Vinícius Coimbra, diretor de Nos Tempos do Imperador, analisa trama: “muita emoção e muita conexão com o Brasil”

Ele assina a direção artística da novela que estreia nesta segunda (9)

Publicado em 3/8/2021
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Vinícius Coimbra é o diretor artístico de Nos Tempos do Imperador, novela das seis da Globo que estreia nesta segunda-feira (9). Há 21 anos na Globo, o profissional trabalhou em minisséries e novelas como Sabor da Paixão (2002), Celebridade (2003), JK (2006), O Profeta (2006), Três Irmãs (2008) e Queridos Amigos (2008).

Ao lado de Dennis Carvalho, assinou a direção-geral das novelas Insensato Coração (2011), de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, e Lado a Lado (2012), de João Ximenes Braga e Cláudia Lage, que ganhou o Emmy Internacional de melhor telenovela (2013). O diretor também comandou a 21ª temporada de Malhação (2013).

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Em 2015, lançou dois filmes: A Hora e a Vez de Augusto Matraga, vencedor do prêmio de melhor filme no Festival do Rio e A Floresta que se Move, com Ana Paula Arósio e Gabriel Braga Nunes no elenco. Como diretor artístico assinou recentemente a minissérie Ligações Perigosas (2016), a novela Liberdade, Liberdade (2016) e Novo Mundo (2017), ao lado dos autores Thereza Falcão e Alessandro Marson, com quem repete a parceria nesta novela.

Na entrevista abaixo, Vinícius Coimbra adianta o que o público pode esperar de Nos Tempos do Imperador.

Em março do ano passado, quando a novela estava quase estreando, as gravações tiveram que ser interrompidas por conta da pandemia. O que você pensou na época? Achou que seria um por um período tão longo?

Vinícius Coimbra – Não imaginei que fosse durar tanto tempo assim. Achava que não seria rápido, sempre tive uma impressão de que a gente voltaria em outubro. Na época, em fevereiro do ano passado, fiz uma viagem e, na Europa, a pandemia já estava muito avançada. Quando voltei para o Brasil, no final de fevereiro, já estava de máscara. Tinha uma coisa acontecendo na Europa que não estava passando no Brasil. Naquela época disseram que as gravações seriam suspensas. Eu achava que demoraria, mas não que estrearíamos apenas em agosto do ano seguinte, a ainda sem ter acabado a pandemia.

O retorno ao set ocorreu mais de seis meses depois, seguindo uma série de protocolos de segurança. Como foi essa volta? Qual era o seu sentimento, como você via que estavam a equipe e o elenco em retomar esse projeto?

Vinícius – Voltamos para o set em novembro. A gente tinha muita confiança no protocolo que a Globo estava adotando, era muito seguro. De alguma forma, todos fomos nos sentindo seguros ali dentro – equipe, elenco, direção, apoio.

A novela retorna agora, em agosto, com grande parte da obra gravada. Como tem sido o período de gravações?

Vinícius – Tivemos um processo na gravação que foi inédito. Normalmente, a gente estreia com 18 capítulos gravados. Ficamos trabalhando em torno de 10-12 capítulos por semana de gravação. E agora, por conta das vezes que algumas cenas foram penduradas (as com muitos figurantes, por exemplo, ou por afastamento de atores idosos, que evitamos gravar em alguns períodos), montávamos um roteiro para otimizar a gravação que às vezes envolvia 60 capítulos de diferença. Gravávamos o 80 no mesmo dia do capítulo 28. Isso é difícil para os atores, para a direção, para a continuidade de uma maneira geral. Saber o que a pessoa estava sentindo nos capítulos 28 e 80, resgatar a emoção nesse espaço todo de tempo. Há aí uma passagem de oito anos. Isso foi um desafio inédito que os atores estão passando ainda. A gente ainda grava, às vezes, com diferença de 40 capítulos, no mesmo dia, mesmo cenário. Estamos aprendendo a fazer novela dessa forma.

Qual a principal mensagem de Nos Tempos do Imperador? O que o público pode esperar da novela?

Vinícius – Vamos trazer uma mensagem de responsabilidade com o país. Pedro tinha muito essa noção, olhava muito para o Brasil e pensava o que poderia fazer para melhorar. Era muito bem formado, sabia o valor da ciência, da educação. Um abolicionista, um ufanista, com um olhar muito interessante para o Brasil. O público pode esperar histórias bonitas e românticas, aventura, conteúdo histórico, sofrimento, mas, principalmente, muita emoção e muita conexão com o Brasil.

Podemos dizer que Nos Tempos do Imperador é uma continuação de Novo Mundo?

Vinícius – Sim. Vou até usar uma cena do nascimento do Dom Pedro II (Selton Mello), filho de Dom Pedro I e Leopoldina, que gravei. Temos links entre uma obra e outra, mas os temas dessa novela são diferentes e estamos em outra fase.

Como foi a escalação do elenco?

Vinícius – Vi o Selton entrando ao vivo em um programa com o irmão, Danton Mello. Achei bonita a conversa deles, se emocionaram. Deixei uma mensagem e Selton falou que estava à disposição. Falei que tinha um papel. Conversamos e ele me disse que queria fazer o Dom Pedro II. Ele teve uma visão ali e contribuiu para o crescimento do personagem. Assisti ao trabalho do Michel Gomes em uma série e queria desde o primeiro momento que fosse o Jorge/ Samuel. Também pensei na Gabriela Medvedovski desde o início, pois seu carisma chamou a atenção em Malhação, que eu assistia do switcher na época de Novo Mundo. Ficamos com três das atrizes daquela temporada: Heslaine Vieira, Daphne Bozaski e ela, todas maravilhosas. A volta de Licurgo (Guilherma Piva) e Germana (Vivianne Pasmanter) foi ideia minha. Eles são muito queridos e cumprem a função de conectar as duas tramas. Mariana Ximenes e Letícia Sabatella são grandes nomes que vão tocar o público, cada uma à sua maneira. Estou muito feliz com a escalação que fizemos.

Como está sendo retomar a parceria com Thereza Falcão e Alessandro Marson?

Vinícius – Eles são maravilhosos, autores instigados. Não estão apenas querendo fazer um sucesso. Eles querem contar a história do Brasil, o que eles fizeram dar certo em Novo Mundo. Nas pesquisas com grupos de discussão, as pessoas diziam que adoravam saber da história do nosso país. São autores que conseguem fazer isso, e não é fácil.

Quais os diferenciais estéticos desta novela? Quais referências vocês buscaram?

Vinícius – Nos Tempos do Imperador tem um conceito estético forte, muito inspirado no nascimento da cor no cinema. Fizemos pesquisa em cima do conceito do cinema Technicolor, laboratório que desenvolveu uma técnica de colorizar os filmes, do final dos anos 30 até os anos 80. A gente se inspirou nessa época com o filme …E o Vento Levou, de 1939. Vimos muitos filmes de Hitchcock, entre outros, desse momento, que eram bem marcantes e tinham um tratamento da cor e da natureza da luz um pouco mais dura. Além disso, o pintor austríaco Thomas Ender foi uma inspiração para a abertura da novela, e o quadro Batalha do Avaí, de Pedro Américo, uma referência nas cenas da Guerra do Paraguai.

O que você destaca na cenografia?

Vinícius – Não aproveitamos a cidade cenográfica de Novo Mundo, o que foi bom, porque o Rio de Janeiro mudou muito. Essa novela conta essa mudança. Do Rio mais arcaico para a cidade com a Rua do Ouvidor, o comércio, a influência francesa. Vamos mostrar uma cidade com iluminação pública, com o Passeio Público e com a Pequena África.

Como será a trilha sonora?

Vinícius – Neste trabalho, resolvi mesclar um pouco composições modernas com orquestrais. As composições clássicas e românticas da época ganharam arranjos mais modernos, fruto do trabalho do nosso produtor musical Sacha Amback. Temos temas cantados, diferente de Novo Mundo, em que tudo era composto, além de clássicos da MPB. Estou buscando ser bastante ufanista e valorizar nossa cultura através da trilha.

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