Relembre outras novelas cujos protagonistas morreram antes do final, como Diná e Otávio de A Viagem

Outras histórias perderam os personagens centrais antes do fim, seja pelos rumos dos enredos, seja por problemas internos

Publicado em 7/6/2021
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Se tem uma coisa que ninguém espera ao acompanhar determinada telenovela, é ver o protagonista bater as botas. Afinal de contas, é ele o pivô de toda a trama que está sendo construída aos olhos do espectador e que, por isso, já ‘nasce’ com o happy end garantido, não é mesmo?

Alguns exemplos da teledramaturgia, porém, mostra que a ‘imunidade’ protagônica não é algo tão fundamental assim. A Viagem, trama de 1994 que está atualmente em reprise pelo Canal Viva, é um belo exemplo disso.

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O mocinho da história, Otávio Jordão (Antonio Fagundes), faleceu pouco depois da metade da novela, e no último mês de exibição Diná (Christiane Torloni) segue o mesmo caminho. Tudo isso para mostrar a continuidade do amor do casal no plano pós-morte, em perfeita sintonia com a filosofia espírita da narrativa.

Na primeira versão de A Viagem, exibida em 1975-76 pela TV Tupi, os personagens César (equivalente a Otávio) e Diná foram interpretados por Altair Lima e Eva Wilma.

Assim como nesse clássico atemporal de Ivani Ribeiro, não faltam exemplos de outros folhetins, nacionais e estrangeiros, em que o público assistiu à morte dos mocinhos muito antes do desfecho, dando margem aos desdobramentos mais incomuns. Relembre a seguir alguns casos.

Além do Tempo (2015)

Lívia (Alinne Moraes) e Felipe (Rafael Cardoso) na primeira fase de Além do Tempo (Divulgação/TV Globo)

Obra inovadora de Elizabeth Jhin, que também possuía o espiritismo como pano de fundo, mas que, ao invés de explorar o plano espiritual, como o fez a seu tempo Ivani Ribeiro, optou por abordar a trajetória de seus personagens em épocas e encarnações diferentes.

A trama começava no século XIX, quando Lívia (Alinne Moraes) deixa o noviciado contra a vontade da mãe, Emília (Ana Beatriz Nogueira), e envolve-se numa paixão proibida com Felipe (Rafael Cardoso), sobrinho-neto da condessa Vitória Castellini (Irene Ravache). Os vilões Pedro (Emílio Dantas) e Melissa (Paolla Oliveira), porém, não aceitam o amor do casal e preparam-lhes uma emboscada, matando-os afogados por volta do capítulo 90.

Ocorre então uma passagem de tempo de 150 anos, transportando a ação para a atualidade e voltando a cruzar os destino de Lívia e Felipe, agora em novas encarnações. O problema é que Melissa e Pedro também reencarnaram, e igualmente dispostos a impedir o amor dos protagonistas.

Negócio da China (2008)

Grazi Massafera e Fábio Assunção como Lívia e Heitor em Negócio da China (Divulgação / Globo)

Desta vez, foi um sério problema de bastidores que desfalcou o elenco central desta atravancada trama de Miguel Falabella, recordada como um dos maiores fracassos da Globo às 18h.

Escalado para formar com Grazi Massafera (então em sua primeira protagonista) e Ricardo Pereira o triângulo amoroso principal de Negócio da China, Fábio Assunção se viu obrigado a abandonar o barco por conta de seus problemas com drogas. O autor viu-se, então, obrigado a sacrificar o próprio mocinho, Heitor, no primeiro mês da história!

O personagem desapareceu misteriosamente após descobrir o envolvimento do vilão Wu (Anderson Lau) com a máfia chinesa. Sua morte só veio a ser confirmada várias semanas depois, dando a entender que o antagonista o havia assassinado para evitar ser delatado.

Inicialmente, com a saída de Assunção, a ideia era escalar Thiago Lacerda para interpretar um novo candidato ao coração da heroína Lívia (Grazi). Porém, como o relacionamento dela com João (Pereira) já havia caído de vez no gosto do público, optou-se por deixar as coisas como já estavam.

Floribella (2005-2006)

Flor (Juliana Silveira) e Fred (Roger Gobeth) não ficaram juntos ao fim de Floribella (Reprodução).

