Relembre a história e os personagens de Torre de Babel, estreia do Globoplay desta quinzena

Novela de Silvio de Abreu tem elenco de estrelas e um mistério em torno da explosão de um shopping center

Publicado há 10 dias
Por Fábio Costa
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Em 25 de maio de 1998, contrastando com o universo lírico de Manoel Carlos em Por Amor, a Rede Globo estreava em seu horário das 20h, hoje 21h, uma novela que de cara provocou muita polêmica: Torre de Babel, de Silvio de Abreu, que entra para o catálogo do Globoplay nesta segunda-feira (3).

Promovida pela emissora como “forte, verdadeira, emocionante”, a história de Torre de Babel partia de um fato chocante: durante uma confraternização dos trabalhadores de uma construção, o operário José Clementino da Silva (Tony Ramos) flagra a esposa traindo-o com dois homens e a mata a golpes de pá, bem como a um dos amantes dela.

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A movimentação chama a atenção do contratante da obra, César Toledo (Tarcísio Meira), que prende Clementino num quartinho e chama a polícia. Seu depoimento no julgamento de Clementino, no qual o chama de animal, é decisivo para que o marido traído seja condenado a quase 20 anos de reclusão.

Passado esse tempo, reencontramos César ainda mais rico, às vésperas de inaugurar um arrojado shopping center, o Tropical Tower. Seu casamento com Marta (Glória Menezes) persiste, embora morno, e os três filhos do casal possuem características bem diferentes.

O mais velho, Henrique (Edson Celulari), trabalha com o pai e enfrenta a marcação cerrada da esposa Vilma (Isadora Ribeiro), que bem conhece sua fama (justa) de conquistador.

Henrique é alvo do amor da amiga e colega de trabalho Ângela Vidal (Cláudia Raia), executiva da construtora de César e que fora criada pela empregada dos Toledo, Luiza (Liana Duval). Ele a enxerga como se fosse um homem, o melhor amigo que ele não tem.

Alexandre (Marcos Palmeira), o filho do meio, é um rapaz sem maiores problemas, que está iniciando a carreira de advogado. O início de sua ruína se dá quando conhece a bonita e vulgar Sandra (Adriana Esteves), garçonete de um bar onde ele e alguns colegas costumam ir almoçar, e se apaixona por ela.

Alexandre é quem tira Clementino da cadeia, ao saber de sua história através de Sandra, filha mais velha do presidiário, cujo período de reclusão já venceu e está esquecido pela Justiça. Essa aproximação com Clementino e Sandra faz com o jovem advogado trave relações também com Shirley (Karina Barum), irmã mais nova de Sandra, que se apaixona por ele.

O oposto da irmã, muito honesta, sincera em seus sentimentos e bondosa, Shirley tem um problema na perna que a faz mancar. A personagem foi revisitada por Daniel Ortiz em Haja Coração (2016), interpretada por Sabrina Petraglia; aqui, era uma das irmãs de Tancinha (Mariana Ximenes), em substituição à Juana (Denise Milfont) do original de Silvio de Abreu exibido em 1987/88.

O filho mais novo de César e Marta é um problema. Guilherme (Marcello Antony) sempre foi rebelde, e nos últimos tempos essa rebeldia sem motivo converteu-se no vício em tóxicos.

O público o conhece no início da novela levando a família a receber uma visita nada amistosa de um grupo de bandidos que metralham a casa dos Toledo durante uma festa, alertando que, caso Guilherme não pague o que deve a traficantes, vai morrer.

Só se descobre após a morte de Guilherme que ele tem mulher e filho na cidade de Ponta Porã, fronteira do Brasil com o Paraguai: Celeste (Letícia Sabatella) e Guiminha (Felipe Latgé).

Também mora com os Toledo a agregada Clara (Maitê Proença). Muito bonita, embora esteja sempre triste e seja de poucas palavras, Clara é irmã adotiva de Marta, tendo sido trazida pelo pai da matriarca de um orfanato quando criança.

Ela se apaixona por Clementino e ele por ela, e será esse amor que salvará a ambos da ruína moral e social, diante das muitas adversidades e oposições que terão de enfrentar.

O casamento de César e Marta é ameaçado no começo da novela pelo reencontro dele com Lúcia Prado (Natália do Valle), uma antiga namorada dos tempos de faculdade que perdeu para Marta a disputa por ele.

Justamente durante uma viagem a Salzburg, na Áustria, planejada para marcar uma redescoberta do amor de César e Marta, uma segunda lua de mel, é que ele reencontra Lúcia, vive com ela momentos de amor e ternura e a abandona pela segunda vez, ao ter de voltar ao Brasil correndo por conta de problemas com Guilherme.

É durante essa viagem que Marta diz a César uma fala que demonstra bem em que bases o casamento foi levado: “Você sempre gostou de mim, sempre me respeitou… Nunca me amou.”

Clementino passou duas décadas arquitetando um plano de vingança contra César: com suas habilidades de fogueteiro, planejou explodir o maior empreendimento da vida de seu inimigo, o shopping, tão logo saísse da prisão.

E de fato o shopping vai pelos ares, mas sem que Clementino tenha qualquer culpa disso: alguém roubou seus planos e os colocou em prática. Ele passa a querer provar sua inocência.

Guilherme está dentro do shopping na hora da explosão, mas não é ela que o vitima, e sim uma overdose de drogas. Entre as vítimas da tragédia estão a estilista Rafaela Katz (Christiane Torloni), irmã de Clementino que havia sido expulsa de casa pelo pai, Agenor (Juca de Oliveira), apenas por ser homossexual, e sua companheira Leila (Sílvia Pfeifer).

Silvio de Abreu matou as personagens na explosão – inicialmente morreria apenas Rafaela – porque houve rejeição do público não exatamente ao casal lésbico, mas à possibilidade de que, após a morte da companheira, Leila se envolvesse com Marta, que seria abandonada por César. Sílvia Pfeifer voltou à novela alguns meses depois como Leda, irmã gêmea de Leila.

Christiane Torloni e o autor Silvio de Abreu

A família de Clementino era composta ainda por seus irmãos Gustinho (Oscar Magrini) e Ariclenes, o Boneca (Ernani Moraes), que viviam brigando, e pelo agregado Jamanta (Cacá Carvalho), que tinha problemas mentais e era sempre humilhado e xingado por Agenor – que desaparece e é dado como morto na explosão do Tropical Tower.

Gustinho e Boneca disputam o amor de Bina (Cláudia Jimenez), garçonete de uma lanchonete que pertence à família Falcão, cuja matriarca Diolinda (Cleyde Yaconis) resolve casar seu filho Edmundo (Victor Fasano) com Bina porque sabe que ela é a única herdeira de uma grande amiga sua, Eglantine (Vanda Lacerda), e que com a morte desta também na explosão do shopping passa a ser milionária.

O desenrolar da história nos revela que Agenor era na verdade pai de Jamanta, e a mãe era Diolinda; os dois haviam tido um caso na época em que o falecido marido da hipocondríaca falida, que vivia à base dos placebos dados pelo mordomo Cláudio (Carvalhinho), era vivo e a família Falcão morava ao lado do ferro-velho dos Silva.

O desenrolar da trama acompanha os romances de Clementino e Clara, Henrique e Celeste, Alexandre e Sandra – reprovado por todos que o conhecem e enxergam os contrastes que o conduzem a um processo de destruição que por pouco não o faz repetir a tragédia de Clementino.

Além de Shirley e Adriano (Danton Mello), que entra na história para contracenar com ela, o quadrado amoroso cômico formado por Bina, Edmundo, Gustinho e Boneca e os desencontros do casamento de César e Marta, que acaba prevalecendo mesmo com todos os reveses de tantos anos – inclusive com César apontado como suspeito de ter matado o sogro.

Sempre com o mistério em torno de quem teria explodido o shopping e com que motivações, a história de Torre de Babel se recuperou do estranhamento inicial do público, que fez a audiência do horário cair nas primeiras semanas, e consagrou-se como um grande sucesso – com média geral de 44 pontos e tendo chegado a mais de 60 em determinados capítulos.

Sucesso amparado nos bons desempenhos do elenco e com destaque na trama para Ângela Vidal, que se tornou a grande vilã da história e proporcionou a Cláudia Raia um momento bem diferente do que costumava fazer na teledramaturgia até ali.

Ângela matou várias pessoas, foi presa, fugiu da cadeia, destruiu a vida motivada pelo desejo de vingança contra os Toledo, que ela considerava responsáveis pela morte de seu pai, e pelo recalque por jamais ter conseguido conquistar o amor de Henrique.

Não se pode deixar de citar os grandes trabalhos de Tony Ramos, num personagem completamente fora de seu usual na televisão, e por isso mesmo muito marcante; Adriana Esteves num de seus melhores momentos como a vulgar e mau-caráter Sandrinha; a veterana Cleyde Yaconis como a falida Diolinda, que guardava muitos segredos; e Maitê Proença, muito convincente como a tristonha e infeliz Clara, que se torna uma nova mulher no decorrer da história.

Ao final a revelação: a explosão do shopping foi orquestrada por Ângela – que no penúltimo capítulo se suicida atirando-se do andar mais alto de um hotel no qual mantinha o menino Guiminha em seu poder para se vingar de Celeste, por quem Henrique se apaixonou tão logo a viu.

Mas ela não agiu sozinha: contratou Agenor para levar adiante os planos do próprio filho; Agenor induziu Jamanta a colocar no estacionamento do shopping um caminhão de pequeno porte com explosivos; e Sandra telefonou para o serviço de telemensagens que acionaria as bombas.

Realmente forte, verdadeira e emocionante, como prometia a campanha de lançamento, a novela foi reapresentada pelo Canal Viva entre outubro de 2016 e maio de 2017, às 14h30 com apresentação alternativa à 1h15min.

Uma reapresentação no Vale a Pena Ver de Novo acabou se tornando praticamente impossível devido ao teor forte dos capítulos iniciais e pela quase perseguição a produções do horário nobre pela classificação indicativa.

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