Pícara Sonhadora, primeira novela SBT/Televisa, terminava há 16 anos

Publicado em 18/12/2017

No dia 18 de dezembro de 2001, o SBT exibia o último capítulo de Pícara Sonhadora. A novela de título curioso era protagonizada por Bianca Rinaldi e Petrônio Gontijo, e foi a primeira adaptação de texto mexicano da Televisa realizada pelo SBT a partir de uma parceria estabelecida entre as duas empresas de TV naquele ano. No acordo, o SBT teria à disposição tramas originais, para exibir dubladas, e textos para adaptar.

Pícara Sonhadora contava a história de Mila (Bianca Rinaldi), uma jovem batalhadora que chega em São Paulo com o objetivo de trabalhar e estudar. Ela consegue um emprego na seção de brinquedos da Loja Soles, que pertence à poderosa família Rockfield, e vai morar com o tio Camilo (Serafim Gonzáles), vigia noturno da loja, num quarto daquele prédio. Mila, então, passa a utilizar produtos da loja durante a noite, como os livros de Direito, produtos de beleza e lanches, anotando tudo o que consome num caderninho para poder pagar depois.

A vida de Mila muda quando ela conhece Alfredo Rockfield (Petrônio Gontijo), que se apaixona por ela. Ele é o herdeiro da loja, mas ela não sabe disso. Para conquistá-la, ele passa a trabalhar na loja como vendedor. Os dois se dão muito bem e surge o amor, mas o problema é que Alfredo tem uma noiva, Giovanna (Vanessa Vholker), que volta de Paris disposta a se casar com ele. Ao mesmo tempo, Rosa (Marcela Muniz), amiga de Mila que vive em Curitiba, resolve procurá-la em São Paulo. Ela, que era funcionária da filial da Soles, fugiu da cidade após roubar o dinheiro do caixa para tentar pagar um tratamento médico para sua filha doente.

Pícara Sonhadora era uma adaptação de La Pícara Soñadora, trama da Televisa de 1991 que foi escrita por Valentín Pimstein e que, por sua vez, era inspirada numa história criada  por Abel Santa Cruz. No Brasil, a adaptação foi assinada por Henrique Zambelli, Adriana Moretto, com supervisão de texto de Crayton Sarzy. Foi o primeiro texto de um grande acordo entre SBT e Televisa, que marcava a volta da produção de novelas do canal de Silvio Santos. Antes de Pícara Sonhadora, o último folhetim produzido pela emissora foi Fascinação, de 1998.

O acordo surgiu a partir do sucesso que as novelas mexicanas da Televisa vinham fazendo na grade de programação do SBT. Com a criação da faixa Tarde de Amor, em 2000, que exibia folhetins dublados à tarde, e uma faixa no horário nobre iniciada com o sucesso A Usurpadora, as novelas dubladas faziam bonito na audiência. O final de Chiquititas abriu ainda uma faixa de exibição de novelas infantis mexicanas às 19 horas, enquanto a Tarde de Amor só aumentava seu tempo de exibição. Assim, em 2001, o SBT exibia nada menos que cinco novelas dubladas em sequência. Antes de Pícara Sonhadora, a faixa mais nobre de novelas do SBT era ocupada pela trama colombiana Café com Aroma de Mulher, que fez bastante sucesso.

Com a escolha do texto de Pícara Sonhadora, a emissora iniciou a produção. Ainda sem título em português, o canal começou a escalação do elenco, cogitando nomes como Flávia Monteiro e Patrícia de Sabrit para viver a mocinha, mas Bianca Rinaldi acabou ficando com o papel. A princípio, pensou-se em usar uma tradução livre do título da novela, como Ardilosa Sonhadora e Esperta Sonhadora, mas Silvio Santos acabou optando por usar a palavra “pícara”, imaginando que a repercussão da estranha palavra seria favorável à novela.

Tanto que os primeiros teasers de lançamento da novela traziam frases como “vem aí a pícara!” e “você sabe o que é pícara?”. O nome, claro, virou piada entre críticos e espectadores, que usaram e abusaram das piadinhas de duplo sentido que o nome favorecia. Quando estreou, a novela não decepcionou, mantendo a média do horário em torno de 16 pontos no Ibope, considerada bastante satisfatória.

Depois de Pícara Sonhadora, o SBT seguiu adaptando novelas mexicanas, produzindo os seguintes folhetins: Amor e Ódio, Marisol, Pequena Travessa, Jamais te Esquecerei, Canavial de Paixões, Seus Olhos, Esmeralda, Os Ricos Também Choram, Cristal, Maria Esperança e Amigas e Rivais.

Com 95 capítulos, Pícara Sonhadora foi dirigida por Henrique Martins, Antonino Seabra e Jacques Lagôa.

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