Há 50 anos, a Globo estreava três novelas no mesmo dia

Publicado há 3 anos
Por Fábio Costa
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Em 5 de fevereiro de 1968, a TV Globo estreou na sua praça de São Paulo três novelas no mesmo dia – Demian, o Justiceiro, de Glória Magadan, às 19h30; Sangue e Areia, de Janete Clair, às 20h; e O Santo Mestiço, também de Glória Magadan, às 21h30, depois da primeira linha de shows, que entrava às 20h30. A especificação “na praça de São Paulo” se faz necessária porque na época as transmissões não ocorriam em rede, simultaneamente, como hoje. Duas das três novelas estrearam na praça matriz da Globo, o Rio, um pouco antes, em 18 de dezembro de 1967. Com O Santo Mestiço ocorreu o inverso: ela começou a ser exibida primeiro no canal 5 paulistano e apenas duas semanas depois, em 19 de fevereiro, no canal 4 carioca.

Dirigida por Daniel Filho, Demian, o Justiceiro ganhou em São Paulo e outras praças um título diferente; no Rio era chamada de O Homem Proibido – título reaproveitado em 1982 numa novela das 18h que nada mais tinha em comum com ela. Passada no fictício principado indiano de Kanchipur entre o fim do século 18 e início do 19, era a história da luta do príncipe Demian (Carlos Alberto) para retomar os domínios que lhe foram tomados ilegalmente por Tamil (Delorges Caminha). Junto a sua luta para assumir o trono que é seu por direito, ele enfrenta o vizir Ali Yabur (Mário Lago) e se envolve com a princesa Surama (Yoná Magalhães). “Demian esteve aqui”, frase que o herói deixava por onde passava na novela, ganhou os muros na vida real.

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A história de Sangue e Areia, original de Blasco Ibañez adaptado por Janete Clair e dirigido por Daniel Filho e Régis Cardoso, era conhecida; àquela altura já havia recebido duas versões para o cinema, respectivamente com Rodolfo Valentino e Tyrone Power. Na Espanha, o toureiro Juan Gallardo (Tarcísio Meira) se vê dividido entre o amor de três belas mulheres: Doña Sol de Alcântara (Glória Menezes), Pilar (Theresa Amayo) e Dolores (Myriam Pérsia). Foi nesta novela extravagante marcada pelo excesso de dramaticidade – especialmente em razão de Doña Sol arrancar os próprios olhos como prova de amor a Juan – que o casal Tarcísio e Glória estreou na Globo, egresso da Excelsior.

Voltando um pouco mais no tempo, para fins do século 16 e começo do 17, O Santo Mestiço foi dirigida por Fábio Sabag. Divulgada como “a novela de maior sucesso em todo o mundo” no material promocional, tinha como protagonista o religioso Martinho (Sérgio Cardoso), um frei dominicano perseguido pelo regime político do Peru em razão de suas posições. Isabel (Rosamaria Murtinho) era uma oficial do governo, totalmente oposta ao padre. Era a história daquele que se tornaria o primeiro sul-americano a ser canonizado pela Igreja Católica, com o nome de São Martinho de Porres, em 1962. As críticas de Sérgio Cardoso, que além do religioso vivia mais dois papéis, à baixa qualidade do texto de Glória Magadan, são consideradas o marco inicial do processo que culminaria no afastamento da escritora cubana do núcleo de novelas da Globo no ano seguinte, abrindo espaço para a modernização das produções da emissora.

Por Fábio Costa

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