Surdos serão prejudicados com o fim da TV Escola

Publicado há um ano
Por Arthur Pazin
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Responsável pela gestão da TV Escola, desde sua fundação, em 1996, a Associação de Comunicação Roquette Pinto (Acerp) emitiu uma nota sobre os rumos do canal, que irá encerrar suas operações após decisão do governo de Jair Bolsonaro.

A informação foi divulgada pelo jornalista Ricardo Feltrin, em sua coluna no UOL. De acordo com o colunista, a emissora se tornou referência na área da Educação em meios de comunicação, especialmente por transmitir conteúdo em closed caption, audiodescrição e tradução em Libras.

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Segundo o IBGE, em 2010, no Brasil pelo menos 10 milhões de pessoas são surdas e serão prejudicadas com o fim do canal. Outra desvantagem com o fim das operações é o fim do programa Hora do Enem, produção premiada e reproduzida no mundo todo, apresentada por Land Vieira. A nota destacou, ainda, que 367 funcionários serão demitidos.

Confira a nota na íntegra:

“Nós, funcionários e funcionárias da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), reunidos em assembleia, vimos a público manifestar apreensão pelas últimas notícias que, desde sexta-feira, 13/12, dão conta da não renovação, pelo MEC, do contrato de gestão da TV Escola.”

Desde que esses fatos se tornaram públicos, 367 famílias vivem momentos de angústia e de medo. A Roquette Pinto é a instituição responsável pela produção e operação da TV Escola desde o lançamento do canal, em 1996.”

Há décadas a Acerp carrega o legado do educador Edgard Roquette-Pinto, e tem um histórico compromisso com a democratização do acesso ao conhecimento e a defesa da educação pública do país.”

“Um compromisso que também é de todos e todas nós. Ao longo de mais de 20 anos de existência, a TV Escola sempre se pautou pela pluralidade de ideias e pela qualidade de seus programas, muitos premiados no exterior.”

A atenção às necessidades de nosso público também fez com que o canal investisse em acessibilidade: com recursos de closed caption (legenda oculta), audiodescrição e tradução em Libras. Tudo isso é fruto da expertise desenvolvida pela equipe da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto.”

Não medimos o sucesso de nossa programação por meio de índices de audiência. Esse nunca foi um parâmetro. O que nos orienta é a certeza da utilização de nossos programas em salas de aula; em cursos de formação de professores e em outras iniciativas voltadas à capacitação de estudantes e profissionais de educação.”

Estamos alinhados em defesa de uma educação pública de qualidade, que seja laica, inclusiva e democrática. Reafirmamos nosso total respeito aos educadores, educadoras, alunos e alunas deste país, que há mais de 20 anos acompanham e contam com a nossa programação para divulgar as inúmeras experiências bem-sucedidas em curso nas escolas públicas brasileiras; bem como na divulgação e nas discussões acerca das políticas públicas de educação implementadas no país.”

“Entendemos que só o investimento em educação pode garantir que o Brasil cresça e que nossa sociedade se torne mais justa. Nesse sentido, a TV Escola é uma contribuição fundamental, sobretudo em municípios que não possuem recursos ou estrutura para promover iniciativas de formação continuada de professores.”

Também expressamos nossa preocupação com o futuro da TV INES, a única emissora voltada para a comunidade surda do país – com programação em Libras, a Língua Brasileira de Sinais. Não há garantias de que o contrato de prestação de serviço para gestão da TV INES se manterá sem o suporte da TV Escola, uma vez que os dois canais compartilham a estrutura física, equipamentos e equipes, em diversas áreas.”

“A Cinemateca Brasileira, também gerida pela Acerp, é outro patrimônio brasileiro Ameaçado. Lá, desenvolvemos um precioso trabalho de recuperação e digitalização de um rico acervo da cinematografia brasileira. A não renovação do contrato de gestão da TV Escola com a Acerp compromete todas essas atividades.”

Atinge frontalmente nosso compromisso histórico de contribuir para a melhoria da qualidade da educação nas escolas do país. Atinge igualmente a possibilidade de construirmos uma sociedade na qual surdos e ouvintes tenham acesso à informação e à cultura. E atinge, também, a preservação da memória do cinema e da cultura brasileiros.

Essa luta não é apenas nossa. Todo o Brasil deveria se preocupar quando instituições como essa que representamos se veem ameaçadas.”

Funcionários da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto, em assembleia.

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