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ANÁLISE

And Just Like That vs. Supergatas: a evolução da visibilidade feminina na TV

As duas comédias têm mulheres com 50 e poucos anos no centro da história, mas em épocas diferentes

Publicado em 21/01/2022
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Duas séries provam como a visibilidade feminina na TV mudou nas últimas três décadas. A atual And Just Like That… e a clássica Supergatas (1985-1992) possuem uma similaridade que pode causar espanto em algumas pessoas: as personagens de ambas as comédias são da mesma idade. Investigar as atrações evidencia como mudou o papel da mulher na sociedade; e comprova o vanguardismo de Supergatas.

A continuação de Sex and The City acompanha os passos de três amigas com 50 e poucos anos de idade, mesma faixa etária das protagonistas de Supergatas. A proposta das respectivas narrativas é a mesma, mostrar a amizade entre mulheres maduras próximas da terceira idade. O que diferencia uma da outra é o ambiente ao redor.

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Sexo, viuvez e muitos Emmys

Exibida no Brasil nas tardes da Globo, a comédia Supergatas (The Golden Girls) foi inovadora. Lançada em meados dos anos 1980, a atração rompeu barreiras ao colocar no centro da trama quatro amigas com mais de 50 anos e as destoando do papel da “velhinha bonachona”. Elas eram modernas e descoladas (para a época).

Mesmo dentro de um universo mais conservador, Supergatas cravou um espaço quebrando estereótipos. As personagens interpretadas por Estelle Getty (a Sophia), Rue McClanahan (Blanche), Betty White (Rose) e Beatrice Arthur (Dorothy) falavam de sexo com franqueza absoluta, uma revolução naquele período.

Elenco da comédia premiada Supergatas (Divulgação/NBC)

Telespectadoras de todo o planeta se identificavam com o quarteto de mulheres (mães e viúvas) em busca de um significado para a vida. A idade avançada colocava a experiência ideal em argumentações sobre assuntos tabus na indústria de entretenimento de então, como casamento entre homossexuais, menopausa e Aids.

Supergatas estendeu o tapete aos mais diversos e complexos temas progressistas, seja imigração ilegal ou igualdade LGBTQIA+. Só o fato de um personagem assumir a homossexualidade na tela (Clayton, irmão de Blanche) foi motivo de estardalhaço.

A série deu esperança a muitas mulheres maduras. Dentro do possível, os episódios debatiam tópicos delicados e importantes na vida de uma mulher, se tornando um símbolo feminista e fazendo história.

E, claro, ganhou muitos prêmios. Ao longo das sete temporadas, Supergatas recebeu 68 indicações ao Emmy, vencendo 11 estatuetas. É apenas uma de quatro séries com cada uma das atrizes protagonistas vencedoras do Oscar da TV pelos respectivos papéis.

Sara Ramirez (à esq.) com Cynthia Nixon em And Just Like That (Divulgação/HBO Max)

Um mundo mais plural e aberto

É interessante observar o contraste entre as mulheres de Supergatas e o trio de amigas de And Just Like That…: Carrie (Sarah Jessica Parker), Miranda (Cynthia Nixon) e Charlotte (Kristin Davis). Em pleno 2022, o revival mergulha fundo nas questões em voga como pluralismo sexual e questiona o que é ser uma “senhora”.

Percebe-se pelos vestidos, visual e penteados como o mundo se transformou nesses 30 anos. Ajustes clínicos na pele aplicados pela medicina, evidentemente, contribuem para isso, algo que Carrie experimentou de perto.

A modernidade aqui é outra. Como o fato de Miranda deixar o filho fazer sexo com a namorada dentro de casa. O que até para alguns pode ser normal hoje, essa possibilidade nem seria cogitada nos anos 1980.

And Just Like That… dá para cada personagem histórias interessantes. Charlotte tem de aprender todas as possibilidades de identidade de gênero ao se deparar com uma filha que não se identifica como mulher e quer mudar de nome. E também precisa administrar o fato de outra filha, aos 15 anos, estar postando fotos no Instagram tal qual uma blogueirinha famosa.

Miranda, no meio de um casamento caindo aos pedaços, ganha um vigor ao conhecer e se relacionar com a comediante Che Diaz (Sara Ramirez), uma pessoa não binária. É uma outra representatividade fundamental de And Just Like That…, resultado dos tempos atuais.

E Carrie encara a tragédia de ficar viúva enquanto se questiona sobre se deve namorar novamente (usando apps de paquera, claro). De forma hilária, ela fica irritada, mas acaba aceitando o fato de ser vista como uma “senhora” pelos amigos da bela vizinha jovem. 

Com mulheres cinquentonas, And Just Like That… e Supergatas são parte da história da TV, cada uma na época devida e do jeito característico. Modernas e inovadoras, ambas as séries dão uma contribuição além do entretenimento por serem um retrato honesto da sociedade ali representada.


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