Saiba todos os detalhes de Novo Mundo, a nova novela das 18h da Globo

Publicado há 4 anos
Por Endrigo Annyston
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Um ‘Novo Mundo’ a ser explorado. Uma jornada repleta de lutas e aventuras, que vai transformar vidas e interferir diretamente no rumo da história: a que está nos livros e a que ficou guardada no coração de quem viveu naquela época. Há quase 200 anos, uma travessia grandiosa do Atlântico trouxe a arquiduquesa austríaca Leopoldina (Letícia Colin) ao Brasil para se tornar a esposa de Dom Pedro (Caio Castro) e personagem fundamental no processo de independência do país. Nesta mesma viagem, dois jovens se apaixonam e despertam para o Brasil que encontram. Na trama da próxima novela, o romance ficcional entre a professora de português Anna Milmann (Isabelle Drummond) e o ator Joaquim Martinho (Chay Suede) se entrelaça à luta do Brasil pela construção de uma nação independente. Escrita por Thereza Falcão e Alessandro Marson, com direção artística de Vinícius Coimbra, ‘Novo Mundo’ é uma aventura romântica ambientada no Brasil do início do século XIX, entre 1817 e 1822.

Ela, uma escritora inglesa que tem a missão de acompanhar Leopoldina e ensinar a nova língua para a futura princesa. Ele, um atrevido ator de commedia dell’arte, que embarcou no navio por acaso e se tornará o herói desta história por ter como principal missão na vida o bem comum. Ao cruzarem seus destinos, eles terão que lutar contra muitos obstáculos para ficarem juntos. No seu encalço, o oficial inglês Thomas Johnson (Gabriel Braga Nunes), que vê em Anna o melhor cartão de visitas para suas ambições. O casal se envolverá intensamente nos acontecimentos que culminam na separação do Brasil de Portugal, ao lado de Dom Pedro e Leopoldina, em um período em que o Brasil já havia deixado de ser colônia para ser um Reino unido a Portugal.

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Para os autores, esta é uma época de personagens heróicos, cujas causas são maiores que a própria vida. “O Brasil foi criado para dar certo. Demos certo em muitas coisas e podemos melhorar em outras. Queremos devolver um pouco de otimismo para as pessoas com esta história”, declara Alessandro. “Pensamos em falar sobre a formação do povo brasileiro. Como a gente vê esse país de hoje. De onde ele veio? Como foi? Os estrangeiros que vieram. O que eles queriam de bom ou de ruim? Além disso, as pessoas vão se emocionar com esse amor de Anna e Joaquim, e com a dedicação e frustração de Leopoldina”, complementa Thereza. “Novo Mundo é uma novela necessária por retratar um período muito importante da história do Brasil. O público pode esperar aventura, romance e informações que resgatam o passado de todos nós”, acrescenta o diretor Vinícius Coimbra.

Animados, os atores que interpretarão o casal protagonista Anna Millmann e Joaquim Martinho também destacam a importância histórica e a riqueza de elementos que farão com que o público se envolva com a trama. “A novela traz muitas coisas que eu gostaria de ver em uma história épica como é a nossa. Vai ser divertidíssimo para quem está vendo e para a gente que está fazendo, porque trata de assuntos muito reais e muito presentes nas nossas aulas de História e no imaginário popular. Tem personagens que vão desde a realeza aos mais populares. Vamos ver como essas pessoas se comportavam. Veremos por vários ângulos um Brasil recém-nascido”, analisa o ator Chay Suede. “’Novo Mundo’ é uma novela poética e que conta a nossa história, que é muito linda. Estamos falando de pessoas reais, que não eram perfeitas, por isso a novela tem tanta beleza”, declara a atriz Isabelle Drummond.

Com estreia no canal internacional da Globo prevista para o dia 22 de março nas Américas e, dia 23, na Europa, África, Japão e Austrália, ‘Novo Mundo’ é escrita por Thereza Falcão e Alessandro Marson, com colaboração de Duba Elia, João Brandão e Renê Belmonte, direção artística de Vinícius Coimbra e direção de André Câmara, João Paulo Jabur, Bruno Safadi, Guto de Arruda Botelho e Pedro Brenelli.

Um casamento cheio de interesses

Brasil, 1817. Os representantes da família real portuguesa, rei Dom João VI (Léo Jaime), sua esposa, a rainha espanhola Carlota Joaquina (Débora Olivieri) e o príncipe Dom Pedro (Caio Castro), já se encontram no Brasil. Vieram em 1808 praticamente fugidos, após a invasão das tropas francesas a Portugal em função da resistência portuguesa em aderir ao “bloqueio continental” – ou a proibição de comercialização com os ingleses – imposto por Napoleão. Decadente e tentando garantir a aliança com a Inglaterra, da qual era extremamente dependente, a corte portuguesa transfere a sede para Brasil.

O país, antes colônia, agora é um reino unido a Portugal, e sua identidade se forma a partir dos estrangeiros que chegavam ao Rio de Janeiro acompanhando esse movimento.

Dom João (Léo Jaime) e Carlota (Débora Olivieri), casados desde muito jovens, vivem em desarmonia, com desavenças e diferenças irreconciliáveis. Além disso, Carlota é mantida em prisão domiciliar pelo marido por ter mandado matar a esposa do amante. Depois de ser acusada pelo crime, Dom João usou do poder de rei para mantê-la longe da cadeia e estabeleceu que ela ficaria sobre a sua guarda. Conhecida pelos seus rompantes, ela vive às turras com Dom João. O estadista, enquanto cuida dos interesses políticos que a função lhe exige, jamais perde a oportunidade de saciar sua gulodice e saborear uma ou mais coxas de frango. E, entre as questões que precisa administrar, está o comportamento de um de seus filhos, Dom Pedro (Caio Castro). Por ter chegado ao Brasil ainda criança, parece não ter nascido numa família real. É muito próximo do povo e cobiça todas as mulheres da cidade.

Áustria, 1817. Leopoldina (Letícia Colin), uma jovem culta, arquiduquesa austríaca, recebeu de seu pai Francisco I uma educação esmerada e sempre teve a consciência de ser uma princesa, cujo destino seria casar-se com o soberano que seu pai designasse. E foi durante o Congresso de Viena – conferência entre embaixadores das grandes potências para redesenhar o mapa político europeu, após a derrota de Napoleão – que o futuro da arquiduquesa começou a ser definido. Nesse momento, representantes da Áustria e de Portugal entenderam que a aliança entre os dois países seria vantajosa para ambos e começaram a planejar o casamento de seus príncipes. Em meio às negociações, Leopoldina conheceu Dom Pedro (Caio Castro) por um retrato em um broche e imediatamente se encantou com a beleza do futuro marido. O contrato de casamento entre a filha de Francisco I e o filho de D. João VI foi assinado em 1816.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, mais uma das aventuras amorosas de Dom Pedro (Caio Castro) está dando o que falar. Parece que desta vez o jovem herdeiro está com a cabeça virada. Sua paixão avassaladora pela bailarina francesa Noèmie (Luisa Micheletti) causa desespero em seus pais e a iminência de uma desgraça na família. A jovem anuncia que está gravida do príncipe e ele não pensa duas vezes em fugir com a amada, mesmo às vésperas da chegada de Leopoldina (Letícia Colin)…

A festa que marca o início da viagem e de um grande amor

Para celebrar o casamento selado à distância, Dom João (Léo Jaime) providencia que seja realizado um grande baile de despedida da arquiduquesa, em Livorno, na Itália, onde a princesa embarcaria. Na ocasião, um grupo de teatro de commedia dell’arte é convidado a se apresentar. Fazem parte da trupe o jovem ator brasileiro Joaquim Martinho (Chay Suede) e a atriz portuguesa Elvira Matamouros (Ingrid Guimarães). Órfão, Joaquim foi criado no Brasil, em um mosteiro na Bahia, mas viajou o mundo com um circo, que o acolheu após o fechamento do local. No meio dessas viagens, conheceu Elvira e, mesmo com tantas diferenças, se tornaram amigos. Irresponsável e arteiro, Joaquim sequer pensava no dia de amanhã. Elvira, um tanto inescrupulosa, por sua vez, se aproveitou de uma noite de boemia do rapaz e casou-se com Joaquim à sua revelia.

Na festa, também estão presentes a professora de português de Leopoldina, a inglesa Anna Milmann (Isabelle Drummond), seu irmão adotivo, Piatã (Rodrigo Simas) e o oficial inglês responsável pela guarda da princesa, Thomas Johnson (Gabriel Braga Nunes). Anna é filha de Edward, um oficial inglês que desapareceu em uma missão e por quem ela nutre uma saudade imensa. A jovem escritora, de personalidade forte e muito determinada, aprendeu o português com uma babá e acompanha Leopoldina (Letícia Colin) como parte de sua comitiva íntima, com a missão de ensinar-lhe a língua. Piatã, um índio que foi levado para a Europa, ainda criança, pelo pai de Anna e criado como seu irmão, viveu como um estranho para os outros e para si mesmo. É incentivado por Anna a embarcar com ela para o Brasil com o objetivo de resgatar suas origens.

Thomas (Gabriel Braga Nunes) é visto como um oficial da marinha inglesa muito qualificado, e foi contratado para cuidar da segurança de Leopoldina durante a viagem pelo Atlântico. Mercenário e com interesses que vão bem além disso, logo investe suas fichas na conquista de Anna (Isabelle Drummond) para tentar se aproximar de Leopoldina. Ele é, na verdade, um agente enviado pelos políticos portugueses que pretendem que a família real retorne a Portugal e que o Brasil volte a ser colônia.

No espetáculo do grande baile, os olhares de Anna (Isabelle Drummond) e Joaquim (Chay Suede) vão se encontrar pela primeira vez. Durante sua apresentação, ele observa Anna sentada na plateia, e ambos sentem uma atração imediata, apesar da máscara que encobre o rosto de Joaquim. Enquanto isso, Elvira (Ingrid Guimarães) invade o salão da festa e é flagrada roubando uma das barras de ouro que estavam sendo distribuídas para alguns dos convidados, como presente. Para despistar os guardas, ela deixa o objeto no bolso do figurino de Joaquim, que acaba sendo pego com a barra nas mãos. Os dois param o baile e chamam a atenção de todos ao fugir dos guardas reais.

No meio da confusão, a dupla se esconde em baús que estavam em carruagens do lado de fora do salão para serem levados ao porto de Livorno. Assim, por acidente ou capricho do destino, Elvira embarca em um navio de carga, enquanto Joaquim se dá conta de que foi parar no navio da comitiva de Leopoldina (Letícia Colin). Ele decide fugir antes da partida, mas logo descobre que a bela Anna (Isabelle Drummond) está entre os passageiros e decide ficar.

Rumo ao Novo Mundo

“Agosto de 1817. Mais uma vez estou prestes a embarcar numa longa jornada e entrar num navio rumo ao desconhecido, como meu pai fez incontáveis vezes ao longo de sua vida. Este diário servirá para documentar minha viagem, e não posso negar que estou muitíssimo curiosa para desbravar o novo mundo…”, escreve Anna, ao iniciar seu relato da jornada no caderno que ganhou de Leopoldina (Letícia Colin) ao embarcarem.

Muito dessa curiosidade se deve à presença de Joaquim (Chay Suede) a bordo. Fugindo de Elvira e dos guardas que a perseguem, disfarçado de marujo, eles logo se encontram. Anna acha que o reconhece da festa da princesa, mas ele, fugitivo de um crime que não cometeu, é obrigado a negar. A cumplicidade entre ambos é inevitável e ganha força ao longo da viagem com a parceria um tanto inusitada que se estabelece entre Joaquim e Leopoldina (Letícia Colin). A princesa encontra no falso marujo um parceiro à altura para seu hobby preferido: o bilhar.

Anna (Isabelle Drummond) e Joaquim (Chay Suede) passam a se encontrar às escondidas pelo navio. Para Anna, Joaquim não é um homem comum: é divertido, ousado e causa um desconforto que provoca interesse. Quando está ao lado dele, sente-se como uma menina, distante dos costumes rígidos de sua criação na Inglaterra. Ele logo a surpreende com uma proposta de compromisso, feita com uma aliança improvisada. Sob o luar, os dois trocam juras de amor eterno.

Mas Thomas (Gabriel Braga Nunes) também está disposto a conquistar Anna (Isabelle Drummond) de todas as formas com seu jeito cordial e sensível. Vai escrever poesias, dar presentes, promover jantares. Atento a tudo, ele logo percebe o envolvimento da moça com Joaquim (Chay Suede), e fará de tudo para afastá-la do marujo. Para isso, armará contra o rapaz e fará com que fique ilhado em uma das paradas do navio, na Ilha da Madeira.

Perdido e desesperado, vendo a nau partir com sua amada e sem ter o que fazer, Joaquim vai parar em uma taberna. É nesse momento que Fred Sem Alma (Leopoldo Pacheco) e Hassan (Thiago Thomé), piratas disfarçados, ao saberem que ele estava no navio, aproveitam para descobrir informações a respeito da viagem que leva Leopoldina (Letícia Colin) para o Brasil. Sob a ameaça dos dois, o rapaz é obrigado a seguir com eles até a embarcação da princesa, que é tomada pelos piratas.

Todos desconfiam de Joaquim (Chay Suede), mas, ao perceber que a princesa Leopoldina (Letícia Colin) está sob a mira de um dos piratas, ele consegue salvar sua vida. O que seria um momento de glória rapidamente ganha ares de tragédia. Thomas (Gabriel Braga Nunes) aproveita uma nova oportunidade para eliminar Joaquim de seu caminho. Usa a arma que estava com Fred Sem Alma (Leopoldo Pacheco) e atira no peito do jovem ator, que cai no mar. Anna (Isabelle Drummond) se desespera, e Leopoldina ordena que o navio retorne para resgatar Joaquim. Sob o pretexto de manter a tripulação em segurança e se comprometendo a enviar botes à procura do corpo do rapaz, Thomas e o capitão da embarcação a convencem de seguir viagem. O pirata Fred, acusado do crime, é preso no porão. Ele jura vingança a Thomas, mas mantém-se em silêncio, pois tem segredos com o oficial. Depois de um tempo de buscas, Thomas comunica a todos que o corpo não foi encontrado. Enquanto o vilão comemora o êxito de seu plano, Anna fica desolada, mas acredita que Joaquim ainda vive. Mal sabe ela que sua intuição não falha: no sul da Bahia, o corpo de Joaquim é resgatado das águas por índios, que o levam para uma aldeia, onde será cuidado e encontrará uma missão maior do que sua própria vida.

No mar, a nau segue seu percurso, e Leopoldina, embora triste pela amiga, não consegue conter a ansiedade em conhecer o seu esposo e o reino que a aguarda.

A chegada ao Rio de Janeiro

Após três meses de viagem, Leopoldina é recepcionada por toda a família real para a cerimônia de casamento com Dom Pedro (Caio Castro) no Rio de Janeiro. A população em polvorosa anseia pela chegada da princesa. Ruas e prédios são decorados e bandeiras de Portugal e Áustria, erguidas nas janelas, anunciando a chegada da esposa de Dom Pedro. A igreja já está enfeitada e guardas reais estão a postos para o momento da cerimônia.

Acostumada com a cultura da Europa, Leopoldina (Letícia Colin) logo fica chocada com o calor e a presença de tantos escravos pela cidade. Ao mesmo tempo, é impactada por tamanha beleza ao se deparar com as paisagens do local. Já Dom Pedro (Caio Castro), que por pouco não abandonou a ideia de casar-se com ela para fugir com a amante, se apresenta com toda a pompa que o momento pede, após ter o plano interrompido por seus pais.

Enquanto isso, o oficial Thomas (Gabriel Braga Nunes) articula uma forma de fazer chegar a Anna (Isabelle Drummond) a notícia de que o corpo de Joaquim (Chay Suede) foi encontrado nas águas do Atlântico. Assim, o caminho se abre para que ele se aproxime ainda mais da jovem.

Já Elvira (Ingrid Guimarães), após passar por uma grande aventura no navio de carga para chegar ao Brasil, ao lado do chinês-português, Manoel (Chao Chen), descobre que Joaquim está morto e não tem onde ficar. Em busca de hospedagem, vai parar na Estalagem dos Portos.

A Estalagem e Taberna dos Portos: o submundo da sede da coroa

Licurgo (Guilherme Piva) e Germana (Viviane Pasmanter) são os donos da Estalagem e Taberna dos Portos, mais conhecida como Estalagem e Taberna dos Porcos, graças à péssima higiene. O local serve de hospedagem para os estrangeiros que chegam ao Rio de Janeiro e funciona como pensão. Ambos só pensam em dinheiro e querem levar vantagem em tudo. Não estão nem aí quando são acusados de diluir o vinho com água ou de servir pombos como frango. Licurgo, por sinal, adora se gabar de ter inventado a iguaria “Frango à passarinho”, justificando o pequeno tamanho da ave servida.

É lá também que, no segundo andar, Dom Pedro (Caio Castro) costuma se encontrar com suas amantes. Com essa clientela, os donos aproveitam as conversas dos hóspedes para munir-se de informações privilegiadas sobre a corte e ganhar dinheiro com a venda delas.

Eles serão os responsáveis por acolherem Elvira (Ingrid Guimarães) quando a atriz chega à estalagem fingindo ser uma chique cidadã europeia. Mas logo é desmascarada pelo casal e obrigada a trabalhar para eles e honrar a dívida que fez na pensão. Na Estalagem, Elvira também vai conhecer e se afeiçoar por Quinzinho (Théo Lopes), bebê que perdeu a mãe no parto e é criado, sem amor algum, por Licurgo e Germana.

Quatro anos depois…

Com o trono ameaçado pela Revolução Constitucional do Porto, Dom João (Léo Jaime) e Carlota (Débora Olivieri) voltam para Portugal, e Dom Pedro (Caio Castro) é nomeado por seu pai como príncipe regente no Brasil. A essa altura, Leopoldina (Letícia Colin) já sofre com as traições do marido e tem em Anna (Isabelle Drummond) sua confidente. A amiga nunca deixou de pensar em Joaquim (Chay Suede), mas, depois do assédio do próprio Dom Pedro e de tanto tempo sem notícias do amado, decide ficar noiva de Thomas (Gabriel Braga Nunes). Dom Pedro e Piatã (Rodrigo Simas) desconfiam das intenções do oficial, mas Anna tem o apoio de Leopoldina, que no fundo quer vê-la feliz.

E é nesse momento que uma reviravolta promete mudar a vida de todos. Após ser acolhido pelos índios, Joaquim (Chay Suede) presencia o massacre de aldeias indígenas, ordenado por Dom João. Ele decide, então, juntar índios do maior número de nações possível para, juntos, irem até o Rio de Janeiro pedir que Dom Pedro (Caio Castro) interceda por eles. Para isso, Joaquim abre mão de sua felicidade, adiando seu encontro com Anna. Acredita que jamais poderia ser feliz ao lado de sua amada, sabendo que deu as costas a milhares de vidas que poderia ajudar por ter conhecido e salvado a princesa Leopoldina. Joaquim se educa como índio e batiza-se como Tinga.

No caminho para o Rio de Janeiro, Joaquim (Chay Suede), em mais um ato de bravura, salva a vida de Dom Pedro (Caio Castro) sem saber de quem se trata. Com as flechas que aprendeu a manusear no tempo em que passou na aldeia, ele impede que o príncipe seja vítima de outro dos planos de Thomas. Para sua surpresa, ao chegar à cidade, descobre que salvou Dom Pedro, saudado pelo povo nas ruas. Na residência da família real, Leopoldina o reconhece e conta para todos que foi ele o responsável por também livrá-la da morte no ataque dos piratas ao navio. Com tantas provas de heroísmo e coragem, Joaquim é convidado por Dom Pedro (Caio Castro) para se tornar seu guarda pessoal.

O tão esperado reencontro

É nesse momento que Anna (Isabelle Drummond) e Joaquim (Chay Suede) se reencontram. Corações saltam pela boca de tanta surpresa e felicidade. Da parte de Thomas (Gabriel Braga Nunes), uma dupla frustração: Pedro (Caio Castro) está vivo, e seu rival no amor de Anna está de volta.

Mas, agora, Joaquim e Anna precisarão lutar muito para ficar juntos. Ela já está noiva de Thomas (Gabriel Braga Nunes), que vai logo atrás de Elvira (Ingrid Guimarães) para trazer o passado de Joaquim à tona. Sua ideia é convencer a moça a se apresentar como esposa do jovem ator. E, para isso, vai mentir que Quinzinho (Théo Lopes), o menino adotado na Estalagem dos Portos, é filho de Joaquim. Com o suposto passado de Joaquim vindo à tona, seu romance com Anna passará por diversas provações, enquanto ambos apoiam Leopoldina e Dom Pedro na luta pela independência do país.

Cenografia: o desafio de retratar o Brasil colonial e a pompa da realeza

Guiada pelo conceito de realismo e pelos métodos de construção do século XVIII, a equipe de cenografia de ‘Novo Mundo’ vai fazer o público viajar pelo Rio de Janeiro do século XIX, período em que se passa a trama, de 1817 a 1822, antes da independência do Brasil, e que retrata a chegada da arquiduquesa Leopoldina ao país. Além disso, a Europa será representada com toda a pompa da corte portuguesa, a presença dos ingleses e austríacos dentro dessa corte e os choques culturais que aconteceram a partir disso. O “novo mundo” que se abrirá para os personagens da trama se apresenta através das características históricas do Brasil colônia. “Será um Brasil com resquícios coloniais, centrado mais na capital, no Rio de Janeiro. Buscamos o tom da verdade, como realmente era. Estamos representando essa cidade que Dom João encontrou, onde se estabeleceu e começou a fazer mudanças para a transformação que encontramos depois do segundo reinado. Era uma cidade espremida entre o mar e a montanha, com construções escoradas umas nas outras. O viajante chegava à Baía de Guanabara e via aquele skyline, que, apesar de bagunçado, era lindo, porque a natureza prevalecia”, ressalta o cenógrafo Paulo Renato.

Durante a pesquisa, Paulo estudou as gravuras de artistas da época, como o pintor Jean-Baptiste Debret, que foi referência para outras áreas da novela, como fotografia e figurino. “Foi uma escolha conjunta, entendendo que o Debret retratou a maior parte dos costumes da época artisticamente. Outros gravuristas nos serviram como referência para algumas questões históricas, para definirmos a posição de alguns monumentos no espaço físico. Essa reconstituição histórica foi importante para guiar todo o trabalho”, conta Paulo. Toda a equipe – composta por cenógrafos, analistas de projetos e profissionais da fábrica de cenários – também visitou o centro do Rio de Janeiro para ver de perto as edificações. Os profissionais puderam perceber a textura e ver as proporções para então começar a trabalhar no projeto. “Fizemos uma visita guiada que ‘abriu a cabeça’ de todo mundo. A gente em geral faz isso pra buscar referências, mas a equipe completa não costuma ir, e, desta vez, conseguimos levar um grupo de 20 pessoas. Eu já tinha feito o trabalho de pesquisa e fui direcionando o olhar deles para a necessidade que a gente tinha”, relata o cenógrafo.

Para o cenário da corte portuguesa, uma das referências foi o Palácio de Queluz, em Portugal. “Dizem que Dom João, assim que se apossou do prédio da Quinta da Boa Vista, deu para um arquiteto o Palácio de Queluz como referência. Então, buscamos fontes europeias para estabelecer essa corte. O exterior será filmado em uma das laterais do palácio, onde temos menos intervenções. Conseguimos retratar o que poderia ser mais próximo da ambientação do período em que a trama se passa e escolhemos estar no lugar onde os fatos ocorreram, como o jardim da Quinta da Boa Vista”, exemplifica Paulo.

Na cidade cenográfica dos Estúdios Globo, foi reproduzida a Praça XV e seus principais elementos: o chafariz, o Arco do Teles e o Paço Real, hoje conhecido como Paço Imperial. A cidade tem uma área de quase 10 mil metros quadrados com 3,5 mil metros quadrados de área construída. O Paço Imperial é o maior e mais alto prédio feito nos Estúdios Globo, reproduzindo o equivalente a 50% do tamanho real. Só essa construção tem 1,2 mil metros quadrados, sendo 43 metros lineares de fachada só na parte voltada para o largo do Paço, e mais de 14 metros de altura divididos em blocos de dois e três andares até a cumeeira do telhado, que representa como foi mantido o edifício hoje após o restauro. O Chafariz da Pirâmide, conhecido como Chafariz do Mestre Valentim, que adorna a Praça XV desde a segunda metade do século XVIII, foi reproduzido em um trabalho artístico, com técnica de escultura em isopor coberto por jateamento de massa. “No passado, o chafariz foi deslocado do centro da praça para a beira da água, onde ficava mais próximo dos navios e não atrapalhava as manobras militares. A função dele era o abastecimento, pois não existia porto no Rio. Os navios aportavam na Baía, desciam os botes e iam até a faixa do litoral, onde enchiam os tonéis de água no chafariz. A água vinha das nascentes da Floresta da Tijuca, atravessava a praça, por baixo, entre a igreja e o Convento do Carmo, também construídos na cidade”, conta Paulo.

Na área da Praça XV também foi construído o mercado ao ar livre, onde desciam todos os barcos de pescadores. “A cidade é um organismo vivo. Os espaços existem porque têm uso. O comércio local e a maneira como era feito estará presente, com os armarinhos. As principais lojas ficavam nessa região, além das barracas de verduras, hortaliças, frutas, que vinham da Baía da Guanabara. Os produtos europeus chegavam e acabavam logo, pois iam para os estabelecimento onde eram vendidos para mascates do interior do Brasil. O Rio era o grande polo de chegada dessas mercadorias”, ressalta o cenógrafo.

Todo esse trabalho de ambientação demandou técnica e materiais específicos, sempre pensados a partir da escassez de recursos da época. Para o piso da cidade cenográfica, foram utilizadas pedras de mercado, similares à pedra de rio, conhecida como “pedra de mão”, com seixos arredondados. “Fizemos o calçamento e conseguimos um aspecto similar ao que encontramos em cidades históricas. Encontramos fotos de acervo do terreno da Praça XV antes dele ser coberto por asfalto e me baseei nesse material”, conta Paulo Renato. Nas construções, para ter paredes mais irregulares, foi resgatado o tijolo, que funciona como um suporte para a massa rústica, desenvolvida sempre pensando nas construções de maior precariedade: “Naquela época, não tinha argamassa nem estrutura armada, não tinha vigamento. Você unia os blocos de barro ou de pedra com um óleo de baleia. Após a mistura com pedrisco, endurecia com o sol e formava a liga. As pessoas fazem restauros e encontram o método construtivo ainda hoje no centro da cidade. Como as colunas eram feitas de assentamento de pedra, as construções apresentavam uma proporção diferente e tinham três andares, no máximo. Essa proporção é o que mostramos no desenho da cidade cenográfica”. Já os telhados foram feitos com telha colonial e de demolição antigas para dar o aspecto e a dimensão.

Em estúdio, serão construídos cenários para 20 núcleos diferentes, como o interior do Paço, a sacada de onde o rei acena para a população, o escritório da maçonaria, as cabines da nau, entre outros.

Uma Nau tão grandiosa quanto esta aventura

Em outra área das cidades cenográficas dos Estúdios Globo, uma típica nau do período pré-independência do Brasil chama atenção pela grandiosidade e fidelidade às embarcações da época. A embarcação de 25 metros servirá de cenário para muitas cenas de ação dos primeiros capítulos da trama. O navio passou por três etapas durante as gravações: teve as funções de cargueiro, para as cenas da viagem de Elvira (Ingrid Guimarães) ao Brasil; navio pirata, para o núcleo de Fred Sem Alma (Leopoldo Pacheco) e seus comparsas; e por último, foi transformado na nau que transporta Leopoldina (Letícia Colin) e sua comitiva para o Brasil.

Para a construção, o cenógrafo da novela, Paulo Renato, contou com uma equipe de 100 profissionais. “Tratamos a nau como um evento no início da novela. Envolvemos a equipe toda para o trabalho de construção, por ser um cenário de grandes dimensões, e buscamos reproduzir o que seria uma parte de uma nau do século XIX. A embarcação original teria, no total, 60 metros e comportaria 74 canhões com capacidade de 700 pessoas, entre tripulação fixa e as comitivas. O importante do que foi feito é a dimensão e a proporção da embarcação. Além disso, trabalhamos as madeiras de uma forma mais natural, crua, surrada”, detalha Paulo Renato, que trabalha há 15 anos na Globo e está em seu quinto projeto ao lado do diretor artístico Vinícius Coimbra.

Na construção, uma consultoria náutica foi chamada para a instalação das velas e cordas. A equipe entendeu que a vela tinha que recolher, rizar e estar funcionando aberta ou ao vento, para dar veracidade às ações do elenco nas cenas, repletas de aventura. Nas gravações dessas cenas, a direção apostou em outro diferencial: a consultoria do diretor britânico Andy Armstrong. Andy é ex-dublê e consagrado diretor de cenas de ação, tendo dirigido diversas sequências em produções de cinema norte-americanas como “O Espetacular Homem Aranha”, “Highlander” e filmes da série James Bond, como “O Homem Com a Pistola de Ouro”, “The Spy Who Loved Me” e “Moonraker”.

Além de ministrar palestras para os profissionais das equipes de arte, cenografia, computação gráfica, efeitos especiais, dublês, direção, produção, operação de câmera, fotografia, tecnologia, edição, sonoplastia e colorização da novela, Andy acompanhou os primeiros ensaios do elenco. No cenário da nau, opinou sobre as cenas, deu dicas e sugestões de determinados movimentos da coreografia e métodos de ensaio e gravação. O elenco teve a possibilidade de aprender e dialogar com ele, que se dirigia diretamente aos atores e acompanhava os diretores no set. No primeiro dia, Andy ficou surpreso com a coreografia de luta que os atores Isabelle Drummond e Chay Suede apresentaram. Elogiou a performance dos dois e de toda a equipe envolvida. “Ele nos ensinou sobre a importância do ensaio, o que fez toda a diferença. Ao mesmo tempo, se surpreendeu com a nossa capacidade de produção”, conta o diretor artístico Vinícius Coimbra.

Gravações externas nos cenários históricos do Rio de Janeiro

Além dos cenários construídos nos Estúdios Globo, algumas cenas da novela estão sendo gravadas em locações pela cidade, como o emblemático baile de despedida da arquiduquesa Leopoldina (Letícia Colin), na Itália, antes de embarcar ao Brasil, gravado no Palácio Itamaraty. Lá, um grande salão foi cenografado para reproduzir o luxuoso evento que marca o início da trama, onde as circunstâncias determinam o embarque imprevisto dos personagens Joaquim (Chay Suede) e Elvira (Ingrid Guimarães) em navios rumo ao Brasil. Para as cenas, foram instaladas enormes cortinas nos vãos do palácio, dois grandes lustres de cristal e quadros de pinturas nas saídas de ar-condicionado, que, na época, não existiam.

Na parte externa, ainda será possível ver muita neve. “Discutimos um conceito com a direção artística de ter neve neste momento para reforçar o contraste da história. Leopoldina vem para um calor tropical imenso partindo de um ambiente de frio total. Além disso, a neve dá respaldo ao figurino que a gente apresenta nesse início da novela, com roupas mais pesadas. A ideia é passar um ambiente gelado no momento da festa. Tivemos essa liberdade para interpretar o momento”, destacou Paulo Renato. “Quando Dom João mandou o Marquês de Marialva como embaixador para fazer a festa, muniu ele de uma quantia astronômica para realmente impressionar e passar um bom cartão de visitas do trono português. Nesse baile, foram distribuídas barras de ouro para os convidados”, destaca o cenógrafo.

Para a festa, também foi instalado no salão do palácio um palco neoclássico de seis metros, onde Joaquim (Chay Suede) e Elvira (Ingrid Guimarães) apresentariam uma peça de commedia dell’arte, com vários afrescos na parede. As referências foram do Palácio de Schönbrunn, na Áustria, em Viena, onde Leopoldina foi criada. “Entendi que dessa maneira a gente traria as cores, as paletas de uma vida que a Leopoldina tinha na Europa. Queremos mostrar esse momento de pompa, de glamour total. A partir daí, a gente inicia a novela no navio, que será a condução até a chegada à realidade brasileira, tropical”, conclui o cenógrafo.

Também foram gravadas cenas no Jardim Botânico, na Ilha Fiscal, no Forte São José e na Fortaleza de Santa Cruz da Barra, em Niterói.

Produção de arte: viagem no tempo através dos objetos

Trabalhando em parceria com a cenografia, a produção de arte tem a função de ambientar e dar vida aos espaços concebidos para cada núcleo da novela. Assim como outras áreas, a equipe teve como principal base para a pesquisa o realismo da época e a influência do pintor Jean-Baptiste Debret. “Reproduzimos muitas coisas na nossa fábrica de cenários com profissionais especializados em construção cenográfica de objetos. Também fomos a antiquários, feiras e utilizamos muitas peças do nosso acervo que foram repaginadas”, relata a produtora Flavia Cristofaro.

Para compor os ambientes da nau, a equipe de arte foi responsável por todos os animais, armas e baús que serão vistos em cena, além das atividades que envolvem a figuração, como: afiar facas, ariar panelas, limpar peixe, jogar cartas, lavar convés com esfregão, entre outros.

Segundo Flavia Cristofaro, a cidade cenográfica também terá uma riqueza de detalhes, que poderá ser percebida pelo público principalmente na reconstituição do comércio da época, com as barracas e os objetos que eram vendidos ao ar livre, como legumes, verduras, ervas, peixes, carnes, defumados e outras mercadorias, como bolos de tabuleiro, acarajé, angu, flores, além da figuração especializada. Na estalagem dos personagens Licurgo e Germana, serão servidos pratos da época, todos preparados especialmente para as gravações.

Para as cenas do Paço Imperial, a equipe vai explorar os elementos pessoais de cada personagem, e, em função da situação financeira em que a corte portuguesa se encontrava na época, haverá uma decoração de poucas peças, sempre desgastadas. Em contraste a isso, a pompa e o luxo aparecerão no ambiente de Leopoldina antes de sua viagem para o “novo mundo”. “O Palácio Ducale é o nosso único cenário que tem glamour, com metais brilhando, tudo impecável, pois é a representação da nobreza na Europa”, ressalta a produtora de arte.

Por se tratar de uma trama com cenas de muita ação e aventura, além do romance, a produção teve que representar as armas da época, em sua maioria, garruchas, bacamartes e espingardas antigas, além de réplicas. Uma empresa especializada também produziu espadas idênticas às originais do império e algumas réplicas importadas foram alugadas, além de reproduções em materiais seguros para utilização em cena.

Outro destaque é o diário de viagem de Anna (Isabelle Drummond), com encadernação em couro e bijuterias e pedras no acabamento. Um calígrafo é responsável pela escrita que aparecerá em cena. “Teremos dois diários iguais: um em branco e outro que vai sendo montado conforme a descrição e evolução dos capítulos”, revela Flavia. A equipe também produziu as aquarelas que serão pintadas pela personagem. Inspiradas no trabalho do pintor austríaco Thomas Ender, estão sendo feitas pela artista plástica Ana Durães.

No grande baile do primeiro capítulo, o público verá um banquete real, em ambiente decorado com muito dourado e flores. A equipe providenciou todos os objetos de composição das mesas, como pratos, talheres dourados, copos, guardanapos de pano, e as carruagens que chegam com os convidados.

Figurino mostra choque cultural entre Europa e Brasil do século XIX

Para ambientar o telespectador no período em que se passa ‘Novo Mundo’, entre 1817 e 1822, a equipe de Marie Salles, formada por figurinistas, costureiras, alfaiates e aderecistas, tem como principal referência também as obras do pintor, desenhista e professor francês, Jean-Baptiste Debret. Famoso por documentar aspectos da natureza, do homem e da sociedade brasileira no início do século XIX, o artista foi uma inspiração para toda a novela. Marie ressalta o prazer de estar à frente do trabalho. “O mais legal da novela e que me encanta é o conto de fadas. É a história de uma princesa, romântica, que se apaixona achando que vai encontrar o príncipe encantado, mas encontra um bon vivant. Um esportista, mulherengo, popular, que gostava de ficar com os escravos”, ressalta, se referindo à trama do casal Dona Leopoldina (Letícia Colin) e Dom Pedro (Caio Castro).

Para ela, o choque cultural é o aspecto principal que o figurino quer mostrar. Leopoldina vem da Áustria, o país mais nobre em que se poderia pensar. Já no Brasil, a roupa quase não era lavada porque a água era suja, o Rio não tinha saneamento e por isso as pessoas andavam com a roupa gasta, esmaecida. “Leopoldina (Letícia Colin) era da alta realeza, foi criada com todo o conforto. Ao chegar ao Brasil, se depara com o calor dessa região tropical, com pessoas sem modos. O figurino é muito legal porque tenho vários mundos para poder brincar: rainha, nobres de verdade, reis, índios e piratas”, destaca a figurinista.

Na trama, cada núcleo tem a sua peculiaridade e paleta de cor. Os figurinos dos austríacos, como o rico negociante Wolfgang (Jonas Bloch) e o médico Dr. Peter (Caco Ciocler), poderão ser percebidos nas cores marrom, verde, vinho. Os tons claros serão apresentados pela protagonista Anna Millman (Isabelle Drummond). “Ela usará muito branco. Pensei muito em vickings, em quem colonizou a Inglaterra. Fui lá atrás. O figurino dela é composto por tiaras, detalhes no cabelo, luva, sempre vermelho com branco. Tudo meio transparente, translúcido. Roupas claras contrastando com o cabelo preto”, ressalta a figurinista. Já Leopoldina é bem romântica e recatada: “Pensei mesmo em princesas austríacas dessa época e familiares. Historicamente ela era acima do peso, mas não precisamos usar enchimento em função das roupas que ela usava. Tinha muito babado, bordado. Não tem quase decote”. Marie ressalta que o figurino de Leopoldina inicialmente vai fazer a personagem suar muito. Com o passar do tempo, as roupas diminuem, pois ela já entendeu que o clima no Brasil é outro. “Ela estará com os mesmos vestidos de antes, mas mais simples e envelhecidos, porque não tem dinheiro. Além disso, começa a usar as roupas de Dom Pedro, pois cavalgava muito, nem grávida parou”, conta Marie.

Já no núcleo do Rio de Janeiro, tirando a Carlota Joaquina (Débora Olivieri), a rainha espanhola, que usa vermelho, preto e dourado, o Brasil é “Debret”, pastel. “As pessoas daqui vestem amarelo, azul, rosa. É colorido e claro, mas esmaecido”, descreve Marie. No caso de Dom Pedro (Caio Castro), ele não se veste como príncipe. Quando Leopoldina o conhece pela primeira vez está de farda, mas depois se veste como um brasileiro. “Ele já conhece o clima local. É um figurino lindo”, orgulha-se Marie. O Piatã (Rodrigo Simas), irmão de Anna é meio índio e meio inglês, pois foi adotado, por isso, seu figurino mistura as duas referências. “Eu o vesti meio inglês, com a casaca, em uma mistura de índio com europeu. Ele foi criado pelo pai da Anna (Isabelle Drummond), que era um comandante, e viajavam muito. Moraram em vários lugares do mundo. Quis passar um pouco disso para os dois. Ele é inglês, se veste como inglês. Mas não se dá bem com aquela roupa. Por isso a roupa dele é meio velha, caída e incomoda”, ressalta Marie.

O vilão Thomas (Gabriel Braga Nunes) terá uma casaca com as dragonas de metais, que dão o peso para a roupa e postura. Todas as dragonas, os bordados e as insígnias que as realezas e os militares usam foram produzidos nos Estúdios Globo, assim como o processo de envelhecimento e desgaste das roupas. Além disso, foram produzidos em São Paulo chapéus para as personagens de Leopoldina e Anna e as coroas, réplicas idênticas às originais. Outros acessórios como bengala, chapéus, óculos e relógios foram adquiridos em brechós.

Caracterização mostra naturalismo da época

A equipe da caracterizadora Lucila Rubirosa acompanha as demais áreas de produção na ideia de mostrar os choques culturais e as transformações por que passam os personagens ao chegarem ao “novo mundo”, como Leopoldina (Letícia Colin). Segundo Lucila, no início da trama, a atriz terá mais cabelo, com três camadas de apliques e, depois de casada no Brasil, já com filhos, terá cabelos mais curtos e menos volumosos e aparecerá com trajes mais leves, como camisola. Ela poderá ser vista de cabelo solto, mas sempre desarrumado, bem à vontade. A maquiagem também segue o conceito mais realista possível. “No início, usamos uma base clarinha com blush. Depois, faremos sem corretivo, base e rímel, sem nada mesmo”, ressalta Lucila.

Lucila conta que não precisou interferir muito no visual do ator Chay Suede para viver o Joaquim, pois os cabelos e a barba cresceram ao longo da preparação. A maior mudança foi feita em função do período em Joaquim vai conviver com os índios: as tatuagens do ator foram cobertas com maquiagem e substituídas por tatuagens indígenas. O ator também passou por um processo de bronzeamento para essas cenas. Já Isabelle Drummond pintou o cabelo de escuro para viver a Anna, sugestão do diretor artístico Vinícius Coimbra, e colocou aplique. “Vinícius queria o cabelo dela liso, solto e preto, para ter esse contraste da pele com o cabelo. Ficou linda, elegante”, destaca Lucila.

Já Caio Castro precisou apenas desenhar a barba no formato que Dom Pedro usava de acordo com os registros das pinturas da época. Rodrigo Simas, que irá interpretar Piatã, fez um corte reto no cabelo para ficar próximo da figura indígena, destoando dos trajes europeus. A antagonista Ingrid Guimarães precisou tirar o loiro e pintou o cabelo de castanho para viver a atriz portuguesa Elvira. Ela estará sempre descabelada, com unhas e dentes sujos. E, para interpretar o vilão Thomas, Gabriel Braga Nunes cortou o cabelo e fez um desenho mais alinhado na barba, o que deu uma personalidade e o deixou com visual mais formal, visto que é um oficial inglês.

