Os 20 anos do furacão Hilda nas minisséries da Globo

Publicado há 2 anos
Por Fábio Costa
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Em 27 de maio de 1998, uma quarta-feira, a Rede Globo estreou uma de suas minisséries de maior sucesso: Hilda Furacão. Escrita por Glória Perez, com base no romance homônimo de Roberto Drummond, a história da jovem de sociedade que troca as altas rodas de Belo Horizonte e um casamento tradicional por uma vida em meio às prostitutas, boêmios e marginalizados em geral, e com isso torna-se a mulher mais desejada da cidade, inclusive com clientes vindos de outras partes do Brasil atraídos por sua fama.

Morre Hilda Furacão

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A trama é ambientada na década de 1950, e se divide entre a capital mineira e uma cidade do interior do estado, a fictícia Santana dos Ferros. É a terra natal do jovem frei Malthus (Rodrigo Santoro), o maior orgulho da mãe, Dona Neném (Zezé Polessa); do jornalista Roberto (Danton Mello); e do candidato a galã de cinema Aramel (Thiago Lacerda). Os três amigos têm objetivos bastante distintos, mas suas vidas seguem entrelaçadas. A vocação de Malthus para a vida religiosa é posta à prova quando ele conhece Hilda, por quem ele se apaixona e que o faz vivenciar como nunca as manifestações de um desejo sexual ímpar.

Terra Nostra estreava há 18 anos

https://www.youtube.com/watch?v=RaH2aavNWdA

Roberto se envolve com Bela B (Carolina Kasting) e Aramel tem seu interesse despertado pela jovem Gabriela (Tereza Seiblitz), que termina por ceder aos caprichos do milionário Tonico Mendes (Stênio Garcia), um colecionador de mocinhas pobres e ingênuas. Ele desfrutava delas e depois as sustentava, bem como aos filhos que eventualmente tivessem dele.

Bissexto na televisão, o ator Paulo Autran teve em Hilda Furacão uma participação marcante na pele do padre Nelson, pároco de Santana dos Ferros que exercia grande influência sobre Malthus. Outros destaques do elenco foram Mário Lago como o inveterado boêmio Olavo; Eva Todor como a beata Loló Ventura; Matheus Nachtergaele (Cintura-fina) e Rosi Campos (Maria Tomba-homem), amigos de Hilda; as tias de Bela B., Walderez de Barros (Ciana) e Débora Duarte (Çãozinha); e Carlos Vereza como o Camarada Lorca, de grande ascendência sobre um grupo de jovens de esquerda. No elenco ainda, as presenças de Cláudia Alencar, Paloma Duarte, Marcos Frota, Rogério Cardoso, Luís Melo, Cininha de Paula, Maria Maya, Tatiana Issa, Eliane Giardini, Henri Pagnoncelli, Pedro Brício, Caio Junqueira, Anselmo Vasconcellos, Iara Jamra, Suzana Gonçalves, Daniel Boaventura, Elaine Mickely, Marcos Oliveira, Carlos Gregório, Chico Diaz e participações especiais de Tarcísio Meira e Roberto Bonfim (como dois coronéis que disputam Hilda) e Arlete Salles (erroneamente creditada como “atriz convidada” na abertura), entre outros.

Paulo Autran como Padre Nelson no primeiro capítulo da minissérie

Historiadora de formação, Glória Perez traçou um interessante painel desse momento da nossa História, com todas as convulsões sociais e políticas dos anos que antecederam a instauração da ditadura militar e com a visão dos habitantes de Belo Horizonte, e não do Rio de Janeiro ou de São Paulo, com os ideais da “tradicional família mineira” em choque com as mudanças na vida brasileira, simbolizados nas atitudes e ideologias de Hilda e Malthus. Eles terminam a história separados, mas com algo que os une para sempre: seus sentimentos e suas lembranças.

Uma grande curiosidade em torno da produção da minissérie é o empréstimo de Ana Paula Arósio à Rede Globo para protagonizá-la. Então contratada do SBT, a atriz foi cedida por Silvio Santos, sob a condição de que terminadas as gravações da minissérie ela gravasse alguns episódios do Teleteatro, originais de Marisa Garrido. Assim foi feito e, alguns meses depois, ao ser liberada das obrigações contratuais com a emissora que a revelara – Ana Paula fez três novelas lá – assinou com a Globo, onde estreou em novelas no ano seguinte como a Giuliana de Terra Nostra (1999/2000), de Benedito Ruy Barbosa. Curiosamente, com Glória Perez a atriz não voltou a trabalhar nos mais de 10 anos em que levou adiante sua carreira na TV.

Ana Paula Arósio no papel-título da minissérie

Com um total de 32 capítulos, curta em comparação a algumas das produções que o gênero minissérie apresentou nos anos seguintes, Hilda Furacão nunca foi reprisada pela Globo, e só voltou ao vídeo através do Canal Viva, até agora em duas ocasiões – em 2010 e em 2013.

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