“Uma história ácida e contemporânea”, garante Paulo Silvestrin, diretor da série Eu, a Vó e a Boi, da Globoplay

Publicado há um ano
Por Cadu Safner
Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Uma história de inimizade de mais de 60 anos. Uma guerra declarada entre duas vizinhas capazes de tudo para prejudicar a vida uma da outra. De um lado, Turandot (Arlete Salles); do outro, Yolanda (Vera Holtz), a “Boi” – apelido dado pela primeira, ao concluir que “vaca” está fora de moda. Ninguém sabe quando tudo começou, mas já aposentadas, viúvas e, portanto, dispondo de tempo livre o suficiente nas mãos, nenhuma delas tem a menor intenção de propor um tratado de paz.

Eu, a Vó e a Boi é uma série original Globoplay, desenvolvida pelos Estúdios Globo. Criada e escrita por Miguel Falabella, com Flávio Marinho e Ana Quintana, a partir de uma ideia original de Eduardo Hanzo, a obra tem direção artística de Paulo Silvestrini e direção de Mariana Richard. Confira a entrevista com Paulo Silvestrini:

Continua depois da publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Paulo Silvestrini tem mais de 20 anos de carreira na Globo. Em 1997, comandou Malhação e, de 1999 a 2002, esteve à frente da direção do seriado Sandy e Júnior. Em sua trajetória, constam trabalhos como diretor das novelas Torre de Babel (1998), Da Cor do Pecado (2004) e muitas outras. Em 2017, assinou a direção artística de Malhação: Viva a diferença, que ganhou o prêmio Emmy Internacional Kids de melhor série (2019). Confira a entrevista com ele:

Como foi trabalhar pela primeira vez com um texto de Miguel Falabella?

Eu nunca tinha frequentado o universo do Miguel Falabella. Quando eu li o texto de ‘Eu, a vó e a Boi’ pela primeira vez, tive uma percepção muito atraente das possibilidades que o projeto oferecia. Eu achei muito original, tanto na proposta de realização quanto no conteúdo. Ainda que eu fosse capaz de perceber o DNA que o Miguel tem em todos os trabalhos dele, eu também enxerguei coisas novas com as quais ele queria entrar em contato. É uma série de entretenimento. Mas a primeira coisa que me chamou a atenção foi que, para muito além de uma comédia, o que o Miguel descreveu foi uma crônica inteligente, como tudo que ele escreve, e ácida a respeito do comportamento humano contemporâneo. E tem um tanto de fabular. Ele escreveu uma história não-realista dentro de um ambiente não-realista, mas não desvinculada das questões que nos são caras.

Como você colocou a sua assinatura neste trabalho?

Os personagens são todos alucinados, as relações são alucinadas. São fatias de emoção. Eles reagem aos estímulos das situações propostas. É como se fosse a toca do coelho da Alice, em que a gente mergulha e vai viver esse universo paralelo. Para passar essa sensação para o público eu queria sugerir flertar com a linguagem do gamer. Temos um protagonista que quebra a quarta parede e fala com o público. Às vezes ele narra com distanciamento, às vezes narra contando um flashback, às vezes narra no momento presente, afetado pelo que está acontecendo, com um pequeno olhar para o público. Eu comecei a enxergar o público como uma figura participante e invisível do nosso universo. É como se eu desse um joystick e ele criasse um avatar invisível dele para acompanhar a história.

Por que construir uma cidade cenográfica monocromática para a série?

O universo onde os personagens vivem é um universo desprovido de possibilidades. Por isso a cidade cenográfica é como um presídio. Ela é toda cinza, de concreto e grade, não tem uma cor. A única cor são os personagens. Essa foi uma ideia conjunta minha e do Miguel. É um universo não-realista e eu queria que tivesse algo de teatral no tom, nas interpretações. Então tudo tem um tom acima: o figurino, a cor, a interpretação. Eu achava que a cidade cenográfica criaria um ambiente teatral. Uma vez que o ambiente é cenográfico você se distancia da realidade imediatamente. Como o Tim Burton fazia quando criava um universo meio doido. É feito para que tudo seja verdade ali, porque em outro lugar não seria.

Como é trabalhar em uma série feita para o streaming?

Há 22 anos eu dirigi ‘Malhação’, depois ‘Sandy e Junior’ por quatro anos e meio. Eu sempre quis trabalhar com o jovem, é o que eu gosto, onde eu me reconheço e me sinto capaz de acessar a ideia por trás do projeto. Esse projeto não é destinado ao jovem, como é a ‘Malhação’, mas é um projeto que pode ser assistido como entretenimento por jovens porque estará num ambiente frequentado por eles, que é o da internet. O nosso protagonista tem 18 anos, está tentando entrar na vida adulta apesar de toda adversidade. O Miguel olhou uma pesquisa que dizia que 75% dos jovens do Brasil não têm qualquer esperança no Brasil. É curioso. Então não deixa de ser instigante para um jovem acompanhar o desdobramento de uma vida, se não parecida, pelo menos próxima a dele. Com uma reflexão crítica e ácida do país e das questões em torno dele.

Como você gostaria que as pessoas enxergassem essa série?

Como uma crônica inteligência, ácida e contemporânea capaz de entreter, emocionar, encantar e divertir.

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Carregar mais