Mestre do Sabor: José Avillez e Rafa Costa e Silva falam do retorno da atração

Chefs adiantam as novidades da segunda temporada

Publicado há 9 meses
Por André Santana
Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Mestre do Sabor, reality culinário da Globo, retorna à grade no dia 30 de abril. A atração será novamente apresentada por Claude Troisgros, com as presenças de Kátia Barbosa, Leo Paixão e José Avillez. Porém, este último não ficará a temporada inteira. Por conta da pandemia da covid-19, o chef precisou voltar à Portugal. Assim, ele passa o bastão para o chef Rafa Costa e Silva.

Um dos maiores nomes da gastronomia de Portugal, o chef José Avillez tem entre suas marcas a curiosidade, o gosto pelas viagens e a vontade incessante de experimentar e aprender sobre diferentes culturas. Isso tudo sem nunca deixar de lado a tradição culinária de seu país, sua grande fonte de inspiração.

Continua depois da publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Avillez formou-se em Comunicação Empresarial, mas, sempre com a gastronomia como objetivo, fez estágio em diversos restaurantes em Portugal e no exterior. Em 2008, assumiu como chef executivo do histórico restaurante Tavares, em Lisboa, onde, no ano seguinte, ganhou sua primeira Estrela Michelin. Em 2011, decidiu abrir seu próprio restaurante. Hoje é responsável por diversos estabelecimentos, em diferentes países. Cada casa tem conceito próprio, mas todas revelam a paixão de Avillez pela cozinha e o charme da gastronomia portuguesa. A seguir, confira as expectativas do chef para a volta de Mestre do Sabor.

Conta pra gente por que precisou deixar a segunda temporada durante o programa?

Essa segunda temporada estava sendo maravilhosa para mim. Temos cozinheiros do mesmo nível da primeira temporada, o que é ótimo. Mas nos últimos dias de gravação tive que transmitir para a Globo e para o meu time que precisaria me ausentar por um tempo. Mas pretendo voltar para a grande final ao vivo. Não sei como estará tudo quando isso for ao ar, mas nesse momento estamos com uma pandemia por causa do Covid-19 e eu tenho muitas pessoas que trabalham comigo em Portugal. Decidi voltar porque acredito que neste momento tenho que estar perto delas. A Globo, muito atenciosa, me deu esse espaço. E fico tranquilo também porque havia um cara para se passar o bastão que é ainda muito melhor do que eu. O chef Rafa Costa e Silva, mestre que gosto e admiro muito, e que tenho certeza que cuidou muito bem de minha equipe.

Como foi essa conversa com o time?

Eles ficaram um pouco para baixo, até porque eu não dei a notícia completa, então eles não sabiam ainda que o Rafa Costa e Silva seria meu substituto. Mas, por outro lado, tivemos um bom desempenho no início do programa, o que os deixou felizes. Aprendi muito com estes maravilhosos cozinheiros brasileiros, com os ingredientes brasileiros. O Brasil é um lugar onde me sinto em casa. Foi uma decisão muito difícil para mim, mas acho que todo mundo vai compreender. E o Rafa abraça esse projeto com muita vontade.

Qual sentimento fica de ter que deixar o programa?

Fiquei muito aliviado quando soube que teríamos o Rafael Costa e Silva para me substituir porque foi uma decisão muito difícil para mim. Passei algumas noites em claro porque queria deixar meu lugar entregue em boas mãos. Só ia voltar para a Europa se encontrássemos a pessoa certa. E apareceu a pessoa certa, não poderia ser melhor. O Rafa Costa e Silva é formado nos EUA, tem experiência na Europa e tem um restaurante de cozinha brasileira contemporânea.

Você tem alguma dica para o Rafael?

Posso dizer a ele que a produção é maravilhosa e faz com que a gente se sinta em casa quando respeita nossas vontades e nossas preocupações. É muito bom contar com cozinheiros de todo canto do Brasil. Perceber o carinho e emoção vindo deles. Eu não imponho nada ao meu time, pois são todos cozinheiros profissionais. Tento tirar o melhor de cada um deles, perceber quem anda melhor sozinho para deixá-lo sozinho e quem precisa e quer uma companhia. A qualidade dos pratos é subjetiva, assim como a prova do Claude e do Batista. Tem também a questão do tempo. Eles não estão habituados a cozinhar com tempo. Por isso, minha dica é que você se organize com seu time com um tempo menor, para que não haja atraso ou que algo deixe de ser feito conforme o planejado. O tempo passa voando e é preciso uma disciplina. Mas é um time muito bom, de grandes profissionais. São pessoas que têm respeito um enorme pela culinária brasileira.
Uma das coisas que eu mais gosto de fazer na vida é cozinhar, esse é um programa de televisão, então é preciso se divertir. Estar para frente. Se divertir, respeitar uns aos outros, puxá-los sempre para cima. Eu não estou para ensinar a cozinhar, mas para dividir a experiência que já vivi.

Como está a expectativa para voltar para a final, ao vivo?

Espero muito estar presente! Construímos uma relação muito bacana com toda a equipe, produção, mestres, apresentadores e candidatos. Criei esse apego com as pessoas, com os cozinheiros, que são muito corajosos – eu nunca entraria num programa desses para competir – e tudo isso é algo muito afetuoso. Eu gosto bastante deste sentimento de fazer parte do Mestre. Espero que na final o mundo já esteja mais tranquilo para celebrar essa festa da gastronomia brasileira e que eu possa estar com vocês.

Algo mudou na sua vida depois da primeira temporada de Mestre do Sabor?

Foi uma repercussão enorme. Nós, hoje, em Portugal, temos tantos brasileiros quanto portugueses nos nossos salões. Sinto que entrei em outras camadas sociais também e pessoas de todo o Brasil agora vão lá, não só de São Paulo e Rio de Janeiro como antes. Acabo sendo reconhecido na rua quando estou no Brasil. O rapaz na alfândega, no aeroporto, me conheceu, um rapaz na rua, que vendia biscoito de polvilho também. O público nos reconhece e é muito bom esse carinho, mas também nos traz mais responsabilidade, algo que acontece quando viramos pessoas públicas. As pessoas seguem nosso exemplo e nos apontam erros quando fazemos algo errado. Precisamos saber lidar com isso. Pensar, acima de tudo, que nós não mudamos. Somos a mesma pessoa. Isso é importante ter em mente para não nos deixarmos levar por uma falsa sensação de superioridade que pode vir com a fama. As pessoas confiam mais no que eu digo e isso me traz mais responsabilidade.

Quais critérios leva em consideração para apertar o botão na degustação às cegas?

Eu me agarro muito ao sabor, à escolha e uso dos ingredientes. São todos profissionais, mas estão expostos na primeira vez a um universo diferente do deles. A maior parte nunca participou de um programa de TV, nem teve 50 minutos apenas para cozinhar. Numa primeira escolha, temos que ter a capacidade de perceber quem sabe fazer melhor do que fez. Depois, temos que pensar em como melhorar. Eu que não sou brasileiro vejo muitos ingredientes e técnicas que não conheço. Por isso, muitas vezes, vejo que escolho pessoas que eu acho que posso aprender com elas. Além disso, eu gosto quando a pessoa pensa em quem vai comer o prato. Independente das técnicas. Alguém que não fez um conjunto de técnicas para ficar bonito, mas pensou que do outro lado tem uma pessoa que vai experimentar. Isso é muito importante, que é quando respeitamos o comensal. Cozinhar para alguém é cuidar de alguém.

Com vocês, o substituto Rafa Costa e Silva

Rafa Costa e Silva é detentor de inúmeros prêmios de gastronomia mundo afora – incluindo uma estrela no Guia Michelin depois de figurar entre os 50 melhores restaurantes do mundo com o Lasai. O chef carioca iniciou suas atividades gastronômicas em Nova York, onde estudou e trabalhou antes de passar dez anos na Espanha, em San Sebastián.

Ele foi convidado para substituir o chef português José Avillez, que precisou voltar à Europa durante as gravações devido à pandemia. Rafa entra na metade da competição, em um programa emocionante no qual Avillez passa o bastão para ele. Confira suas expectativas na entrevista a seguir.

Como foi para você receber o convite para substituir Avillez durante a competição?

Foi uma honra, mas também foi algo desafiador porque o Avillez é um ícone da gastronomia mundial. Eu mesmo, quando fui ao seu restaurante, cinco anos atrás, tive uma mudança de chave. Foi muito bom, lembro de todos os pratos que experimentei, são inesquecíveis.

Ele deixou algumas dicas para você?

Sim. Conversamos sobre o fato de todos serem ali cozinheiros profissionais e, portanto, chefs com experiência. Nosso trabalho é tentar dar uma direção a eles durante as provas, observar e entender quem atua melhor quando está sozinho e quem atua melhor em grupo, com alguém do lado. Também falamos sobre como é subjetivo a qualidade dos pratos e a prova do Claude e do Batista. Mas a dica mais importante foi sobre o tempo, como usá-lo em seu favor durante as provas.

Chegou a traçar alguma estratégia?

Penso que em uma competição como esta, a melhor estratégia é não ter estratégia. Porque você não vai lembrar qual era o plano na hora que estiver cozinhando. O que eu sempre repito nos meus restaurantes, e repeti também para o time, é que precisamos ter uma visão panorâmica de tudo que estamos fazendo. Para isso, é preciso dar um passo para trás e colocar tudo em perspectiva. E experimentar, provar os pratos, sempre.

Expectativa?

Ganhar.

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio