Precursor do humor de ritmo frenético, Satiricom estreava há 45 anos na Globo

Publicado há 3 anos
Por Fábio Costa
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No dia 2 de abril de 1973, a Rede Globo estreou o humorístico Satiricom – A Sátira do Comportamento Humano. Criação de Max Nunes e Haroldo Barbosa, o programa era exibido nas noites de segunda-feira, às 21h. À frente do elenco estavam Jô Soares, Renato Corte Real, Agildo Ribeiro e Luiz Carlos Miele, que encenavam os quadros acompanhados de outros grandes nomes do humor como Paulo Silvino, Célia Biar, Berta Loran, Milton Carneiro, Luiz Delfino, Antônio Carlos Pires, Renata Fronzi, Sônia Mamede, Antonio Pedro, Martim Francisco, Marina Miranda, Nélia Paula e Mirian Müller.

De início não havia personagens fixos, mas com o tempo alguns tipos acabaram por se firmar, embora a tônica do começo tenha se mantido. Sátiras de figuras conhecidas da época, como o colunista social Ibrahim Sued, que na época apresentava um programa na própria Globo, e novelas como “Os Sócios do Barão”, vinda de Os Ossos do Barão (1973/74), de Jorge Andrade, eram também parte integrante do programa. Ainda, embora os problemas da época fossem matéria-prima básica dos textos, a ambientação dos esquetes podia ser tanto na Idade da Pedra quanto no futuro.

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O tom de sátira, com piadas inteligentes em esquetes de duração máxima de dois minutos em média, permeava todo o programa, não se restringindo aos meios de comunicação. Ainda que fossem tempos de regime militar, mesmo a política foi assunto constante e competentemente abordado pela equipe, como nos esquetes em que um motorista desiludido e estressado (vivido por Jô) é seguidamente impedido por diversos guardas de trânsito de chegar a seu destino desejado, a “Praça Esperança” – e eles mandavam o motorista virar à esquerda… O espírito do programa era traduzido já na letra da música de abertura, que dizia: “Sente o esquema do sistema nisso/Um ouriço a serviço da comunicação!”. Depois, o segundo tema utilizado foi na mesma linha crítica: “Perguntar por quê? Perguntar, sim!/Responder por quê? Responder, não!/O poder do sim, o poder do não/Boca pra dizer, cara pra viver/Tudo isso é bom”.

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Pouco antes de Satiricom, Chico Anysio havia comandado o Você Tem Tempo? (em 1971), com cinco minutos de piadas entre o Jornal Nacional e a novela das 20h, e também com esquetes rápidos. Mas eram essencialmente calcados na figura de Chico e sua rapidez de raciocínio para as piadas, enquanto Satiricom se assemelhava mais, em diversos aspectos, a produções recentes como Tá no Ar – A TV na TV (no ar desde 2014) e a nova fase do Zorra (que estreou em 2015).

Pela direção de Satiricom passaram Augusto César Vannucci, João Lorêdo e Paulo Araújo. Nos textos, além de Max e Haroldo, também marcaram presença Jô Soares, Renato Corte Real, Paulo Pontes, Ivan Lessa, Lafayette Galvão, Luiz Orioni e Maurício Worst. Em 1975 o humorístico passou a ser colorido e quinzenal (nas primeiras e terceiras segundas-feiras de cada mês) e ficou no ar até outubro, quando foi encerrado. Na temporada de 1976 sua vaga na grade às segundas foi ocupada por O Planeta dos Homens.

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