Há 18 anos, a musa sadomasoquista Tiazinha virava heroína em seu próprio seriado

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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No dia 04 de outubro de 1999, às 20h, a Band lançava a série As Aventuras de Tiazinha. A ideia era aproveitar a popularidade da personagem Tiazinha (Suzana Alves), que depilava marmanjos no programa H, de Luciano Huck, numa atração só dela. Assim, foi criada a nova série, que transformava Tiazinha de musa sadomasoquista a heroína futurista. A estreia foi no mesmo dia em que Otaviano Costa estreava no comando do H, quando Luciano Huck se transferiu para a Globo.

Tiazinha foi uma personagem criada por Luciano Huck para sua atração diária na Band. Vestida de lingerie e máscara, e empunhando um chicote, a moçoila fazia caras e bocas no palco do H, enquanto Luciano chamava adolescentes para responder perguntas num game. A cada resposta errada, Tiazinha depilava a perna ou o peito do guri, levando a plateia ao delírio. A personagem foi um grande sucesso da época, tornando-se uma marca poderosa e chegando até a lançar um disco. Assim, para aproveitar a popularidade de Tiazinha, a Band passou a formatar um programa solo para ela, surgindo a ideia de As Aventuras de Tiazinha.

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As Aventuras de Tiazinha passou por uma série de mudanças e adiamentos antes de entrar no ar. A previsão inicial era que a série entrasse no ar no dia 13 de junho de 1999, um domingo, mas que fosse exibida de segunda a sexta, em episódios de 10 minutos, e teria todos eles reapresentados em formato de maratona no final de semana. Na série, Suzana Alves vivia Ditiara, uma descendente indígena que trabalha como fotógrafa, e que se transformava em Tiá, uma heroína que lutava contra o vilão Klaxtor (André Abujamra).

No entanto, a direção da Band ficou insatisfeita com a produção e mandou refazer tudo. Assim, o conceito da série foi totalmente modificado, tornando-se a trama que foi vista na estreia propriamente dita, em outubro de 1999. Na nova versão, Suzana era Su-013, uma órfã que vivia no futuro e foi criada num reformatório. Descobrindo ter poderes especiais, ela é treinada para se tornar uma Zeladora, na Lua, mas ela foge e se esconde no Paraíso, onde aprende a lutar. Tornando-se Tiazinha, ela é encontrada por Bradbury, um gênio cuja consciência virtual se torna o mentor da heroína. Aos 18 anos, ela se muda para VipSec, onde se torna uma apresentadora de TV que, nas horas vagas, luta contra as grandes corporações que querem dominar Trônix, uma megalópole formada pela união de São Paulo e Rio de Janeiro.

O grande barato desta primeira fase de As Aventuras de Tiazinha era seu visual descolado, idealizado pela Fábrica de Quadrinhos, parceira da Band na produção. Todo o clima da série buscava emular as HQ’s de super-heróis, e até mesclava cenas de atores com animações. Todo o visual de Trônix era feito em computação gráfica, que pode até soar tosco nos dias de hoje (veja no vídeo abaixo), mas que era uma novidade interessante na época. Na verdade, As Aventuras de Tiazinha acabou se mostrando como uma ousadia da Band, já que era a primeira vez que um canal brasileiro apostava numa série com cores de fantasia e ficção científica. Foi uma boa experiência, apesar dos pesares.

Mesmo assim, As Aventuras de Tiazinha foi um fiasco. Com Ibope em torno dos 2 pontos, a produção rendia pouco pelo valor do investimento. O fracasso tem vários motivos. Primeiro, porque a série tinha um conceito bastante elaborado e intrincado, mas os episódios curtos, de cerca de 10 minutos de duração, não comportavam tanta informação, o que levava a surgir vários fatos sem explicação. Segundo, porque houve um erro de concepção grave, afinal, a Band transformou uma personagem sexy e que era famosa por ser “malvadinha” numa heroína séria e boazinha, protagonizando uma série de forte apelo infanto-juvenil. Ou seja, nada a ver com o seu passado de depiladora de adolescentes com os hormônios em ebulição que frequentavam o H.

Tal erro de concepção foi notado pelo escritor Marcelo Rubens Paiva, que escreveu uma análise da série para a Folha de S. Paulo dois dias depois da estreia. “Ela é um personagem erotizado, criado para dar audiência (…). Curiosamente, como acontece com É o Tchan, que nasceu com um pé no lascivo, tenta conquistar o público infanto-juvenil. Em As Aventuras de Tiazinha, que estreou anteontem na Bandeirantes, não tem saracoteio. É infanto-juvenil pseudo-sério”, afirmou.

Como As Aventuras de Tiazinha não deu o retorno esperado, a série passou por uma reformulação completa, que levava Tiazinha ao presente, tornando-se uma apresentadora de TV que esbarrava em famosos. A coisa ainda não se modificou, até que Marcelo Rubens Paiva, por conta de sua crítica à estreia da atração, acabou convidado para escrever novos episódios. A ideia era que ele resgatasse o espírito original de Tiazinha, trazendo de volta seu apelo adulto e sua porção mais “malvada”, além de imprimir humor ao seriado. Surgia, então, As Novas Aventuras de Tiazinha. Na nova fase, Tiazinha se casa com Rodrigo (Eriberto Leão, namorado de Suzana na época) e se torna uma depiladora, e o enredo passa a mesclar fatos reais e imaginários da vida de Suzana.

No entanto, as reformulações também não deram certo e a Band optou por interromper a produção de As Aventuras de Tiazinha em maio de 2000. A personagem ainda seria a protagonista de As Aventuras Eróticas de Tiazinha, uma espécie de história em quadrinhos lançada pela Playboy, onde a heroína combatia o crime nua (!). Depois disso, Suzana Alves abandonou a máscara de vez.

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Veja o episódio de estreia de As Aventuras de Tiazinha:

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