Jeniffer Oliveira fala sobre o lado ruim da fama: “Aparece gente para te odiar”

Publicado há 3 anos
Por Bárbara Saryne
Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Em entrevista ao Observatório da Televisão, Jeniffer Oliveira falou sobre Flora, sua personagem em Malhação – Vidas Brasileiras, do lado ruim da fama e de sua batalha para conseguir emplacar na carreira de atriz.

Malhação – Vidas Brasileiras: Breno afirma que Verena inventou assédio: “Para tentar alguma coisa de verdade”

Continua depois da publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Como está sendo a repercussão do seu trabalho?

“Muita coisa mudou na minha vida. ‘Malhação’ dá muita visibilidade e agora já começaram as tramas do Tito (Tom Karabachian) com a Flora e da Flora com o Érico (Gabriel Fuentes). Eu acho que a galera está muito dividida. Quando eu saio na rua, perguntam por que eu estou saindo com aquele garoto (risos). Eu já fiz muita coisa, mas nunca tive visibilidade, esse reconhecimento no trabalho. E a ‘Malhação’ dá isso para a gente. Às vezes, eu paro e não entendo o que a pessoa está falando, aí depois lembro que é por causa da novela (risos). Isso ainda é muito louco, mas está sendo incrível. É muito bom ver que a galera está gostando, que quer copiar as roupas da Flora com esse estilo dela muito característico, cheia de elásticos coloridos e brincos de bolinha, que eu já estou vendo as meninas usando. É muito legal, estou gostando muito.”

Gorete Milagres comenta a estreia da filha em Malhação: “Estou babando”

Você comemora essa repercussão?

“É o que eu falei, para mim é muito novo. Às vezes, parece que a minha ficha ainda não caiu. Quando eu fiz o teste, pensei que ao sair o resultado a minha ficha cairia. Quando saiu o resultado, pensei que a ficha cairia quando a gente começasse a gravar. Quando começamos a gravar, pensei que a ficha cairia quando fosse ao ar. E, depois que foi ao ar, achei que a ficha cairia após um mês, mas nunca cai (risos). Às vezes, quando estou assistindo, penso: ‘Nossa, isso realmente está acontecendo’. A gente cria muita expectativa, luta muito por isso, e quando acontece gera um impacto grande. A Flora é muito diferente da Jeniffer. Eu já passei por esse momento que a Flora está passando, mas hoje eu não me encontro mais na Flora. Então, para mim, é bom regredir, no bom sentido, para me encontrar ali. A Flora tem uma realidade diferente da minha, mas é linda e delicada. Apesar de ter essa estrutura delicada, eu não sou tão delicada na vida, não sou tão doce quanto ela, então é importante voltar a ser de verdade uma ‘questão’… Esses dias eu até falei para a produção que eu estava querendo reservar um almoço e eu comecei a ligar (para o restaurante), mas do nada pensei que eu não tinha idade para fazer a reserva (risos). Eu tenho 19 anos, mas entrei nesse mundo da Flora de um jeito muito surreal porque estou aqui o dia inteiro trabalhando para tudo ficar lindo e ver esse filho nascendo está sendo muito incrível.”

Você está acompanhado a torcida das pessoas pelos casais?

“Está tudo bem dividido. Começou primeiro com a Flora e o Tito, as pessoas ficaram encantadas porque ele é muito romântico e ela é muito fofa, então combinam. Agora entrou a história do Érico também, e deixou todo mundo dividido. Tem gente que fala que a Flora tem que ficar com o Érico, mas tem gente que fala que ela tem que ficar com o Tito. O pessoal entra nas minhas publicações, começam a discutir entre eles e eu acho muito engraçado. A trama é para deixar a gente dividida mesmo. Eu mesma fico (risos).

As pessoas estão pedindo para tirar foto com você nas ruas?

“É um assédio muito grande. Você dorme e, de um dia para o outro, quando acorda, todo mundo te admira, sabe quem você é, suas redes sociais bombam. Eu até tive um problema com as minhas redes sociais no primeiro dia porque alguém me hackeou. É assim, ao mesmo tempo que tem gente que te ama, aparece gente para te odiar. Eu não fiz nada e fiquei um pouco chateada, não entendi o motivo de terem implicado comigo. Tudo isso aconteceu porque saiu uma matéria falsa, então eu corri para a comunicação da Globo, que ajudou a resolver. A gente tem que ter uma cabeça muito boa para não se afetar com essas coisas, mas é difícil, a gente não se prepara para isso. Mas, enfim, está sendo ótimo, recebi apoio, estou aprendendo a lidar com tudo isso e estou adorando.”

