Sol de Verão estreava há 35 anos

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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No dia 11 de outubro de 1982, estreava no horário das oito da Globo a novela Sol de Verão. A trama de Manoel Carlos ficou marcada por um acontecimento trágico: a morte de Jardel Filho, que vivia um dos protagonistas da história, durante o desenvolvimento da mesma. A perda do ator acabou afetando a produção.

Sol de Verão mostrava Rachel (Irene Ravache), que acabara de sair de um casamento malsucedido com Virgílio (Cecil Thiré), e se muda para o Rio de Janeiro, junto com sua mãe Laura (Beatriz Segall) e sua filha Clara (Débora Bloch). Na nova cidade, Rachel conhece e se envolve com Heitor (Jardel Filho), um mecânico grosseirão que nunca havia tido um relacionamento sério antes. Enquanto isso, Clara se apaixona por Abel (Tony Ramos), um homem surdo-mudo que trabalha com Heitor em sua oficina mecânica.

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Abel acabou se tornando um dos vários grandes trabalhos do ator Tony Ramos na TV. O personagem, além de viver uma bela história de amor, também servia para desmistificar o tema de sua deficiência. Por causa da novela, as crianças passaram a reproduzir a linguagem dos surdos-mudos nas escolas e o alfabeto dos sinais começou a ser distribuído nas ruas das grandes cidades. Ao final da novela, Abel volta a ouvir e falar.

Mas Sol de Verão acabou sendo marcada mesmo pela perda de Jardel Filho. O ator foi vítima de um ataque cardíaco em 19 de fevereiro de 1983, durante o carnaval daquele ano. O autor Manoel Carlos, bastante abalado com a morte do ator, que era seu amigo, sentiu-se impossibilitado de continuar escrevendo a obra. Sem o ator e o autor, a direção da Globo cogitou várias soluções, entre elas interromper a trama sem um final, ou ainda escalar um novo ator para prosseguir a trajetória do personagem. Mas a direção do canal preferiu optar por entregar Sol de Verão a Lauro César Muniz, e, também, encurtar a novela.

Assim, Lauro César Muniz escreveu os capítulos finais de Sol de Verão, contando com a colaboração de Gianfrancesco Guarnieri e Paulo Figueiredo, que integravam o elenco da novela, vivendo os personagens Caetano e Horácio, respectivamente. Então, logo após a exibição da última cena com Jardel, o elenco aparecia em off com depoimentos em homenagem ao colega. Na sequência, sua ausência na história foi justificada com uma viagem.

Com o encurtamento de Sol de Verão, ficou um vácuo nas produções das oito da Globo, já que sua substituta, Louco Amor de Gilberto Braga, não ficaria pronta a tempo. A solução, então, foi reapresentar um compacto de O Casarão, trama de Lauro César Muniz exibida em 1976. O Casarão foi exibida de 21 de março a 9 de abril de 1983, e Louco Amor estreou no dia 11 de abril, três semanas após o término de Sol de Verão.

Sol de Verão marcou a estreia de Miguel Falabella em novelas na Globo, vivendo o personagem Romeu. Foi também a primeira novela inteira da atriz Irene Ravache no canal; antes disso, ela havia feito uma participação em Elas por Elas.

Depois da trama, Manoel Carlos acabou deixando a Globo. Passou pela Manchete, onde assinou a minissérie Viver a Vida, em 1984, e a novela Novo Amor, em 1986; e pela Band, onde escreveu a minissérie O Cometa, em 1989. O autor retornaria à Globo em 1991, quando assinaria Felicidade e daria sequência à sua galeria de “Helenas”, iniciada em 1981 com Baila Comigo.

Por seu trabalho em Sol de Verão, Irene Ravache foi eleita pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) a melhor atriz de 1982 e Débora Bloch levou o prêmio de atriz revelação do ano. Irene Ravache também foi premiada com o Troféu Imprensa de melhor atriz de 1982.

Com 137 capítulos, Sol de Verão foi escrita om a colaboração de Elizabeth Jhin e dirigida por Roberto Talma, Jorge Fernando e Guel Arraes.

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Relembre o último capítulo de Sol de Verão:

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