Histórias sem fim: assim como Minha Vida, da Band, outras novelas que foram retiradas bruscamente do ar

Publicado há 2 anos
Por Felipe Brandão
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A estreia de Ouro Verde, novela portuguesa vencedora do Emmy Internacional de 2018, na tela da Band foi recebida com festa pela mídia nacional e estrangeira. Mas não pelos fãs brasileiros de Minha Vida, novela turca que o canal de Johnny Saad vem exibindo desde outubro do ano passado, na faixa que em breve será destinada à atração europeia.

Transmitida originalmente como série em seu país de origem, Minha Vida foi ao ar por lá entre 2014 e 2017, em quatro temporadas – e apenas as duas primeiras foram adquiridas pelo Morumbi. Por conta dos índices medíocres de audiência que vem alcançado, a emissora não se interessou – pelo menos por enquanto – em comprar a continuação da trama, que sairá do ar sem ter seu desfecho exibido.

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Uma situação bastante ruim e desrespeitosas para com os fãs da atração, é verdade – mas nem por isso inédita na TV brasileira. Relembremos outros casos de folhetins que tiveram sua transmissão interrompida sem direito ao famoso happy ending.

Trama colombiana Paixões Ardentes fez sucesso em vários países (Divulgação)

Paixões Ardentes (RedeTV!)

Animada com o êxito de Betty, a Feia, que chegou a passar mais de um ano no ar, entre 2002 e 2003, a RedeTV! tentou, sem sucesso, repetir o fenômeno com a importação de seu ‘similar’ masculino, Pedro, o Escamoso. Mesmo assim, a emissora de Marcelo de Carvalho e Amílcare Dallevo insistiu no filão de tramas importadas em seu horário nobre e escalou o sucesso internacional Pasión de Gavilanes para dar sequência à faixa.

Desta vez, porém, o estrago foi ainda maior – Paixões Ardentes, como a novela foi rebatizada por aqui, chegava a dar traço em alguns capítulos! Com isso, o canal não se fez de rogado e retirou a história colombiana do ar no capítulo 65, sem jamais exibir sua conclusão. Curiosamente, a atração agora pode ser conferida em sua totalidade no catálogo da Netflix Brasil, onde consta sob o título original em espanhol.

Catherine Fulop e Fernando Carrillo protagonizaram a novela Abigail (Divulgação / RCTV)

Abigail (Band)

Atraída pela popularidade internacional desta trama venezuelana, a Band a adquiriu em 1992, na esperança de conquistar os fãs de dramalhões latinos. A trama trazia como protagonista o ator Fernando Carrillo, galã de Rosalinda, ao lado de sua esposa à época, Catherine Fulop.

Os índices de audiência de Abigail por aqui, no entanto, começaram tão, mas tão baixos que a novela sequer completou uma semana no ar, sendo cancelada após apenas três episódios exibidos. Hoje, a versão integral da trama, dublada em português, está disponível no site YouTube.

E vejam só que ironia: parte do roteiro original de Abigail foi posteriormente adaptado pela Televisa em Maria do Bairro (1995), que anos depois, em 1997, alcançaria estrondosa popularidade no SBT.

Elenco central da terceira temporada de Quase Anjos (Divulgação / SBT)

Quase Anjos (Band)

A Band – mais uma vez ela – se deu bem em 2010 ao escalar, para sua grade matinal, as novelas teen Quase Anjos e Isa TK+, exibidas em sequência. Disposta a dar continuidade ao filão, a emissora do Morumbi garantiu junto à rede argentina Telefe a compra da terceira temporada de Quase Anjos – a qual, infelizmente, não se saiu tão bem no Ibope quanto a anterior.

Para piorar, atrasos no envio dos capítulos pela distribuidora acabaram atrapalhando o processo de dublagem e mesmo de exibição desta fase da história – que leva a assinatura de Cris Morena, criadora de Chiquititas e Rebelde. A gota d’água aconteceu quando Quase Anjos 3 perdeu o patrocínio da marca de refrigerante Guaraná, sua única anunciante.

A Band, então, desistiu de vez da novela e encerrou sua exibição no capítulo 113, corresponde ao de número de 97 da edição original. Ao todo, haveria mais 40 episódios do ciclo presente e ainda uma quarta temporada completa por vir – ambos materiais, até hoje inéditos na TV brasileira.

Carolina Kasting foi a protagonista de Brida (Divulgação / Manchete)

Brida (Manchete)

Não são apenas os folhetins estrangeiros que já saíram do ar inconclusos na telinha nacional. Em 1998, em plena crise financeira, a hoje extinta Rede Manchete apostou numa proposta ambiciosa como estratégia para se reerguer, adaptando para telenovela o best seller de Paulo Coelho, Brida.

