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CRÍTICA

A Cidade É Nossa aposta no realismo para expor o beabá da corrupção policial

Minissérie da HBO com Jon Bernthal é baseada em fatos reais

Publicado em 15/05/2022
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Muitos espectadores fogem do entretenimento que imita o cotidiano de forma brutal. Buscam, ao invés disso, opções mais amenas. Porém, a minissérie A Cidade É Nossa (HBO) merece a atenção de todos, apesar do realismo cortante que narra o beabá da corrupção policial. Pode doer, mas se faz necessário testemunhar como agentes da lei são capazes de se transformarem em bandidos e vilões, agindo como se fossem imunes a qualquer punição.

É preciso saber que A Cidade É Nossa é baseada em uma história real (e recente). A trama usa de inspiração o livro We Own This City (nome da série em inglês), escrito pelo jornalista Justin Fenton, repórter do jornal Baltimore Sun.

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O propósito da obra é destrinchar a podridão da polícia de Baltimore que, além de não combater o crime, piorou a sensação de segurança nas ruas. Corrupção à luz do céu, como diz aquela letra de rap.

A minissérie é dividida em várias linhas do tempo para mostrar que o problema na polícia de Baltimore vem de longa data. Mas a história principal gira em torno de 2015, um ano de virada. Pois foi ali que a cidade ficou em polvorosa repercutindo o caso Freddie Gray, jovem de 25 anos morto após sofrer agressões de policiais em uma prisão suspeita.

Em meados da década passada, o crime e o homicídio nas ruas de Baltimore só cresciam. Pressionado por políticos, mídia e população, o comando da polícia local criou uma força-tarefa para tirar armas e drogas de circulação. O que seria a solução só agravou ainda mais o clima.

Dinheiro atrás do colete

A figura central da força-tarefa foi o sargento Wayne Jenkins, interpretado por Jon Bernthal (O Justiceiro). O policial viu uma oportunidade de tirar proveito da situação, principalmente se tratando de roubar dinheiro das operações que comandava. 

Em conversa com um parceiro, Jenkins explicou o motivo de roubar de bandidos, após prender um deles; ele pegou US$ 50 mil dólares em dinheiro vivo:

“Hoje, nós tirarmos da rua uma pessoa má. Pegamos armas, dinheiro… Podíamos ter morrido, sabia? Esse risco não vale o que ganho a cada duas semanas. Foda-se. Meus filhos não comem medalhas. O que vale uma bandeira dobrada por morrer por uma cidade que está pouco se lixando para nós?”

Wayne Jenkins (Jon Bernthal) rouba dinheiro em A Cidade É Nossa

Jenkins, claro, acredita nesse tipo de justificativa. Acontece que não é apenas eles. Outros tantos são corrompidos e saem de batidas policiais cheios de dinheiro escondido atrás do colete à prova de balas.

A situação é crítica no departamento. Policiais vão às ruas e tocam o terror, prendendo jovens negros sem motivo aparente apenas para mostrar serviço. As abordagens geralmente culminam em interações tensas, levando até a agressões desnecessárias cometidas pelos homens da lei.

Ninguém consegue denunciar os corruptos, embora todos saibam da podridão. Quem se arrisca a falar algo é “punido”, transferido para trabalhos burocráticos e enfadonhos. 

A farsa dessa força-tarefa e de outras operações da polícia de Baltimore durou anos sem ninguém fazer nada. O resultado foram várias condenações equivocadas e mortes de civis inocentes. Daí o FBI, a polícia federal americana, entrou no jogo e passou a investigar, de fato, a corrupção.

Sim, o realismo de A Cidade É Nossa pode afastar por ser um retrato muito vivo do lado repugnante da polícia. Porém, a minissérie apresenta a exposição disso como uma alerta em forma de informação para o público saber o que acontece quando quem jurou promover a ordem é o praticante do crime.

A Cidade É Nossa é composta de seis episódios (três já foram ao ar na TV). Episódios inéditos do drama policial são exibidos toda segunda-feira, às 22h, na HBO. A minissérie está disponível no streaming HBO Max. ⬩

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