Há 25 anos terminava a novela Felicidade

Publicado em 30/05/2017

No dia 30 de maio de 1992, foi ao ar o último capítulo de Felicidade, novela das seis da Globo. A trama marcou a volta do autor Manoel Carlos à emissora, após um tempo escrevendo para outros canais, e apresentou ao público a segunda Helena da galeria do novelista, desta vez vivida por Maitê Proença.

A história de Felicidade começa em Vila Feliz, Minas Gerais, onde Helena e Álvaro (Tony Ramos) se conhecem e se apaixonam. No entanto, o amor deles não se concretiza, e Helena acaba se casando com Mário (Herson Capri), no intuito de deixar Vila Feliz. Mas o casamento não dá certo, Helena engravida de Álvaro que, por sua vez, está noivo de Débora (Viviane Pasmanter), e a mocinha decide criar a filha sozinha, sem jamais revelar a paternidade da criança.

Passam-se oito anos, e Helena reencontra Álvaro quando vai trabalhar para a mãe dele, Cândida (Laura Cardoso). A reaproximação faz com que Bia (Tatiane Goulart), filha de Helena, e Alvinho (Eduardo Caldas) , filho de Álvaro, se tornem grandes amigos, sem saber do parentesco que os une. Ao mesmo tempo, Débora, uma mulher mimada e cheia de problemas, fica cada vez mais louca, armando poucas e boas para manter Helena longe de seu marido. A vilã da história chegava, até, a atentar contra a vida de Bia, tentando jogá-la de uma igreja, e até do Pão de Açúcar!

Helena passa boa parte da novela escondendo de todos o segredo envolvendo a paternidade de Bia, e apenas no penúltimo capítulo é que ela conta à filha que ela é filha de Álvaro. Quando Débora descobre, aí sim ela surta de vez, tentando matar Helena. No entanto, ao tentar atirar em Helena, ela acaba atingindo Álvaro. Descontrolada, ela foge e acaba sofrendo um acidente, que a deixa paralítica. Já Helena e Álvaro finalmente se acertam e, cinco anos depois, eles surgem felizes com Bia e Alvinho, e “grávidos”.

Felicidade marcou o retorno de Manoel Carlos à Globo, emissora na qual havia feito muito sucesso com Maria Maria, A Sucessora e, principalmente, Baila Comigo, que marcou sua estreia às 20 horas, e na qual criou sua primeira Helena, vivida por Lílian Lemmertz. No entanto, ao escrever Sol de Verão, Maneco sofreu um forte abalo em razão da morte de Jardel Filho, ator da trama e amigo do novelista. Depois disso, ele deixa a emissora e assina duas tramas na Rede Manchete: a minissérie Viver a Vida, em 1984, e a novela Novo Amor, em 1986. Dois anos depois, escreve a minissérie O Cometa, na Band, retornando à Globo logo depois.

A partir de Felicidade, todas as suas protagonistas passam a atender pelo nome de Helena, mantendo algumas características comuns a todas elas, que, muitas vezes, fugiam do politicamente correto. A Helena de Maitê Proença é considerada uma das mais politicamente incorretas dentre todas, já que se casa pelo interesse de deixar a sua terra natal, e se cerca de mentiras para encobrir a verdade sobre a paternidade de sua filha. Felicidade também marcou a estreia de Viviane Pasmanter em novelas, já vivendo a antagonista tresloucada da trama. Viviane se tornaria uma das atrizes preferidas de Maneco, tendo atuado também em Por Amor, Páginas da Vida e Em Família.

Felicidade é uma das mais queridas novelas de Manoel Carlos, tendo angariado fãs ardorosos em sua exibição original, e também em suas reprises, no Vale a Pena Ver de Novo (quando foi totalmente picotada e exibida em apenas 55 capítulos) e no canal Viva. Foi a primeira novela da Globo a ter sua direção geral assinada por uma mulher, Denise Saraceni. Para escrever a história, Maneco se inspirou em personagens de Aníbal Machado, baseando-se nos contos “Tati, a garota”; “A morte da porta-estandarte”; “Viagem aos seios de Duília” e “O Piano”.

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Reveja a cena em que Helena finalmente revela à filha Bia quem é o seu pai: