fundada por Antonio Gramsci (1891-1937) tinha um problema, segundo ele.

“Em l´Unità, só alunos falam, são entrevistados, ouvidos… E as pessoas que realmente trabalham, os operários de fábrica… Por que não os deixam falar também?”, questionou o jovem.

É importante registrar que, na Itália, a luta comunista estava com bastante força nos anos 1970. O PCI era o maior partido comunista dentro de um país capitalista, chegando a ter mais de um terço dos votos válidos (34%) na eleição de 1976.

Lila entra em cena

Exemplo vivo das diversidades vividas em uma fábrica insalubre, Lila (Gaia Girace) foi convidada por Pasquale para participar de reunião com militantes comunistas, ao lado de gente profissionais e estudantes. Um dos assuntos debatidos foi sobre o PCI ignorar o sofrimento dos trabalhadores.

Na reunião, se discutia a necessidade de lutar pela classe mais desvalorizada e tal… Mas Lila se irritou porque tal fala vinha de quem não vivenciava a rotina do trabalho duro. Ela tomou a palavra e mandou a real:

“Eu não sou como vocês. Todos vocês são da classe trabalhadora. Eu não sei nada sobre a classe trabalhadora, mas conheço os trabalhadores da fábrica onde trabalho. E posso garantir a vocês que não há nada aprender com eles, exceto a miséria.”

Lila (Gaia GIrace) mostra como são as mãos de uma operária

“Conseguem imaginar o que é ficar oito horas por dia em pé, com água de cozinhar mortadela até a cintura? [Lila trabalha em uma fábrica de embutidos] Ou ter todos os dedos machucados de cortar carne de animais? Depois disso, o que podem aprender com pessoas que são obrigadas a viver assim?”

“Esta é a situação na fábrica que eu trabalho”, continuou Lila, citando também os abusos sexuais sofridos na empresa. “O sindicato nunca deu as caras. Os trabalhadores são pessoas pobres que são chantageadas, sujeitas à lei do patrão: eu te pago, logo sou seu dono.”

“Então, o que querem aprender com a gente?”, questionou a amiga genial, finalizando o discurso, recebendo aplausos. A fala destemida lhe trouxe problemas, pois fora publicada em um panfleto. Os comunistas caviar (médicos, filhos de médicos) querem pouco saber se Lila vai perder o emprego ou não. Pensam apenas na causa.

“Você vai perder o seu trabalho?”, gritou a operária, em um encontro informal com militantes amigos de Pasquale. “Vai acabar na rua com seu filho? E seu eu for demitida, o que eu vou fazer?” Fica aí os questionamentos a donos e donas de manifestações belas e supostamente revolucionárias, desfrutando o privilégio de um trabalho seguro, contrapondo com quem vive na labuta diariamente.


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