Plágio, espiritismo velado e cura gay: abra com a gente a caixa preta de Floribella, nova reprise da Band

Novela volta ao ar nesta terça-feira

Publicado há 2 meses
Por Felipe Brandão
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A notícia de que a Band reprisará Floribella a partir desta terça-feira (15) foi recebida com festa pelos fãs da novela infantojuvenil – que fez grande sucesso em 2005 e 2006, quando suas duas temporadas foram ao ar pela primeira vez.

Tão marcantes, porém, quanto a história de amor entre a atrapalhada Flor (Juliana Silveira) e o sisudo Frederico (Roger Gobeth), foram os bastidores da atração, marcados por séries de fatos curiosos e dúvidas até hoje nunca esclarecidas.

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Pensando nisso, o Observatório da TV revirou a ‘caixa preta’ da trama do Morumbi e preparou para você uma lista de anedotas – algumas até bem polêmicas – que rolaram por trás das câmeras, desta e das diversas versões que a história teve mundo afora. Confira!

Florencia Bertotti e sua Floricienta, versão argentina – e original – de Floribella (Divulgação / Cris Morena Group)

Origem latina

Floribella é, na verdade, uma adaptação livre de Floricienta, novela produzida entre 2004 e 2005 na Argentina, sob a batuta de Cris Morena, a mesma criadora de sucessos como Chiquititas e Rebelde.

O título original da trama nada mais é que um neologismo entre o nome da protagonista, Flor, e a palavra ‘Cenicienta’, que em português significa ‘Cinderela’. Em ambas versões, a comparação entre a heroína da trama e a famosa princesa dos contos de fadas é uma constante no enredo.

Eiza González e Aarón Díaz protagonizaram a ‘Floribella mexicana’ (Divulgação / Televisa)

Franquia de sucesso

Além do Brasil, Floricienta também ganhou regravações em Portugal, Colômbia, Chile e México. Neste último, foi produzida por Pedro Damián – o mesmo da versão mexicana de Rebelde (2004-2006) – sob o título de diferenciado de Lola, Érase Una Vez (2007).

A hoje hollywoodiana Eiza González deu vida à protagonista, enquanto o galã ficou por conta de Aarón Díaz, o Ricardo de Betty, a Feia em Nova York.

Juliana Silveira: antes e depois de Floribella (Divulgação / Band / Record TV)

Para sempre Flor

O trabalho em Floribella marcou a carreira de sua protagonista, Juliana Silveira, até hoje lembrada pelo papel. À época de sua escolha para a trama, ela havia acabado de estrelar outro sucesso teen – as temporadas 2002 e 2003 de Malhação, ao lado de Henri Castelli -, e a trama da Band veio a estreitar ainda mais suas relações com esse público.

Houve, inclusive, uma preocupação da parte de Juliana em conservar sua imagem próxima à da audiência infantil após o fim da trama. Ela chegou a recusar o convite da Globo para atuar em Paraíso Tropical (2007) porque sua personagem seria uma prostituta – papel que ficou com a então iniciante Ísis Valverde. Preferiu ir para a Record TV interpretar uma cantora em Luz do Sol, reaproveitando os dotes musicais que havia aperfeiçoado ao longo de Floribella.

Frederico (Roger Gobeth) morreu na metade de Floribella (Reprodução / Band)

Príncipe encantado ‘deposto’

Um dos momentos mais polêmicos – e chorosos – da trama da Band foi a morte do galã original, Frederico Fritzenwalden (Roger Gobeth). O personagem sofre um acidente de avião, enquanto viajava para a Alemanha a fim de tentar anular seu casamento com a vilã Delfina (Maria Carolina Ribeiro), no fim da primeira temporada. Um novo amor, então, surge na segunda etapa da história para a heroína, na figura do conde Máximo (Mário Frias).

15 anos depois, muita gente ainda se pergunta o porquê dessa troca de protagonistas, algo tão incomum no universo da telenovela – e até hoje apontado pelos fãs como o grande ponto negativo de Floribella. Esse elemento, na verdade, é uma herança da original argentina.

Juan Gil Navarro, intérprete do galã de Floricienta, recusou-se a renovar seu contrato para o segundo ano da trama. Por essa razão, a produtora Cris Morena decidiu matar seu personagem e escalar Fabio Di Tomaso para viver o novo herói do programa.

Não contente, ela também fez questão de pedir a ‘cabeça’ de Frederico nas versões posteriores, exigindo que todas elas – somente Brasil e Portugal chegaram a ter segunda temporada – seguissem à risca esse mote do formato original.

