Há três anos, Globo apostava em nova versão de O Rebu

Publicado há 4 anos
Por André Santana
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No dia 14 de julho de 2014, a Globo lançava sua quarta “novela das onze” (atualmente chamada de “supersérie”), O Rebu. Trata-se de uma atualização da obra de Bráulio Pedroso, assinada pelos festejados autores George Moura e Sérgio Goldenberg, dupla então em alta no canal após o sucesso das minisséries O Canto da Sereia e Amores Roubados.

A primeira versão de O Rebu, escrita por Bráulio Pedroso em 1974 e exibida pela Globo na faixa das 22 horas, foi considerada uma obra revolucionária. Isso porque toda a trama, que teve 112 capítulos, tinha a sua história passada em apenas 24 horas, mostrando uma festa da alta sociedade onde acontece um crime, e o dia seguinte, com a investigação sobre o ocorrido. Os personagens eram o anfitrião da festa e seus convidados, cujos perfis eram explorados por meio de flashbacks. Na trama, o milionário Conrad Mahler (Ziembinski) oferecia uma festa em homenagem à princesa italiana Olympia (Marília Branco). Ali, acontecia um assassinato e um corpo era encontrado boiando na piscina. Instalavam-se dois mistérios: quem morreu? E quem matou? A vítima era revelada apenas no capítulo 50, enquanto o assassino só era descoberto no episódio final.

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A versão 2014 manteve a estrutura narrativa, porém fez várias mudanças com relação à obra original. Desta vez, a anfitriã da festa era Ângela Mahler (Patrícia Pillar), poderosa empreiteira que decide celebrar o lançamento de um grande projeto de exploração de petróleo, numa nova parceria de sua empresa com o também empreiteiro Carlos Braga (Tony Ramos). A festa clássica e requintada da versão original se transforma, na nova versão, numa “megabalada” regada a música eletrônica, álcool, sexo e drogas. A festa termina quando o profissional de tecnologia Bruno Ferraz (Daniel de Oliveira) é encontrado morto na piscina. Nesta versão, a identidade da vítima é revelada já no primeiro capítulo.

Bruno era ex-namorado de Duda (Sophie Charlotte), a filha de criação de Ângela. Ele já havia trabalhado para Braga, mas recebe uma boa proposta financeira de Ângela, e muda de empresa. Ao trafegar pelas informações das empresas dos empreiteiros, Bruno influencia muito a vida de ambos. Cada um, à sua maneira e intensidade, se envolve com o rapaz de forma definitiva, incluindo aí a advogada Gilda (Cassia Kis Magro), braço-direito de Ângela, e com quem Bruno tem um affair. Quando o rapaz começa a montar um dossiê que revela diversas falcatruas de Braga, sua vida fica por um fio.

Braga, assim, torna-se o principal suspeito do assassinato de Bruno, mas outras pessoas presentes à festa começam a revelar que podem, também, estar envolvidos com a morte. Entre eles, Oswaldo (Júlio Andrade), um jornalista bipolar que tem uma crise durante o evento; Kiko (Pablo Sanábio), o esperto namorado da rica viúva Vic Garcez (Vera Holtz); o penetra Alain (Jesuíta Barbosa) e seu affair na festa, a fogosa Maria Angélica (Camila Morgado); além da promoter Roberta Camargo (Mariana Lima), responsável pela disputada lista de convidados, e com quem Bruno teve um turbulento conflito no passado; entre outros.

No decorrer dos capítulos, são mostrados vários acontecimentos da festa, costurados por diversos flashbacks que mostram as relações entre os personagens. Além de colocar todos sob suspeita, os flashbacks serviam para desenvolver o perfil psicológico dos personagens, mostrando os dramas pessoais de cada um. No “tempo presente”, passado no dia seguinte à festa, o público acompanha a investigação do crime, chefiada pelo delegado Pedroso (Marcos Palmeira), acompanhado da investigadora Rosa (Dira Paes). Entre suspeitos e teorias, o delegado até tem tempo para um flerte rápido com Ângela Mahler.

No penúltimo capítulo, o público é surpreendido por um diálogo entre Duda e Ângela, onde se descobre que foi a jovem quem matou o ex-namorado, quebrando um troféu na cabeça dele após uma discussão. Com a ajuda de Ângela, Duda o coloca num freezer. Entretanto, há uma reviravolta no último capítulo, quando um flashback mostra que Bruno não havia morrido após o ataque de Duda, e que Ângela, sabendo disso, diminuiu a temperatura do freezer ao mínimo, matando Bruno congelado, e fazendo Duda pensar que foi ela a assassina. Ângela, na verdade, não se conformava com a relação entre Duda e Bruno, e viu ali a chance de se livrar do mau-caráter. Assim, por mais que George Moura e Sérgio Goldenberg tenham mudado personagens e tramas do original, acabou que a solução do crime ficou bem parecida com a da primeira versão. Na versão 1974, Conrad é o assassino de Sílvia (Bete Mendes), que tinha um caso com seu protegido Cauê (Buza Ferraz). Ele a eliminou por ciúme, pois mantinha uma relação com o jovem.

A versão original de O Rebu ficou marcada na história da TV pela originalidade e ousadia de sua narrativa, mas não foi um sucesso de audiência. O mesmo aconteceu na versão 2014, que ofereceu uma narrativa diferenciada e requintada, mas não convenceu o grande público, embora parte da crítica tenha avaliado positivamente a obra. O Rebu terminou com média geral de 15 pontos, a mesma que sua antecessora, Saramandaia, os mais baixos desempenhos das “novelas das onze” desde que a faixa foi criada, em 2011.

Com 36 capítulos, O Rebu foi escrita por George Moura e Sérgio Goldenberg, com colaboração de Charles Peixoto, Flávio Araújo, Lucas Paraízo e Mariana Mesquita, contando com direção de Paulo Silvestrini, Luisa Lima e Walter Carvalho e direção-geral e de núcleo de José Luiz Villamarim.

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Reveja a abertura da versão 2014 de O Rebu:

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