Tonico de Nos Tempos do Imperador existiu? Vilão real atacou Isabel e votou contra o fim da escravidão

Personagem de Alexandre Nero foi inspirado em figura verdadeira

Publicado em 08/11/2021 18:12
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A novela Nos Tempos do Imperador traz inúmeros personagens que realmente existiram, sejam retratos reais ou inspirações. Tonico Rocha, papel de Alexandre Nero, por exemplo, é uma figura que foi idealizada pelos autores a partir de um político que atuou no Brasil à época do segundo reinado.

Trata-se de João Maurício Wanderley, Barão de Cotegipe (1815-1889), descendente de colonos holandeses de Pernambuco. Além de um dos líderes do Partido Conservador, foi senador do Império do Brasil entre 1856 e 1889. Também exerceu outros cargos de suma importância, como ministro da Marinha, da Fazenda, dos Estrangeiros e do Império.

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Quem foi o Barão de Cotegipe

As polêmicas envolvendo o Barão de Cotegipe foram muitas, sendo a maioria relacionada à postura racista e antiabolicionista do político, bem como à preferência pelas classes altas em detrimento dos menos favorecidos. Ou seja, semelhante à mostrada por Tonico Rocha em Nos Tempos do Imperador.

Para se ter ideia, ele aprovou a chamada Lei dos Sexagenários, que consistia em autorizar a libertação dos escravos a partir dos sessenta anos – algo que na prática não funcionava bem assim. Além disso, João Maurício Wanderley foi o único senador do Império a votar contra a aprovação da Lei Áurea, que instaurava o fim da escravidão no país.

De acordo com o senador, acabar com a escravatura significava ameaçar a hegemonia e permanência da Monarquia. Para ele, com a Lei Áurea aprovada, os aristocratas rurais se revoltariam e se colocariam contrários ao Terceiro Reinado.

Em suas declarações, o Barão de Cotegipe aproveitava para atacar diretamente a princesa Isabel, que na novela das seis ainda não assumiu o poder e é interpretada pela atriz Giulia Gayoso. Ele ressaltava que a filha de Dom Pedro II (Selton Mello) estava do lado dos ‘anarquistas’, como eram chamados aqueles que aprovavam medidas com viés mais progressista.

Com a Lei aprovada, o político, sempre sarcástico, afirmou para Isabel: “Ganhou a partida, mas perdeu o trono“. O Barão de Cotegipe faleceu em Fevereiro de 1889, antes da decadência de fato da Monarquia brasileira.

Inspiração para Tonico

Apesar de Tonico Rocha não ter existido com esse nome de fato na história brasileira, a inspiração no Barão de Cotegipe e outros políticos antigos é real.

O ator Alexandre Nero, que interpreta o rival de Pedro II e marido de Dolores (Daphne Bozaski) adiantou que Tonico reuniria aspectos muito conhecidos do povo brasileiro. “Trata-se de um personagem ficcional, mas que talvez seja o mais real da trama, porque as pessoas vão se identificar. Ele está em cada um de nós e eventualmente em mim também, porque a gente não pode só apontar para o outro, olhar para fora”, destacou Nero.

Vale ressaltar também que Tonico, na história, tem o título de coronel. Contudo, essa classe só passou a existir no Brasil após o fim da Monarquia e no começo da República Velha. Os autores, Thereza Falcão e Alessandro Marson, justificaram a criação do vilão.

“A gente tentou puxar um pouco da Bahia de Jorge Amado [1912-2001], jogar um pouco dessa cor e até forçar uma barra ao enfiar os coronéis, que não são exatamente dessa época. Ele é um personagem que poderia estar em um livro do autor, tocando as suas maldades”, pondera a escritora.

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