Há 18 anos, saía do ar a saudosa Rede Manchete

Publicado há 4 anos
Por André Santana
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No dia 10 de maio de 1999, a Rede Manchete colocava um ponto final na sua conturbada trajetória. Foi neste dia que a emissora de Adolpho Bloch encerrou as suas transmissões, sendo sucedida pela TV!, que se tornaria a RedeTV! em novembro do mesmo ano.

Inaugurada em junho de 1983, a Rede Manchete pertencia ao Grupo Bloch, que publicava a revista Manchete através da Bloch Editores. Em seus 16 anos de existência, a Manchete fez história na televisão brasileira, tendo uma identidade muito bem definida e uma grade de programação variada, na qual se destacavam as coberturas esportivas e do Carnaval, o jornalismo, os infantis e, principalmente, a teledramaturgia. A emissora criou um padrão próprio na produção de novelas e minisséries, tendo cravado algumas produções no imaginário popular.

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Sua primeira novela foi Antonio Maria, de 1985, escrita e dirigida por Geraldo Vietri. No entanto, seu primeiro sucesso no segmento foi sua sucessora, Dona Beija, protagonizada por Maitê Proença. Escrita por Wilson Aguiar Filho, o folhetim se destacou pelo bom texto e pelas polêmicas cenas de nudez. São lendárias as cenas da personagem-título cavalgando nua. A sensualidade, aliás, seria uma constante na produção de teledramaturgia da Rede Manchete, que exibia suas novelas num horário mais tardio.

Outras produções em teledramaturgia da Manchete também se destacaram no decorrer dos anos 1980, como Corpo Santo, Helena, Kananga do Japão e Carmem, esta última assinada por Gloria Perez e protagonizada por Lucélia Santos. No entanto, o maior sucesso da história da emissora viria em 1990: Pantanal, de Benedito Ruy Barbosa. A saga da família Leôncio e a história de Juma (Cristiana Oliveira), a “moça que virava onça”, fez a audiência da Manchete ir às alturas, chegando aos 30 pontos no Ibope. Um fenômeno que nunca mais se repetiria.

No entanto, outras novelas da Manchete chamaram a atenção, como A História de Ana Raio e Zé Trovão e Xica da Silva, outro sucesso. Brida, sua última produção, também entrou para a história, mas não por um bom motivo: com problemas financeiros, a emissora interrompeu a produção da obra, exibindo um último capítulo no qual um locutor narrava os desfechos dos personagens.

A Manchete também fez história na programação infantil. Foi a emissora que revelou Xuxa Meneghel e Angélica, que apresentaram, em fases distintas, o Clube da Criança. Além disso, o canal exibiu infantis como Lupu Limpim Clapá Topô, Dudalegria, A Turma do Arrepio e Clube do Seu Boneco, entre muitos outros. Mas a maior marca da emissora nesta seara foi mesmo a exibição de desenhos e séries japoneses, como Jaspion, Changeman, Solbrain, Winspector, Patrini, Os Cavaleiros do Zodíaco, Shurato, Sailor Moon e Yu Yu Hakusho, entre tantos outros.

O canal também tinha um jornalismo forte, visto em programas como Jornal da Manchete, Manchete Esportiva, Programa de Domingo, Repórter Manchete, entre outros. Pela emissora, passaram nomes como César Filho, Clodovil, Márcia Peltier, Claudete Troiano, Lucinha Lins, Ferreira Neto, Roberto D’Ávila, Otávio Mesquita, Sérgio Mallandro, Luiz Bacci, Tiririca, Virgínia Novick, e até os irmãos Sandy e Junior, que apresentavam o Sandy & Jr Show nas noites de sábado.

No entanto, a Rede Manchete não sobreviveu a tantas dívidas acumuladas ao longo de toda a sua existência, e acabou sendo extinta no ano de 1999. Mas nunca deixou de existir na memória afetiva do espectador, que guarda com carinho bons momentos proporcionados por uma emissora que buscava ser uma opção de qualidade. Afinal, já repetia o slogan: “aconteceu, virou Manchete”.

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