Y a mucha honra! 8 pontos que fazem A Dona do Pedaço mais parecer uma novela mexicana

Publicado há um ano
Por Felipe Brandão
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Walcyr Carrasco nunca escondeu que A Dona do Pedaço seria (mais uma) aposta direta sua no novelão clássico, sem medo algum de usar e abusar dos clichês a que o gênero tem direito.

Passada a primeira semana do folhetim, podemos dizer que ele cumpriu com louvor essa promessa. Tanto que, em diversos momentos, a impressão era de estar assistindo não necessariamente a uma trama do horário nobre da Globo – com toda a carga de realismo e modernidade própria da faixa -, mas a alguma produção da TV mexicana.

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Vejamos alguns pontos da substituta de O Sétimo Guardião que flertaram – e muito – com a dramaturgia da Televisa.

Maria da Paz (Juliana Paes) em A Dona do Pedaço (Divulgação / Globo)

“María de la Paz yo soooooy…”

E a coisa já começa logo no nome da heroína. Maria da Paz seria um ótimo título para a parte 4 da trilogia formada pelas novelas Maria Mercedes (1992), Marimar (1994) e Maria do Bairro (1995). Conseguem imaginar Thalía no lugar de Juliana Paes no atual papel? Olha que não é nada difícil…

Maria Da Paz (Juliana Paes) e Amadeu (Marcos Palmeira): Romeu e Julieta modernos em A Dona do Pedaço (Divulgação/ TV Globo)

Famílias inimigas

O amor entre membros de clãs rivais é um clássico da literatura e da dramaturgia desde Romeu e Julieta, de William Shakespeare. Nas novelas então, virou um tremendo lugar comum, e que ainda rende bons motes perante a audiência – seja ela mexicana ou tupiniquim.

O SBT, por exemplo, reciclou essa fórmula com muito sucesso em Canavial de Paixões (2004), adaptação nacional, e das mais fiéis, à trama homônima produzida pela Televisa menos de dez anos antes. Manancial (2002) e Paixão e Poder (1988) também se consagraram no gosto popular a seus tempos por meio desse imbatível clichê.

Maria da Paz (Juliana Paes) com Amadeu (Marcos Palmeira) desfalecido em seus braços em A Dona do Pedaço (Reprodução)

Casamento de sangue

Uma união frustrada à beira do altar é sempre uma boa pedida em qualquer folhetim. Afinal, já perdemos a conta de quantas noivas – ou noivos – vimos serem abandonados por seus pares dentro da telinha. Mas e quando o enlace acaba de forma bem mais trágica?

Foi exatamente o que vimos acontecer quando Amadeu (Marcos Palmeira) foi baleado por Dulce (Fernanda Montenegro) em plena cerimônia de seu casamento com Maria da Paz. Algo similar ao ocorrido com Jorge Luís del Olmo (Arturo Peniche), par romântico de outra Maria, a Mercedes (Thalía), no folhetim mexicano de mesmo nome. Ele havia acabado de se casar com a bela Diana (Silvia Campos) quando um ex-amante desta surgiu e a assassinou diante da igreja!

Mais sinistro que isso, só mesmo o casório de Marcela (Érika Buenfil) e Fernando (Arturo Peniche, ele de novo!), protagonistas da já bem antiga Amor em Silêncio (1988). Os dois mal tiveram tempo de se dar o esperado ‘sim’ antes que Mercedes (Margarita Sanz), a irmã malvada do rapaz, invadisse a igreja e matasse a ambos, com vários tiros à queima roupa!

Maria da Paz (Juliana Paes), de A Dona do Pedaço (Reprodução)

Perdida na ‘capitar’

‘Viúva’ antes do casamento, Maria da Paz ainda teve de escapar da guerra entre os Matheus e os Ramirez, trocando o interior do Espírito Santo pela ‘selva de pedra’ da capital paulista.

Incontáveis heroínas da Televisa já abriram sua história com um trajeto similar: Luísa (Claudia Ramírez), de Sigo te Amando (1997); Esmeralda (Leticia Calderón / Bianca Castanho), de Esmeralda (1997 / 2004); Adriana (Adela Noriega), de Manancial; Maricruz (Ana Brenda Contreras), de Coração Indomável (2013); e Regina (Victoria Ruffo), de Lágrimas de Amor (2012). Ufa!

Régis (Reynaldo Gianecchini) e Maria da Paz (Juliana Paes) em A Dona do Pedaço (Reprodução)

Patrão safado, empregada apaixonada

Nada mais clássico do que a mocinha de um folhetim mexicano trabalhar de empregada doméstica para uma família de ricaços e cair de amores pelo filho playboy dos patrões, certo? Pois A Dona do Pedaço também não conseguiu escapar desse clichê, e logo nos primeiros capítulos.

Recém-chegada a São Paulo, Maria da Paz acabou contratada como ‘secretária do lar’ do milionário Agno Fernandes (Malvino Salvador). Foi lá que conheceu o bon vivant Régis (Reynaldo Gianecchini), que mais tarde se casará com ela por interesse.

O vínculo trabalhista com os parentes do bonitão só não durou mais porque Lyria (Deborah Evelyn), esposa de seu patrão, acabou dispensando-a ao descobrir a gravidez a moça. Coitadinha…

Agatha Moreira como a ingrata Josiane em A Dona do Pedaço (Foto: Globo/João Miguel Júnior)

Trocada na maternidade?

Muita gente ficou com a pulga atrás da orelha com a sequência em que Marlene (Suely Franco) visita a filha recém-nascida de Maria da Paz, chamando-lhe a atenção que outra menina, também prematura, tenha nascido praticamente ao mesmo tempo que a pequena Josiane naquele hospital.

Antes mesmo de a cena ir ao ar, muitos já interpretaram este trecho da trama como um provável indício de que as duas crianças teriam sido trocadas por Marlene. Isso significa que Josiane (Ágatha Moreira) poderia não ser filha biológica da protagonista.

Ainda não se sabe se tal reviravolta de fato ocorrerá, ou não passará de mera especulação dos fãs. Na primeira hipótese, porém, será a primeira vez em um bom tempo que o velho clichê da troca de bebês reaparece no horário nobre da Globo. Além de ter sido usado como ponto de partida de Esmeralda, do SBT, tal artifício também foi usado em enlatados latinos como No Limite da Paixão (2002) e Mundo de Feras (2006).

Maria Da Paz (Juliana Paes) em A Dona do Pedaço (Divulgação/ TV Globo)

Vendedora ambulante

Desempregada e com uma filha a caminho, Maria da Paz teve de usar a criatividade para sobreviver em plena cidade de São Paulo. Batalhadora como boa heroína de novela, ela arregaçou as mangas e começou a preparar os saborosos bolos que havia aprendido com sua avó, passando a vendê-los de sol a sol pelas ruas da capital.

O trabalho de ambulante é algo mais que recorrente nos dramalhões latinos. Maria Mercedes (Thalía), por exemplo, mantinha toda a família comercializando bilhetes de loteria em cada canto da Cidade do México. Já Marisol (Bárbara Paz) abriu a novela de mesmo nome como uma simples vendedora de flores de papel.

Até mesmo a pequena Amy (Danna Paola), a Menina da Mochila Azul (2004), costumava usar seu tempo livre para vender conchinhas aos turistas da praia de Porto Esperança. Tudo para ajudar seu pai, o velho marinheiro Matias (Pedro Armendáriz), nas despesas do lar.

Nathália Dill como Fabiana em A Dona do Pedaço (Divulgação / Globo)

Abandonada em um convento…

De tudo o que foi mostrado na primeira semana de A Dona do Pedaço, nada soou tão acrônico quanto a forma encontrada por Vicente Matheus (Álamo Facó) para se desfazer da pequena Fabiana (Maria Clara Baldon).

Ordenado a dar cabo da filha de Zenaide (Maeve Jinkings), ele não teve coragem de assassinar a garotinha e acabou abandonando-a em um… convento! Sorte parecida à que teve Cristina (Adela Noriega), mocinha de O Privilégio de Amar (1998), bem como a heroína homônima (Bianca Castanho) de Cristal (2006), trama brasileira baseada no texto latino.

Em Querida Inimiga (2007), a protagonista Lorena (Ana Layevska) e a vilã Sara (Carmen Becerra) também haviam crescido numa instituição religiosa. E, se crescer cercada por freiras amorosas não impediu a mexicana Sara de se tornar uma grande caráter, a formação religiosa tampouco servirá de muito para Fabiana (Nathália Dill), que vai aprontar todas na trama de Walcyr Carrasco.

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