A investida, porém, revelou-se um verdadeiro tiro no pé. Com meta de 10 pontos, Brida estacionou em apenas 2, afugentando os anunciantes e agravando ainda mais o já periclitante quadro financeiro da Manchete.

Dois meses após a estreia da trama, elenco e equipe de produção entraram em greve, já que estavam sem receber salários, e a situação, que era difícil, tornou-se insustentável. Brida saía então do ar com 54 capítulos, tendo como único ‘desfecho’ uma narração de Eloy de Carlo que explicava como a história chegaria ao fim.

Víctor Mallarino e Paola Rey, protagonistas da colombiana Um Amor de Babá (La Baby Sister) (Divulgação / Caracol)

Um Amor de Babá (Record TV)

A turma dos bispos também já fez das suas. Em 2002, a empolgação com o sucesso da saga venezuelana Joana, a Virgem levou a Record TV a buscar, na Colômbia, outro título de comprovado apelo internacional para dar sequência à faixa em sua grade noturna: La Baby Sister.

A trama, cujo título brincava com a expressão inglesa ‘baby sitter‘, centrava-se no romance caliente entre uma sensual babá, Fabiana (Paola Rey), e seu patrão, Daniel (Víctor Mallarino). A fim de potencializar a identificação do público brasileiro com a história, Edir Macedo rebatizou a obra como Um Amor de Babá e até trouxe a protagonista ao Brasil para ajudar a promover o folhetim.

Tudo em vão: Um Amor de Babá derrubou os índices de audiência de Joana, a Virgem e acabou tirada do ar sem maiores explicações, com apenas 22 capítulos exibidos. Embora o baixo Ibope tenha sido apontado como o fator principal para o cancelamento da atração, rumores de bastidores davam conta de que parte da cúpula da Record teria ficado desgostosa com um núcleo de sátira religiosa que se formaria a certo ponto da história.

Destilando Amor foi exibida em 2007 no SBT (Divulgação)

Destilando Amor (SBT)

Com Destilando Amor explodindo em audiência no horário nobre mexicano em 2007, o SBT decidiu trazer esse sucesso para as suas tardes, confiante de ele se repetiria por aqui. Mesmo porque a obra da Televisa nada mais era que um remake do folhetim colombiano Café com Aroma de Mulher, transmitido com êxito pela emissora em duas ocasiões.

O tiro, no entanto, saiu completamente pela culatra: com médias em torno de míseros 2 pontos, Destilando Amor saiu do ar com apenas 20 episódios transmitidos. Algo parcialmente justificável – com seu desfecho ainda inédito no próprio México, antecipá-lo por aqui seria impossível! -, mas ainda assim desrespeitoso.

Sofia Alves como as gêmeas Luísa e Leonor em Olhos d’Água (Reprodução / YouTube)

Olhos d’Água (Band)

Rainha das retiradas bruscas de telenovelas importadas, a Band assinou, no final de 2003, um contrato de exclusividade com a distribuidora europeia NBP para a exibição de folhetins portugueses por aqui.

O sucesso internacional Olhos d’Água abriria esta parceria, estreando em 19 de janeiro de 2004 na faixa das 16h. A atração foi, inclusive, dublada em português brasileiro para facilitar a identificação com o público local. Os baixos índices de audiência, porém, não tardaram em decepcionar a emissora dos Saad, que decidiram remanejá-la para a ingrata faixa das 8h da manhã.

Com índices ainda menores, por vezes abaixo do 0,5 ponto, a obra lusitana – protagonizada pela estrela local Sofia Alves, na pele das gêmeas Leonor e Luísa – acabou saindo do ar em agosto, inconclusa e despercebida, com apenas 140 de seus 207 capítulos exibidos.

João Catarré e Benedita Pereira, protagonistas da primeira temporada de Morangos com Açúcar (Divulgação / TVI)

Morangos com Açúcar (Band)

Espécie de Malhação portuguesa, Morangos com Açúcar foi um hit entre os adolescentes da ‘terrinha’, onde foi exibida de 2003 a 2012, em nove temporadas. De olho nesse êxito, a Band considerou que a trama teen poderia ter mais êxito em sua faixa das 16h do que também lusitana Olhos d’Água vinha alcançado às 4 da tarde.

No dia 29 de março de 2004, a temporada inaugural de Morangos com Açúcar passou a ocupar a faixa de sua precursora, transferida para as manhãs. Mas os números do Ibope permaneceram exatamente os mesmos. Com tão pouca repercussão, a saga adolescente de título esquisito mal durou 80 capítulos na tela do Morumbi. E o final que é bom, nada!

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