E, para mostrar a realidade da época, em que as pessoas quase não tomavam banho nem escovavam os dentes, alguns personagens terão os dentes pintados, com esmaltes específicos, para que pareçam mais escuros. Também aparecerão sujos, efeito adquirido com uma base específica, suados, com espinhas, unhas amareladas e pés encardidos. Ninguém faz sobrancelha, e algumas mulheres vão aparecer com pelos nas axilas, graças a apliques específicos para isso.

Com relação ao núcleo das aldeias indígenas, Lucila destaca a importância da vivência do elenco e da equipe da novela em uma aldeia real. “As referências das pinturas que estamos pensando trouxemos de lá. Vamos fazer nos nossos índios, figurantes e atores. Temos que colocar tatuagem e raspar a perna, por exemplo, e chegamos a um resultado muito legal”, conta Lucila.

A caracterização dos piratas também vai chamar a atenção do público. O visual assustador deste núcleo é composto por capas de couro, patuá de caveira, talabarte feito com pedaços de cintos e couro encontrados no acervo, como se eles próprios tivessem feito, além dos colares, bijuterias e anéis que eles roubavam ao longo das viagens. Todos foram pensados com estilos diferentes a partir de referências de filmes e culturas orientais. O ator Leopoldo Pacheco, por exemplo, raspou todo o cabelo e manteve uma barba grande. Além disso, aparecerá com uma tatuagem na cabeça. “Um tatuador fez o desenho e usamos as referências da figurinista Marie Salles. Tiramos foto, fizemos o decalque e mandamos fazer um sistema de colagem no departamento de Efeitos Especiais da Globo”, detalha Lucila.

Composições originais e gravação histórica marcam a trilha sonora

Uma valsa histórica, tocada pela primeira vez em 1817, em um baile na Europa, 200 anos depois ganha seu primeiro registro. Em janeiro, a produção musical da novela fez, em Praga, a gravação inédita da valsa “Tänze des Brasilianischen Ballfestes” – em português, “Música de Dança Brasileira” – composta originalmente para o baile de despedida de Leopoldina antes de embarcar ao Brasil. “Esta música foi composta pelo austríaco Joseph Wilde exclusivamente para o grande baile que o Marquês de Marialva ofereceu para Dona Leopoldina, em Viena, em 1817, na comemoração do casamento dela com Dom Pedro por procuração”, conta o produtor musical, Sacha Amback. Responsável pela trilha de ‘Novo Mundo’, ele fez uma longa pesquisa em busca da partitura da música: a que está na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, é inacessível a pesquisadores, mas outro exemplar foi localizado no acervo da Universidade Federal da Bahia, dirigido pelo musicólogo uruguaio Pablo Sotuyo Blanco, que cedeu uma cópia para a produção da novela. A partitura original foi feita para ser tocada no piano, mas, a música que o público conhecerá nos primeiros capítulos de ‘Novo Mundo’ foi gravada com instrumentos de corda, no Smecky Estúdios, em Praga, com músicos locais. E fará parte do acervo musical da Globo, se tornando a primeira referência gravada da época.

Segundo o diretor artístico, Vinícius Coimbra, a trilha sonora da novela será diferenciada, por ter sido pensada especialmente para a trama. “O Sacha Amback é um compositor maravilhoso que esteve comigo em outros projetos. Repetimos a experiência de gravar muitas músicas originais de orquestra em Praga, e o resultado foi maravilhoso, como em ‘Liberdade, Liberdade’. Percebi que, quando você compõe para os personagens, se aproxima da experiência do cinema. Você faz uma trilha sonora de fato. Quero usar algumas músicas clássicas de Beethoven e Bach para alguns personagens, mas a maior parte da trilha foi composta para a novela. Escolhemos Praga porque tive uma experiência lá no primeiro filme que fiz. Eles têm músicos talentosos e técnicos maravilhosos. Gravamos em dois dias em um estúdio com 64 músicos”, ressalta o diretor.

Preparação levou elenco a uma viagem ao século XIX

Desde outubro de 2016 a equipe foi envolvida no trabalho de preparação para a novela. Os atores passaram por aulas de viola, violino, piano, balé, luta, luta com espada, preparação física, equitação, prosódia, alemão, caligrafia, pintura, tiro, etiqueta, carruagem, lundu (dança africana), canto e dança para se ambientar aos costumes da época, já que a trama se passa entre 1817 e 1822.

Para Isabelle Drummond, que irá interpretar Anna Millman, a professora de português de Leopoldina (Letícia Colin), a preparação une o elenco e dá uma base para entrar no universo da trama: “Foram muitas práticas diferentes. Imersão cultural, preparação física. Gostei muito da preparação artística com a Ana Kfouri e da aula de espada, que mesclou alguns estilos. Na aula de etiqueta, tivemos alguns momentos bem engraçados. Rolou muita risada”.

Gabriel Braga Nunes, que fará o vilão da trama, Thomas Johnson, ressalta que o diferencial da preparação foram os ensaios. “Ensaiamos como se fosse teatro. Tivemos muito trabalho de mesa com todo o elenco junto, que começou a entender a novela de um mesmo ponto de vista. O Vinícius Coimbra nos dirigiu, mas todos os diretores participaram. São vários olhares, mas de um ponto de vista comum”, destaca ele.

Já para Caio Castro, que viverá Dom Pedro, essa preparação é importante para se manter fiel à história. “Essa história faz parte da construção da nossa sociedade. Acho importante a gente saber cada detalhe dela e dessas vidas que existiram de fato”, acrescenta o ator.

Também fez parte da preparação do elenco um workshop sobre o contexto histórico em que se passa a novela com o professor de história Francisco Vieira, que também é consultor dos autores Thereza Falcão e Alessandro Marson, e sobre o cotidiano e o universo dos personagens, com a produtora de arte Ana Maria Magalhães. Para o texto, a novela conta ainda com uma pesquisadora e um indigenista.

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