Os 10 anos de Água na Boca, última novela brasileira da Band (até agora)

Publicado há 3 anos
Por Fábio Costa
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Em 12 de maio de 2008, às 20h15min, a Rede Bandeirantes lançou aquela que até agora segue como sua última investida no campo da teledramaturgia diária. Escrita por Marcos Lazarini, Água na Boca era ambientada em São Paulo e apresentava a cidade como o grande caldeirão cultural que é, onde é possível encontrar todos os sabores e gente de todos os lugares do mundo.

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Maria (Berta Zemmel)

No passado, a italiana Maria Bellini (Berta Zemmel) e a francesa Françoise (Jacqueline Laurence) foram muito amigas, mas na adolescência essa amizade foi muito prejudicada quando as duas se interessaram pelo mesmo homem, Jean-Paul (Mário César Camargo), e Françoise levou a melhor. A disputa entre as duas resvalou para o ramo de atividade profissional de ambas, e a Mamma Mia, pizzaria dos Bellini, e o restaurante gourmet dos Cassoulet, o Paris, disputam os clientes no Largo do Lourenço.

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Françoise (Jacqueline Laurence)Os netos de Maria e Françoise se apaixonam, e a rivalidade entre as famílias pode atrapalhar e muito. Luca Bellini (Caetano O’Maihlan) e Danielle Cassoulet (Rosanne Mulholland) se encantam um com o outro assim que se conhecem, mas além das diferenças entre os clãs há outros obstáculos, e o maior deles é Alex Wagner (Alexandre Barros), o noivo de Dani.

Aparentemente, ele é o homem perfeito, que toda mulher gostaria de ter: bonito, culto, gentil, romântico, sedutor, conquistou a jovem e toda a família Cassoulet. Mas o que ninguém imagina é que ele na verdade se aproximou deles para destruí-los, já que seu avô, um nazista, fora prejudicado por Françoise e Maria quando elas ainda eram meninas. Alex tem uma parceira de trapaças: Érika (Marisol Ribeiro), que finge ser a melhor amiga de Dani e chega a se envolver com Luca, apenas para afastar o casal.

Érika (Marisol Ribeiro)

Outras etnias e ramos gastronômicos permeiam os núcleos da história, como não poderia deixar de ser devido à ambientação. O cearense Severino (Cláudio Jaborandy) e a baiana Miquelina (Ana Cecília Costa) são os donos do Baião de Dois, recanto nordestino em plena capital paulista. Eles cuidam do restaurante com os filhos, Mari (Rayanna Carvalho) e Raí (Renato Góes). Mari se envolve com Reizinho (Gustavo Duque), o mimado e inconsequente filho de Cido Alcântara (Henri Pagnoncelli).

Severino (Cláudio Jaborandy)

No Mercado Municipal, o famoso Mercadão, ficam localizadas as lojas de comerciantes cujos destinos se entrelaçam. A peixaria de Akira (Ken Kaneko) e Keiko (Eda Nagayama); a frutaria dos irmãos Marta (Jerusa Franco) e Bertinho (Bethito Tavares); os temperos de Pereira (Fernando Neves) e Camila (Juliana Mesquita).

Akira (Ken Kaneko) e Keiko (Eda Nagayama)
Marta (Jerusa Franco) e Bertinho (Bethito Tavares)
Pereira (Fernando Neves)

A emissora vinha de uma novela jovem que tratava do mundo da dança – Dance, Dance, Dance, de Yoya Wursch e Juana Uribe –, e Água na Boca, embora não fosse um dramalhão impiedoso (muito ao contrário, inclusive, tinha ritmo de sitcom, ágil e com valor às falas e pausas), foi um pouco modificada em seu decorrer pelo autor Marcos Lazarini a pedido da Band. Acabou se tornando menos leve e um pouco mais melodramática, com Alex se transformando num vilão cada vez mais malvado, por exemplo.

Alex (Alexandre Barros)

O mal de Alzheimer, que acomete Maria Bellini, foi abordado pela história com delicadeza e seriedade, mas sem didatismos desnecessários. No decorrer da novela a personagem é cada vez mais prejudicada pela doença, mas permanece doce, acolhedora e amiga – inclusive de Françoise, com quem enfim se reconcilia, após anos de uma inimizade que, no final das contas, havia perdido a razão de ser.

O autor Marcos Lazarini foi muito feliz ao criar uma história que, sem deixar de lado os elementos básicos do folhetim, como o romance e as intrigas para atrapalhá-lo, exibiu através de seus personagens um panorama de diferentes culturas: italianos, franceses, japoneses, portugueses, nordestinos. Infelizmente, graças à falta de tradição em novelas, de que padece o “canal do esporte” desde meados da década de 1980, Água na Boca não atingiu grandes índices de audiência, mas a proposta de qualidade foi mantida. Mérito da emissora e da equipe, que serviu um bom “prato” aos telespectadores que souberam apreciá-lo.

O casal Dani e Luca diante de estandes dos dois restaurantes

Destaque para a sensível interpretação de Berta Zemmel, atriz de raras incursões no gênero telenovela – mas incursões importantes e marcantes, como em Vitória Bonelli (1972/73) e Gaivotas (1979), ambas na Rede Tupi –, e para Jacqueline Laurence, em grande momento numa personagem à sua altura. No elenco ainda, as presenças de Jayme Periard (Philippe, o pai de Danielle, que é dado a uma boa mesa de jogo), Ângela Figueiredo, Carl Schumacher, Regina Remencius, Rogério Márcico, João Bourbonnais, Nilton Bicudo, Marco Antônio Pâmio, Renato Scarpin, Paula Cohen, Priscila Sol, Joaquim Lopes, João Signorelli, Juliana Kametani, Celso Bernini, Elaine Mickely, Pierre Bittencourt, Cléo Ventura, Carlos Careqa e Carla Fioroni, entre outros.

Dirigida por Luiz Antônio Piá, Rodolfo Silot e Marcelo Krause, com direção geral de teledramaturgia de Del Rangel, Água na Boca terminou em 12 de dezembro de 2008 após 155 capítulos e é até aqui a última produção da Band no gênero. Deixou saudade em quem viu e poderia fazer sucesso numa reprise em bom horário e bem divulgada. Fica a sugestão à Band, neste momento em que tenta atrair um público que há muito se desgarrou da emissora, o feminino.

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