Pé de Vento; relembre novela que a Band lançou há 40 anos na Corrida de São Silvestre

Publicado há 10 meses
Por Fábio Costa
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Até os anos 1980, a Corrida de São Silvestre era realizada no dia 31 de dezembro, claro, mas a largada ocorria à noite, não muito antes da virada para o ano que chegava. Em 1979, a Rede Bandeirantes havia retomado seus investimentos em teledramaturgia após 10 anos ausente da briga pelo público de novelas e lançado Cara a Cara, de Vicente Sesso. No final do ano, um segundo horário foi aberto com O Todo-poderoso, de Clóvis Levy e José Saffioti Filho, história de temática paranormal. Pé de Vento foi escalada para substituir Cara a Cara às 19h, e a estreia foi marcada para 1º de janeiro de 1980.

Só que, devido ao fato do protagonista ser atleta e ter como grande objetivo um dia vencer a Corrida de São Silvestre, a emissora identificou a possibilidade de fazer uma avant-première da nova produção ainda em 31 de dezembro, no embalo do evento esportivo. A partir do dia seguinte, às 19h, seguiriam os capítulos normais. Sem dúvida, uma grande sacada.

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A história de Pé de Vento

Benedito Ruy Barbosa deixou a Globo, emissora na qual passou boa parte dos anos 1970, para fazer na Bandeirantes o projeto de Pé de Vento. Segundo o próprio novelista, era uma novela que ele jamais faria na Globo. Especialmente porque, além de ambientar sua história entre personagens de classe baixa, operários, gente que trabalha muito e ganha pouco, Benedito abordou o tema da dificuldade que os mais pobres têm para se aposentar.

Edmar (Nuno Leal Maia), ou Pé, como é conhecido, deixa Muzambinho, cidade do interior de Minas Gerais, e se instala em São Paulo com sua família. Ele desperta a atenção da moça rica Cris (Maria Ferreira). Mas seu coração é mesmo de Terezinha (Bete Mendes), enfermeira que vive com a avó, Dona Noca (Carmen Silva), uma velhinha irreverente. Atleta maduro, já meio desencantado com o esporte, Alfredo (Rogério Márcico) é o treinador de Pé, para que ele consiga um dia vencer a disputada Corrida de São Silvestre.

Mestre André, um personagem forte

Os pais de Edmar são o velho operário Mestre André (Dionísio
Azevedo), que se sacrificou a vida inteira para sustentar a família, e Dona
Marta (Maria Luiza Castelli). Eles são também pais de Moacir (Taumaturgo
Ferreira) e Aninha (Cristina Mullins), jovens preocupados com o vestibular que
está por vir. Mestre André é torneiro mecânico de mão cheia, e chega a ser dono
do próprio negócio, com clientela crescente. No entanto, alguns problemas financeiros
fazem com que ele tenha que se desfazer do empreendimento.

Mestre André tinha dificuldades para comprovar os anos de contribuição e oficializar sua aposentadoria, para enfim descansar um pouco após uma vida de muito trabalho. No entanto, o pobre homem morreu antes de poder usufruir do benefício tão suado. Dona Marta recebeu o telegrama da Seguridade Social ao mesmo tempo que velava o corpo do marido. “Toma, meu velho! Chegou a tua aposentadoria!” Com efeito, essa crítica mordaz ao sistema de previdência social brasileiro, problemático já àquela época, fez com Pé de Vento fosse tomada por Boni como uma novela que Benedito Ruy Barbosa jamais faria na Globo. “E não faria mesmo”, disse o próprio novelista aos jornalistas André Bernardo e Cíntia Lopes no livro A Seguir, Cenas do Próximo Capítulo (Panda Books, 2009).

Treze Pontos (Fausto Rocha), Pé (Nuno Leal Maia) e Mestre André (Dionísio Azevedo) em Pé de Vento (Reprodução/Blog Revista Amiga & Novelas)

Outros personagens de destaque em Pé de Vento

Treze Pontos (Fausto Rocha), Boa Gente (Maurício do Valle),
Zé Queimado (Canarinho) e Catiça (Arnaldo Weiss) são quatro grandes amigos. Os
três primeiros trabalham na mesma fábrica que Mestre André e Edmar, cujo
proprietário é o Sr. Junqueira (Felipe Levy). Já Catiça está desempregado, é de
meia-idade e, como enfrenta dificuldades para se recolocar, vive de bicos, como
lavar carros. Treze Pontos é um bom sujeito, mas seu apelido não surgiu à toa:
ele deseja ganhar no jogo, e gasta todo seu dinheiro em diversos tipos de
aposta. Essa sua mania coloca em risco seu relacionamento com a bela Ludmila
(Angelina Muniz). Zé Queimado vive arrumando encrenca, e Boa Gente, embora
simpático e bonachão, livra a turma de maiores problemas com sua compleição
física de dar medo.

Outros personagens que vão ganhando destaque no decorrer da narrativa de Pé de Vento são Edmundo (Edney Giovenazzi) e Gisele (Maria Estela). Ela passa a maior parte do tempo sozinha, uma vez que o supermercado de Edmundo o consome. Bem como suas preocupações sociais, já que ele chega até mesmo a vender os produtos pelo preço de custo, a fim de prevenir uma grande revolta dos trabalhadores mais pobres diante do custo de vida que não para de subir.

Pé de Vento teve uma inusitada reprise nas manhãs da Band

Dirigida por Arlindo Pereira e Plínio Paulo Fernandes, Pé de Vento foi exibida pela emissora até 21 de junho de 1980 e reprisada pouco depois de seu término, na faixa da manhã. Só para ilustrar, essa foi uma prática recorrente da hoje Band nos anos 1980 e 1990: reprisar novelas precocemente e não raro pela manhã. A busca por um público feminino que supostamente sustenta a audiência do gênero telenovela é uma das explicações. Uma nova reprise de Pé de Vento foi anunciada para 1991, mas a novela que a emissora acabou por reapresentar na vaga foi Campeão (1982/83). A propósito, essa segunda reprise também seria matutina. Lila, Mila e Tom cantavam o tema de abertura homônimo da novela, que você pode ouvir no vídeo abaixo:

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