Há 38 anos estreava Malu Mulher, um marco da televisão brasileira

Publicado há 4 anos
Por André Santana
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No dia 24 de maio de 1979, a Globo estreava uma das melhores e mais importantes séries já produzidas pela emissora: Malu Mulher. A atração trazia Regina Duarte no papel-título, vivendo uma mulher ousada, que assumia as consequências de um divórcio numa época em que isso era um tabu. Uma criação de Daniel Filho que fez história na TV brasileira.

Em Malu Mulher, a protagonista, cansada das humilhações causadas pelo marido Pedro Henrique (Dennis Carvalho), decide se separar. A série aborda as dificuldades de Malu após sair de casa, tentando se sustentar sozinha e criar a filha Elisa (Narjara Turetta). Enquanto enfrenta uma série de barreiras e preconceitos, Malu ainda encontra tempo para ajudar mulheres que, como ela, vivem grandes dificuldades.

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Malu Mulher ficou no ar pois dois anos. O primeiro ano era bastante focado na luta de Malu para retomar a sua vida após o divórcio. Já o segundo ano mostra Malu trabalhando num instituto de pesquisa, mais amadurecida e pronta para viver um novo amor.

Malu Mulher foi um marco na televisão por vários motivos. A série levantou a questão do feminismo num momento em que se começava a falar sobre isso, mas havia ainda muitos tabus acerca do tema. O Brasil ainda vivia sob o governo militar, sob o comando do General João Baptista Figueiredo, considerado “o presidente da abertura”. Um ano antes da estreia de Malu Mulher, o AI-5 havia sido revogado e a reforma partidária extinguiu o bipartidarismo. A Lei do Divórcio também era recente: havia sido instituída em junho de 1977. Ou seja, era uma época de plena transformação política e social.

E Malu Mulher estreou em sintonia com esta nova sociedade, sobretudo com a mulher contemporânea, que começava a dar os primeiros passos rumo à liberdade individual. A série propôs reflexões acerca de temas como o conflito de gerações, o casamento em crise e a estruturação familiar. Falou sobre divórcio, sexo, aborto, maternidade, prostituição e violência doméstica, dentre outros assuntos sobre os quais não se falava.

Malu Mulher também correu o mundo e foi exibida em 50 canais estrangeiros. Também conquistou vários prêmios: em 1979, recebeu o Prêmio Ondas da Sociedade Espanhola de Radiodifusão e da Rádio Barcelona; em 1980, o Prêmio Íris de Melhor Produção Estrangeira nos EUA; no mesmo ano, Regina Duarte recebeu o Troféu APCA de Melhor Atriz, e Narjara Turetta o de Atriz Revelação; em 1981, foi exibido em horário nobre na Suíça, e na Inglaterra, superou em audiência vários programas da BBC; em 1982, foi eleito o melhor programa de TV do ano em Portugal e Grécia.

Malu também foi um marco na carreira de Regina Duarte. A atriz ainda tinha a imagem muito vinculada a mocinhas frágeis e sofredoras, carregando o apelido de “namoradinha do Brasil”. Na série, ela surgiu como uma mulher destemida, ousada e à frente do seu tempo. Foi depois de Malu Mulher que Regina passou a encarnar outros tipos, como as antológicas viúva Porcina, de Roque Santeiro, e Maria do Carmo, de Rainha da Sucata.

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Reveja a abertura de Malu Mulher:

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