Taís Araújo fala do insucesso de Helena, de Viver a Vida: “A minha personagem foi um erro”

Atriz esperava abrir as portas para mais protagonistas negras no horário nobre

Publicado há um mês
Por Renan Vieira
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A atriz Taís Araújo participou, nesta semana, do programa Campeões da Audiência, da TV Cultura, sobre a televisão brasileira, que faz 70 anos, e falou sobre sua primeira protagonista no horário nobre da Globo. Se trata de Helena, da novela Viver a Vida, em 2009.

“Uma das minhas pretensões nessa novela [Viver a Vida] era ‘essa novela vai fazer um sucesso e vai abrir um portal de protagonistas negras’. A novela flopou de um jeito, eu flopei de um jeito, tomei um caldo. Aí meu pensamento foi contrário: ‘eu fechei todas as possibilidades de todas as protagonistas negras’”, avaliou Taís.

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Em seguida, ela admitiu que novela ter pontos altos. “Eu fui achando que a culpa era completamente minha e fui numa viagem egocentrada muito louca. Acho que a novela tem milhões de acertos, a personagem da Alinne [Moraes], por exemplo. A Alinne fez muito bem, a Lilia [Cabral] fez muito bem”, pontuou.

Taís disse equívocos em sua personagem. “A minha personagem era um erro em vários sentidos. Eu faço mea culpa, eu também não fiz bem. Mas também não era um personagem com paint de protagonista”, avaliou.

Taís Araújo, no Campeões de Audiência (Reprodução)

Logo, Taís avaliou a conjectura social para explicar o insucesso. “Eu acho que o Brasil naquele momento não sabia compreender como é que havia aquela mulher negra, com sucesso, rica, e você não explicava [como ela chegou lá]. Era um Brasil – que até hoje é assim – em que você precisa explicar porque é que o negro tá nessa posição, como é que conseguiu chegar”.

E mais!

Para ela, a novela nos dias de hoje poderia ter um resultado diferente: “Talvez fosse uma novela pra passar hoje, não onze anos atrás. Talvez o Maneco estivesse à frente nesse pensamento de ‘não vou explicar porque essa mulher negra de sucesso tá aí, não vou pedir desculpas por ela ser uma mulher negra de sucesso e bem resolvida, ela simplesmente é’”.

“Acho que foi ingenuidade nossa. O Brasil não se mostrava o Brasil que ele é hoje. A gente acreditava que o brasileiro era cordial, a gente acreditava na democracia racial, a gente acreditava num monte de coisa que caiu por terra. Então é uma novela que a gente precisa abrir os olhos e olhar que novela era, que país era, que país de fato é. Foi uma novela que me ensinou muito, fez eu pensar que tipo de carreira eu queria ter. Eu devo muito a ela, a todas as lágrimas derramadas”, concluiu a atriz.

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