Você sabia? Novela A Viagem foi acusada de influenciar suicídio de duas adolescentes

Jovens teriam se inspirado em personagem de Guilherme Fontes

Publicado há 3 dias
Por Felipe Brandão
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Há menos de um mês do início de sua quinta exibição na TV brasileira, a novela A Viagem vem mostrando diariamente, na tela do canal Viva, a força que ainda possui junto à audiência tupiniquim.

Pudera: a obra de Ivani Ribeiro – remake de sua própria trama homônima, rodada entre 1975 e 1976 pela Tupi – permanece até hoje como uma das mais bem acabadas, marcantes e envolventes produções da Rede Globo.

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Embora A Viagem tenha feito um barulho considerável também no exterior, houve um determinado país em que a repercussão do folhetim ficou marcada por um episódio, no mínimo, bastante negativo.

Em 1994, mesmo ano de sua exibição original, a história de Diná (Christiane Torloni) e Otávio (Antonio Fagundes) foi ao ar em Portugal pelo canal SIC, até hoje um dos principais parceiros internacionais da rede dos Marinho. A emissora lusitana estava muito satisfeita com os índices de audiência da obra importada, até que ela se viu no centro de uma sinistra polêmica.

Moradoras de um orfanato na Leiria, região localizada a 150 quilômetros de Lisboa, as adolescentes Sandra Cristina Valente e Sílvia Gomes cometeram suicídio, possivelmente influenciadas pela ação idêntica do personagem Alexandre (Guilherme Fontes).

De acordo com reportagem da Folha de São Paulo, publicada em 1 de dezembro de 1994, as duas jovens de 17 anos tomaram veneno e começaram a passar mal diante dos colegas do Lar Santa Isabel, que acionaram uma ambulância.

Sílvia e Sandra chegaram a ser hospitalizadas, mas a primeira já chegou morta ao hospital, enquanto a outra faleceria horas depois. “Adeus, vou fazer uma viagem”, dizia a carta de despedida escrita pelas meninas – que, segundo a diretora do orfanato, Helena Figueiredo Cabral, eram telespectadoras assíduas do folhetim da Rede Globo.

Embora as cartas deixadas pelas vítimas tenham sido mantidas em segredo de Justiça, diversos veículos da imprensa lusitana relacionaram abertamente o duplo suicídio à influência do folhetim de base espírita. O jornal local A Capital, por exemplo, chegou a publicar títulos como “A Viagem na gênese do suicídio de Leiria” e “Telenovela pode ter servido de exemplo”.

Histórico instável

Tudo indica que o veneno que matou as duas meninas teria sido conseguido por Sílvia. A menina, que morava desde os cinco anos no Lar Santa Isabel, ainda tinha contato com os pais e teria conseguido durante uma visita de rotina a eles a substância letal (agrotóxico 605 Forte).

Ainda segundo a diretora, ela fazia tratamento psicológico por “problemas de rejeição”. Sandra, por sua vez, foi para a mesma instituição aos 10 anos de idade, depois de perder o pai, e lá permaneceu até o último dia de sua vida tão curta.

Teria mesmo A Viagem alguma influência na decisão das garotas de tirar a própria vida? Seja como for, não é a primeira vez quem uma novela de TV é acusada de ter alguma responsabilidade em um incidente desse tipo.

Em 1973, uma telespectadora de cinco anos da novela argentina Papá Corazón – que gerou posteriormente a brasileira Papai Coração (1976), além das duas versões, mexicana e tupiniquim, de Carinha de Anjo (2001/2016) – suicidou-se após dar a entender aos familiares que estava dialogando com o espírito de sua falecida mãe, assim como fazia a garotinha protagonista em todas as roupagens da história. Cruz credo!

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