A obra infanto-juvenil da Band – atualmente em reprise, por sinal – traumatizou mais de uma geração de crianças e adolescentes ao encerrar o romance de conto de fadas entre Maria Flor (Juliana Silveira) e Frederico Fritzenwalden (Roger Gobeth) sem direito a happy end.

No final da primeira temporada da trama, Frederico viajou de helicóptero para a Alemanha, a fim de anular seu casamento com a vilã Delfina (Maria Carolina Ribeiro), e acabou morrendo em um trágico acidente aéreo. Surgia então um novo galã, o irreverente conde Máximo (Mário Frias), para conquistar o coração da atrapalhada protagonista.

Mais do que a necessidade de renovar a trama para uma segunda fase, o que pesou mesmo foi um detalhe ‘importado’, por assim dizer, de bastidores. Floribella é uma adaptação da trama argentina Floricienta, cujo galã (Juan Gil Navarro) pediu para deixar o elenco – aspecto que a produtora original obrigou a Band a manter no remake.

Quase Anjos (2009)

Romance entre Paz (Emilia Attías) e Camilo (Mariano Torre) (quase) terminou em tragédia em Quase Anjos (Reprodução / Telefe)

Esta produção argentina, exibida no Brasil pela Band em 2011 e carregada de realismo fantástico, dava início à sua terceira temporada com uma terrível profecia: Paz Bauer (Emilia Attías), a heroína, seria assassinada por Camilo Estrela (Mariano Torre), seu próprio namorado – tragédia que os protagonistas jovens da história deveriam fazer de tudo para evitar.

Apesar de todos os esforços dos demais personagens, por volta do capítulo 80, o que parecia improvável acontece: manipulado por uma ilusão ótica do vilão João Cruz (Mariano Torre), Camilo mata a mulher de sua vida com um tiro à queima-roupa.

O que parecia, porém, o fracasso da missão norteava a história encontra uma solução quando Thiago (Peter Lanzani), galã teen de Quase Anjos, consegue a façanha de viajar no tempo e alterar os episódios que levaram ao assassinato de Paz. Ao voltar ao presente, porém, ele se dá conta de que sua intervenção afetou muito mais pessoas do que imaginava, dando início a novos conflitos.

A Alma Não Tem Cor (1997)

Guadalupe (Laura Flores) terminou A Alma Não Tem Cor sem o amor de sua vida, Lisandro (Arturo Peniche) (Divulgação / Televisa)

Esta produção da Televisa perdeu seu protagonista, Arturo Peniche, numa dinâmica de bastidores similar à que afetou Negócio da China na Globo. Após diversos desentendimentos com o diretor da trama, Otto Sirgo, o ator acabou suspenso das gravações, com seu personagem, Lisandro do Álamo, desaparecendo e sendo dado como morto.

Foi a gota d’água para Peniche, que não engoliu o desaforo e se autodeclarou demitido do elenco. O jeito, então, foi matar de verdade Lisandro – havia a intenção de ‘revivê-lo’ depois que a poeira baixasse detrás das câmeras – e inventar um novo amor para a mocinha Guadalupe (Laura Flores) em plena reta final: o médico Vítor Manuel (Osvaldo Sabatini).

Essa solução, porém, soou tão forçada que Guadalupe e Vítor Manuel sequer ficaram juntos ao fim de A Alma Não Tem Cor, condenando a heroína à solidão conjugal definitiva…

Amor em Silêncio (1988)

Marcela (Érika Buenfil) e Fernando (Arturo Peniche) morreram praticamente na metade de Amor em Silêncio! (Divulgação / Televisa)

Aqui, nenhum problema de bastidores. Foi o desejo de surpreender o público e causar certo ineditismo que levou a produtora Carla Estrada a se desfazer de seus protagonistas, Marcela (Érika Buenfil, Amores Verdadeiros) e Fernando (Arturo Peniche, mais uma vez ele), na metade da história!

A caminho do altar e do esperado happy end, os pombinhos são surpreendidos em plena cerimônia de casamento pela chegada da irmã dele, Mercedes (Margarita Sanz), que, movida pela paixão incestuosa que sentia por Fernando, disparava à queima-roupa contra ele e Marcela, matando-os instantaneamente!

Àquela época, não havia internet, e os spoilers fornecidos por revistas e jornais ainda eram escassos, de modo que a audiência se viu tão espantada quanto perdida, sem saber o que aconteceria na novela agora que os mocinhos estavam mortos.

A resposta veio poucos capítulos depois, quando uma passagem de tempo de 20 anos trouxe Érika Buenfil de volta como Ana, filha de Marcela e Fernando, para viver de fato um ‘amor em silêncio’ com Ângelo (Omar Fierro), rapaz que perdeu a capacidade de falar após um sério trauma de infância.

Os Imigrantes (1981-1982)

Altair Lima, Othon Bastos e Rubens de Falco em Os Imigrantes (Divulgação / Band)

Quarenta anos depois de sua exibição pela TV Bandeirantes, a novela Os Imigrantes segue celebrada por sua narrativa audaciosa, que se propunha a contar sete décadas de História do Brasil a partir das vidas de três estrangeiros que buscaram em nosso país uma vida melhor no final do século 19.

Benedito Ruy Barbosa deu a seus protagonistas um nome comum, Antonio, compreendido e dito da mesma forma tanto em italiano quanto em espanhol e português. Antonio De Salvio (Herson Capri/Rubens de Falco), Antonio Hernández (Zemanuel Piñero/Altair Lima) e Antonio Pereira (David Arcanjo/Othon Bastos) se conheceram durante a viagem de navio da Europa para o Brasil, e suas vidas se entrelaçaram a partir daí.

Justamente porque a narrativa se prolonga durante sete décadas, em um ano e meio no ar e quase 500 capítulos, no decorrer de Os Imigrantes os três Antonios que deram início à saga falecem. Primeiro é Hernández quem morre, quando finalmente parecia estar próximo de sossego e prosperidade com a esposa Mercedez (Yoná Magalhães).

Entre os capítulos 300 e 400, De Salvio e Pereira também falecem. O italiano deixa a família após adoecer na velhice, depois de anos de dificuldades com a lavoura de café, embora esta tenha também rendido bons frutos e lucros nos tempos áureos.

Já o português é o que vive mais dos Antonios: após estabelecer seu negócio de transportes e até reencontrar o amor com Ruth (Elza Maria), Pereira deixa o patrimônio para os filhos cuidarem e volta para Portugal no fim da vida. Nenhum dos atores deixou a novela antes do fim em razão de desentendimentos internos ou coisa do tipo, mas sim pelas necessidades dramatúrgicas.

Estrela de Fogo (1998-1999)

No final dos anos 1990, a TV Record apostou em algumas produções independentes para criar no telespectador que gosta de novelas o hábito de sintonizar a emissora. Uma delas foi Estrela de Fogo, que ocupou o horário das 20h entre 1998 e 1999.

Gustavo Proença de Alvarenga (Fúlvio Stefanini) é um fazendeiro bastante próspero da região de Girassol, no interior de São Paulo. Casado com Estela (Cristina Prochaska), ele tem como rival um antigo empregado, Tadeu Gomes de Oliveira (Luiz Guilherme), que o inveja porque ama Estela e a deseja para si.

A boa repercussão da novela fez com que fosse encomendada uma nova fase ao autor Yves Dumont, que encerrou a primeira com a morte de Gustavo. A partir daí, Tadeu teria que lutar contra outro rival pelo amor da viúva: o forasteiro Giuliano (Carlo Briani), que chega à cidade e vai trabalhar como administrador da fazenda.

Corpo Santo (1987)

A TV Manchete apostou alto em sua teledramaturgia para competir com a TV Globo em diversas ocasiões. Em 1987, na faixa das 21h, a emissora exibiu a novela Corpo Santo, de tom diferenciado – ditado pelo fato de ser um de seus autores o jornalista José Louzeiro, conhecedor da crônica policial – e ousado, cuja trama era localizada nos conflitos do submundo carioca.

Um produtor de filmes pornográficos, Téo (Reginaldo Faria), se envolve com a viúva Simone (Christiane Torloni) devido a seu interesse na filha dela, Lucinha (Sílvia Buarque), possível nova estrela de seus títulos para adultos. As atividades de diversos criminosos são acompanhadas por Bárbara (Lídia Brondi), jornalista que vê a própria vida em risco em razão de seu trabalho.

Na época, Christiane Torloni se desentendeu com a produção e a solução foi afastá-la da novela. O cruel Russo (jonas Bloch) mata Simone, e a história valorizou ainda mais Bárbara e Lucinha para seguir adiante.

por Felipe Brandão e Fábio Costa

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