Novela sem vilão? Assim como Amor de Mãe, veja outras novelas que fugiram às regras

Publicado há 9 meses
Por Fábio Costa
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A atual novela das 21h da Globo, Amor de Mãe, tem sido considerada uma história que foge às regras do folhetim eletrônico. Isso diante de afirmações em torno da ausência de vilões tradicionais, bem como da falta do humor marcado de uma forma mais convencional. Aparentemente, isso espanta uma parte do público. Ao mesmo tempo, atrai outra. Só para exemplificar, em A Dona do Pedaço, a atração antecessora do horário, havia o núcleo de Eusébio (Marco Nanini). Em Segundo Sol (2018), de João Emanuel Carneiro, o casal formado por Clóvis (Luís Lobianco) e Gorete (Thalita Carauta), respondia pelo que se convencionou chamar de “alívio cômico” das histórias. Na novela de Manuela Dias, ao que consta, não há nada na mesma linha. Vamos ver outros casos de novelas que fugiram às regras, digamos assim.

Lícia Manzo e suas novelas que fugiram às regras

A autora de novelas Lícia Manzo (Divulgação / Globo)

Na obra da novelista Lícia Manzo, a grande vilã que atrapalha e prejudica os personagens é a própria vida. Com efeito, existem aqueles que praticam maldades com os outros e são desagradáveis. Mas não as figuras tradicionais de vilão e vilã. Tanto A Vida da Gente (2011/12) quanto Sete Vidas (2015) foram conduzidas nessa base. De modo que isso as tornou novelas que fugiram às regras e aos estereótipos do gênero. Se na primeira não era possível vilanizar nenhum dos componentes do triângulo Ana (Fernanda Vasconcellos), Manuela (Marjorie Estiano) e Rodrigo (Rafael Cardoso), na segunda era a vida a grande vilã da trajetória de Miguel (Domingos Montagner) e dos filhos que ele teve com diferentes mulheres, em virtude de uma doação a um banco de sêmen.

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A Favorita: símbolo das novelas que fugiram às regras

Patrícia Pillar e Claudia Raia, estrelas de A Favorita (Divulgação)

O autor de Segundo Sol estreou às 21h em 2008 com A Favorita, uma das novelas que fugiram às regras. Bom, pelo menos, uma das que tentaram fugir. Nos dois primeiros meses no ar, a história não deixava claro qual das personagens principais era a heroína e qual era a vilã. Não apenas Donatela (Cláudia Raia) tinha atitudes típicas de malvada, como também Flora (Patrícia Pillar) convenceu muita gente com sua narrativa de inocência no caso da morte de Marcelo (Flávio Tolezani). Todavia, o autor deixou claro no capítulo 56 que Flora era mesmo a assassina, e sua prisão não havia sido injusta.

A Próxima Vítima: qualquer personagem podia matar, bem como qualquer um podia morrer

A Próxima Vítima (Reprodução)

Silvio de Abreu desenvolveu um de seus melhores trabalhos em 1995, quando escreveu A Próxima Vítima. Com efeito, essa foi uma das novelas que fugiram às regras, já que propunha uma grande história de suspense não uma, mas três perguntas-chave: “Quem matou?”, “Por que matou?” e “Quem será a próxima vítima?”. No entanto, de olho numa eventual rejeição do público ao clima de suspense e à serie de assassinatos, o autor também se propôs a contar uma história mais tradicional para ser acompanhada. Ana (Susana Vieira) é amante de Marcelo (José Wilker) há mais de 20 anos, e tem com ele três filhos. Seu cunhado bom-caráter Juca (Tony Ramos) é apaixonado por ela, que se ilude com o marido de Francesca (Tereza Rachel).

Quase oito décadas na vida de uma família numa das novelas que fugiram às regras

Lauro César Muniz desenvolveu projetos bastante arrojados para a teledramaturgia, especialmente na década de 1970. Um deles foi O Casarão, novela exibida no horário nobre em 1976 pela Globo. A história teve três fases, ambientadas em diferentes épocas. No entanto, elas se interligavam, já que a narrativa não seguia a ordem cronológica. Ao invés de “O que vai acontecer?”, por vezes a trama se propunha a revelar “como aconteceu” determinado fato. Só para ilustrar, havia cenas de Carolina quando idosa (Yara Cortes) abrindo uma porta enquanto contava um caso do passado e, ao entrar no cômodo em questão, o público ver a Carolina jovem (Sandra Barsotti), vivenciando o que estava sendo contado.

“Festa, rebu, rebuliço… Crime!”

Bráulio Pedroso escreveu em 1974/75 a novela O Rebu, exibida pela Globo às 22h. Um grande clima de suspense envolvia uma festa da alta sociedade, cujo anfitrião era Conrad Mahler (Ziembinski). Totalmente na contramão da estrutura tradicional das novelas, Bráulio fez aqui uma novela inteira durante o decurso da festa e do dia seguinte, com a investigação de um crime ocorrido à noite. Os acontecimentos anteriores eram mostrados em flash-backs, para contextualizar a trama e as relações dos personagens. Além disso, primeiro se soube que alguém morreu, e só depois é revelado que Sílvia (Bete Mendes) é a vítima. Na adaptação produzida em 2014, a estrutura só foi reaproveitada parcialmente.

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