Você fez o teste para entrar na ‘Malhação’ cinco vezes e só conseguiu agora. Antes disso, até pensou em desistir da carreira. Como se sente no momento, vivendo essa reviravolta?

“Eu não ia desistir da carreira totalmente porque sempre foi um sonho, eu não me imagino fazendo outra coisa. Mas eu estava muito desmotivada. Eu não estava trabalhando e pensei em correr para outro lado, foi aí que comecei a entregar currículo em lojas e as pessoas nunca me chamaram porque eu não tinha experiência em nada. É complicado, mas foi uma reviravolta surreal. Eu sempre falo que tudo aconteceu de uma hora para outra. Ninguém sabia o meu nome, ninguém me conhecia, e tudo mudou. Eu até me emociono falando isso. Já pensou se eu não tivesse aceitado fazer esse teste, achando que não ia passar? A vida muda muito. Um passo muda tudo. Eu não tenho uma religião específica, mas eu tenho certeza que foi Deus.”

Você acha que é pelo fato de já ter passado por essas dificuldades que se considera muito mais madura que a Flora?

“Eu comecei a minha carreira muito nova, então amadureci cedo, passei por muitas coisas, corri muito atrás para estar aqui. E a Flora não é muito madura, ela tem 15 anos e eu com 15 anos já corria atrás de testes, procurava patrocínio de lojas que não eram tão bombadas para chegar nas mais bombadas depois, então é um amadurecimento que a carreira exige, o mundo exige também. Você tendo ou não tendo, você vai ter que amadurecer. Eu sinto que sou muito mais madura que a Flora. Quando eu falo que tenho 19 anos, as pessoas não acreditam.”

Você falou que não é tão doce, você acha que a vida te tornou mais agridoce?

“Eu já passei por muita coisa, mas acho que hoje a minha vida é mais doce porque a realidade da Flora acaba vindo muito em mim. Todos os dias eu estou com ela. A Jeniffer é muito simpática ao falar com as pessoas e a Flora não fala muito, não é tão expansiva.”

Como foi quando você se viu ruiva pela primeira vez? Tomou um susto?

“Eu estou há um bom tempo ruiva porque eu fiquei ruiva pela primeira vez para fazer o filme ‘DPA’, de cabelão grandão e tudo. Esses dias eu postei a foto e o pessoal ficou chocado, achando que era mega hair. Quando eu fiquei ruiva pela primeira vez, foi um impacto muito grande para mim e eu não gostei. Quando acabou o filme, eu comecei a clarear o cabelo porque ele é bem clarinho. Quando eu cheguei aqui, disseram que eu ficaria ruiva de novo e depois eu me acostumei, comecei a gostar muito do ruivo. Hoje, quando eu falo para as pessoas que eu não sou ruiva, elas ficam chocadas. Agora eu confesso que não me vejo com outra cor de cabelo.”

Esse amadurecimento quebrou algumas etapas da sua vida. Você acha que por um sonho tudo vale a pena?

“Tudo que a gente ama fazer, tudo que a gente sonha, vale a pena. Independente do que for. Vale tanto a pena que eu tento há doze anos e agora consegui. Eu lembro que na época, eu vinha fazer os testes e na hora ficava nervosa e esquecia todo o texto. Um ator tem que amar muito o que faz. Eu já passei muitas dificuldades, minha vida não foi fácil, mas chegar aqui valeu a pena. Eu já chorei muito aqui na portaria da Globo, mas tudo que a gente tenta, um dia a gente consegue.”

Você acha importante ter um plano B?

“Sim, a gente sempre tem que ter um, nunca desconsiderar o A e o B. No meu caso, a família não apoiava muito o A, só a minha mãe. Eu não fico triste quando falo disso porque eu entendo que é uma realidade diferente da nossa. Muitos acham que é só para filho de ator. Esses dias me perguntaram quem da minha família me colocou na Globo e eu falei que foi Deus. Ninguém está aqui só por ser filho de alguém. Todo mundo foi testado, tem talento, não dá para julgar. Tinha mais ou menos 580 pessoas no primeiro teste, depois fomos para 70 ou 80 e depois fomos para 17. Ninguém está aqui por nome ou por ser filho de alguém, estamos aqui porque merecemos de verdade, tentamos. A minha família tinha esse olhar e eu entendo. No início, eu também ficava assim, pensando se eu realmente ia conseguir. Meu pai acreditava zero. O primeiro teste que eu fiz na vida, para uma propaganda do Itaú, eu passei. Tinha muita gente esperando para fazer o teste e o meu pai ficou irritadíssimo porque apareceu um cara, enquanto a gente estava esperando, para dizer que já tinham escolhido a menina. Meu pai começou a gritar com o homem, falou vários palavrões, achou que era um esquema. Minha mãe começou a chorar, ela acreditava que seria eu a escolhida. Quando a gente já estava saindo, o cara me viu e falou que eu era a menina que ele queria. Fiquei muitos anos fazendo comercial do Itaú e eu lembro que a primeira vez que passou na televisão, eu falei para o meu pai que eu nunca mais ia parar de fazer isso. Também fiz oito anos de Lilica e Ripilica, três filmes… já fui de várias agências.”

O que você falaria para algumas pessoas da família que não acreditaram no seu sonho?

Durante um bom tempo, eu morei numa casa que todo mundo ficava no mesmo quintal e eu tinha um tio que falava muitas besteiras para mim. Eu lembro que eu fiquei toda feliz quando eu saí pela primeira vez num jornal, quando teve o desfile da Lilica e Ripilica, e ele falou para mim que era um “jornalzinho horrível e eu estava feliz porque saí nele”. Aquilo me fez tão mal, tem coisas que murcham a gente. Eu lembro que fui para a minha casa chorando e minha mãe disse que não escutou o que ele falou, mas me aconselhou a bloquear o que estava vindo de fora para eu me escutar porque aquilo era só o começo. Eu escutei muita coisa ruim dentro de casa e fora também. Dentro da nossa casa, com os nossos próprios amigos, muita gente vira as costas. Teve uma época que eu não tinha dinheiro para fazer os testes e eu pedia para um amigo meu, que é Uber, me trazer para a Globo. Eu acho importante falar essas coisas porque muita gente olha para a nossa carreira e acha que é fácil, que tem um glamour incrível. Não é fácil e não tem glamour. O importante é não desistir dos sonhos, ir em frente. A vida tem que seguir. O amor vence todas as etapas e eu falo que o que me trouxe aqui foi o amor pela minha profissão.”

Você acha possível amar duas pessoas ao mesmo tempo, como a sua personagem?

“Eu não posso falar se é possível ou não porque eu não tive essa experiência. A Flora é muito novinha, então tem essa coisa da confusão. Acho que ela, na verdade, fica confusa e mexida. Na adolescência, tudo é muito novo e existe uma urgência muito grande de tudo ter que ser para ontem. Tem o Tito, que é fofo, e tem o Érico, que mexeu com ela desde o primeiro dia na escola. Eu fico preocupada, curiosa para saber o que vai acontecer (risos).”

Você prefere a Flora com o Érico ou com o Tito?

“Eu torço para os dois (risos). Eu também fico mexida. Às vezes, eu olho e falo que ela tem que ficar com o Tito. Depois, o Érico fala alguma coisa e eu já mudo de ideia. Fico nessa (risos).O público fica assim também porque acontecem muitas coisas interessantes nesse triângulo. A Jade (Yara Charry) também está chegando mais ali, então mexe muito. Eu não tenho uma preferência.”

Como está sendo contracenar com a Camila Morgado?

“Trabalhar com a Camila é muito incrível porque ela é muito pé no chão, humilde, gosta de brincar em cena. Eu acho esse jeito dela muito interessante e eu trouxe isso para a minha personagem e para a minha própria vida. A Camila tem uma naturalidade muito grande, facilidade para trabalhar porque ela já faz isso há muito tempo. Estou adorando.”

O que você gosta de fazer no tempo livre?

“Eu gosto de ler, inclusive trago muitos livros para cá. Adoro ir ao cinema, que é uma coisa que me realiza, e gosto de estar com as pessoas que me fazem bem. Gosto de estar com quem eu amo independente do lugar. Isso me faz bem, me traz de volta para a minha vida.”

O que você se deu de presente?

“Ah, logo que fechei ‘Malhação’, eu comprei um celular novo para mim. É tão bom a gente comprar algo para nós. O meu primeiro iPhone, na época, também foi com um salário meu. E depois que eu comprei o celular, fui comprar roupas.”

* Entrevista feita pelo jornalista André Romano 

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio