Sindicato repudia substituição de jornalistas por jovem de 18 anos no Primeiro Impacto

Publicado há 4 anos
Por Philippe Azevedo
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O Sindicato de Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e a Federação Nacional dos Jornalistas colocaram-se contrários à decisão do SBT em substituir Karyn Bravo e Joyce Ribeiro por Eduardo Camargo, de apenas 18 anos, à frente do Primeiro Impacto.

Os órgãos, em nota, afirmam que “vários jornalistas procuraram o Sindicato manifestando a indignação”. O protesto, segundo as instituições, se dá pelo fato do SBT “tratar o jornalismo como entretenimento e não como informação criteriosa”. Argumentam ainda que, desta forma, presta um “desserviço ao cidadão”.

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A estreia de Eduardo Camargo à frente do Primeiro Impacto ocorreu na quarta-feira (12), Dia das Crianças. A substituição gerou uma série de comentários na internet. Antes de assumir o telejornal, Camargo era o famoso “homem do saco” do programa Fofocando, também do SBT.

Leia, na íntegra, a nota do Sindicato de Jornalistas:

“O Sindicato dos Jornalista Profissionais no Estado de São Paulo, com o apoio da Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj, vem a público protestar contra a alteração ocorrida no telejornal Primeiro Impacto do SBT – Sistema Brasileiro de Televisão que afastou as jornalistas Karyn Bravo e Joyce Ribeiro.

No feriado de quarta-feira, 12 de outubro, quando também se comemorou o Dia da Criança, a direção do SBT afastou da bancada do telejornal as duas jornalistas e as substituiu por Eduardo Camargo.

O “âncora”, de apenas 18 anos, atuava no programa Fofocando interpretando a personagem ‘Homem do Saco”, um comentarista que não mostrava o rosto, o qual permanecia encoberto por um saco de papel. Em seu currículo também consta a participação na novela Revelação e no programa Domingo Legal, no quadro “Lendas Urbanas”.

Vários jornalistas procuraram o Sindicato manifestando sua indignação. O protesto não se dá apenas pelo fato de a direção substituir duas experientes profissionais por uma única pessoa, o que tem se mostrado uma política usual das emissoras, fato que vem precarizando cada vez mais a profissão.

Tampouco o protesto se deu pelo fato de o novo apresentador não ser jornalista profissional. Prática que se tornou possível uma vez que a decisão desastrosa do ministro do STF, Gilmar Mendes, considerou a necessidade de formação específica em jornalismo desnecessária para o exercício profissional. Tal decisão abriu virtualmente as portas da profissão para qualquer pessoa.

O que torna esta alteração ainda mais desastrosa para a profissão é que ela comprova, mais uma vez, que o jornalismo é visto como uma atividade marginal na emissora do sr. Sílvio Santos.

Tratar o jornalismo como entretenimento e não informação criteriosa é um desserviço ao cidadão, um ataque à qualidade da informação e, mesmo, uma afronta à Constituição que estabelece como princípios que os meios de comunicação devem zelar pela sua função social e dar “preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas”.

As profissionais, que apresentavam o noticiário não foram demitidas, mas estão afastadas da função.

Casos como este demonstram o quanto é necessária a união dos jornalistas em defesa da profissão e da qualidade do trabalho jornalístico.”

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