Juliana Silveira em trecho do clipe da canção Te Sinto (Reprodução / Band)

Polêmica religiosa

É importante lembrar, porém, que o amor entre Flor e Frederico não desapareceu completamente da história. Como o romance dos protagonistas era a grande atração, Cris Morena deu um jeito de mantê-lo ‘presente’ na segunda temporada.

Explica-se: em Floricienta, o Conde Máximo (Fabio Di Tomaso) era uma espécie de reencarnação de Frederico Fritzenwalden, cuja alma passava a habitar o corpo do conde para ensiná-lo a ser uma pessoa melhor e aproximá-lo de Flor.

Na versão brasileira de Floribella, esse elo ‘espiritual’ entre Frederico e Máximo foi eliminado da história. No entanto, trechos da letra da canção Te Sinto remetem a essa inusitada conexão que originalmente existiria entre os protagonistas de ambas as fases.

As alusões à espiritualidade, aliás, por pouco não foram um problema para Floribella ser produzida em Portugal. A equipe da ‘terrinha’ fez questão de alterar totalmente a letra de canções como Te Sinto e Crianças Não Morrem, por entender que difundiam a doutrina da reencarnação entre as crianças.

Mariah Rocha e Igor Cotrim como Bruna e Mateus, o casal que não aconteceu em Floribella (Reprodução / YouTube)

Suave na nave

Diferentemente da original Floricienta, que conseguiu abranger um público tanto de crianças como de adolescentes, no Brasil Floribella acabou cativando uma audiência maiormente infantil – e isso foi decisivo nos rumos que a adaptação tupiniquim tomaria a partir de certo etapa. Existiu da parte das autoras, Patrícia Moretzsohn e Jaqueline Vargas, a preocupação de atenuar aspectos da história que soariam inadequados para a audiência mirim.

Um exemplo foi o romance que aconteceria entre a adolescente Bruna (Mariah Rocha), uma das irmãs do galã, e o advogado Mateus (Igor Cotrim), dez anos mais velho. Esse entrecho, que deu o que falar na trama original, foi completamente eliminado da versão brasileira – culminando, inclusive, na saída precoce de Igor Cotrim do elenco.

Outro exemplo foi o ‘incesto de mentirinha’ que envolveria o personagem Guto (Gustavo Leão). Na reta final da primeira temporada, ele teria um envolvimento com uma mulher madura, bem mais velha – e ainda por cima esposa de seu próprio tio. Mais uma vez, nada disso aconteceu por aqui.

Leonardo Cortez como Evaristo, o mordomo ‘heterossexualizado’ de Floribella (Divulgação / Band)

Cura gay?

Outro elemento de Floricienta modificado em Floribella dizia respeito à sexualidade de um dos personagens da segunda temporada. Na versão argentina, o mordomo Evaristo (Alejo García Pintos) era abertamente homossexual, chegando a expressar em diversas ocasiões uma paixão platônica pelo próprio patrão, o conde Máximo (Fabio Di Tomaso).

Embora não se saiba se a alteração se deu por motivos dramatúrgicos ou, de fato, pelo temor às reações conservadoras da audiência – afinal, tratava-se de um personagem gay dentro de uma novela infantil -, o fato é que, em Floribella, Evaristo (Leonardo Cortez) foi transformado em hétero, sendo até ‘promovido’ a par romântico da governanta Helga (Vic Militello).

A título de curiosidade, a ‘cura gay’ do mordomo também se repetiu na versão portuguesa da história, onde o personagem foi vivido pelo ator local Rui Mello. Uma mudança que, à época da trama, passou praticamente despercebida, mas que nos dias atuais certamente teria dado o que falar.

Florencia Bertotti foi acusada de plágio por sua novela Niní (Divulgação / Telefe)

Flor ‘paraguaia’

Em meio às tantas versões de Floricienta/Floribella pelo mundo, uma delas se deu de maneira, digamos, ‘extraoficial’. Em 2009, a estrela da trama original, Florencia Bertotti, decidiu tomar as vezes de produtora e lançar a novela infantil Niní, da qual também foi protagonista.

A personagem que dava nome à trama era uma jovem atrapalhada e divertida, contratada por Tomás Parker (Federico Amador), um sisudo embaixador estrangeiro, como babá de seus cinco filhos adotivos, de diferentes idades e nacionalidades.

Essa premissa te soou parecida a Floribella? Pois é, Cris Morena também achou isso. Tanto que resolveu levar a questão aos tribunais, acusando Florencia Bertotti de plagiar sua criação – e obtendo rapidamente ganho de causa.

Niní só pôde continuar sua exibição na TV argentina porque Bertotti e Morena chegaram a um acordo, que obrigava a primeira a repassar à segunda uma volumosa porcentagem dos lucros gerados pelo programa. Que babado!

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