Gloria Perez e Jayme Monjardim comemoram a volta de O Clone

Sucesso de 2001 está de volta no Vale a Pena Ver de Novo em 4 de outubro

Publicado em 21/09/2021 21:07
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A partir de 4 de outubro, O Clone, um dos maiores sucessos da teledramaturgia, está de volta no Vale a Pena Ver de Novo. A novela, que permanece viva na memória do público após 20 anos da exibição original, também é um marco forte na carreira da autora Gloria Perez e do diretor Jayme Monjardim, que inovaram ao abordar uma história que mistura clonagem humana e cultura árabe tendo como fio condutor o amor proibido entre a muçulmana Jade (Giovanna Antonelli) e o brasileiro Lucas (Murilo Benício).

O Clone também fez a diferença na realização de uma campanha antidrogas desenvolvida por conta dos personagens Mel (Débora Falabella), Nando (Thiago Fragoso) e Lobato (Osmar Prado). E não falta humor na trama, especialmente no bar de Dona Jura (Solange Couto), o grande ponto de encontro dos moradores do bairro de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, e espaço para participação de personalidades.

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Os bordões de diversos personagens divertiram o público e ganharam as ruas, como “Né brinquedo não!”, de Dona Jura, e ‘Cada mergulho é um flash’, de Dona Odete, vivida pela saudosa Mara Manzan.

“Sinto muita alegria em revisitar esse universo. E acho que esse é um dos motivos que levam o público a gostar tanto de rever novelas. Durante um tempo das nossas vidas convivemos com os dramas daqueles personagens, eles se tornam íntimos de nós. Revê-los é revisitar também um tempo do nosso passado. O Clone foi um trabalho maravilhoso de fazer, era uma equipe tão unida, tão apaixonada… Isso transparece na tela”, conta a autora Gloria Perez.

O diretor Jayme Monjardim não pensa duas vezes ao elencar O Clone como um dos trabalhos que mais impactaram sua trajetória. “Essa novela é um marco na minha vida, sempre digo que os trabalhos são como filhos, e alguns deles como O Clone e Terra Nostra, por exemplo, vivi de forma muito intensa, eles irão estar comigo para sempre no coração. O Clone é uma novela mágica e é muito bom que ela esteja de volta. Me emociono assistindo às chamadas da programação”, revela Jayme.

Abaixo, autora e diretor comentam a volta da novela.

Gloria Perez

A escritora de novelas Glória Perez (Divulgação / Globo)

O que sentiu quando soube que O Clone iria ao ar novamente 20 anos após a exibição original?

Alegria, muita alegria de revisitar esse universo. E acho que esse é um dos motivos que levam o público a gostar tanto de rever novelas. Durante um tempo das nossas vidas convivemos com os dramas daqueles personagens, eles se tornam íntimos de nós. Revê-los é revisitar também um tempo do nosso passado. O Clone foi um trabalho maravilhoso de fazer, era uma equipe tão unida, tão apaixonada. Isso transparece na tela.

Relembre um pouco o processo de pesquisa para escrever a novela, como se aprofundou na cultura muçulmana e no tema da clonagem humana.

Fiquei 20 dias no Egito e também cerca de 20 no Marrocos, convivendo com pessoas típicas do local. Era isso o que eu queria buscar: o muçulmano médio. Fiz amizade com o guia que nos acompanhou na viagem e convivi muito com a família dele, com os amigos dele, de modo a poder observar os costumes, as maneiras, a forma como viam a si próprios e como nos viam também. Por outro lado, estive em diálogo constante com o sheik Jihad, que me presenteou com um Alcorão. Li o Alcorão e dali retirei os ensinamentos do progressista tio Ali (Stênio Garcia) e do fundamentalista tio Abdul (Sebastião Vasconcellos). Tivemos sempre o maior cuidado para não ferir suscetibilidades religiosas.

O que a levou a unir os dois assuntos – cultura muçulmana e clonagem humana – em uma mesma história?

O ponto de partida foi a ovelhinha Dolly. Se era possível clonar uma ovelha, não seria possível clonar um ser humano? Quis falar dos conflitos de identidade inerentes a uma experiência assim. Como se sentiria uma pessoa feita em laboratório como cópia de outra? Quis falar dos limites éticos da ciência, e para isso resgatei duas personagens icônicas de Barriga de Aluguel: o humanista Dr. Molina (Mário Lago) e a transgressora Miss Brown (Beatriz Segall). Para se contrapor a esse ocidente que desafiava Deus criando a vida, fui buscar uma sociedade inteiramente submetida a Deus: os muçulmanos. Por isso eles entraram na trama.

A novela também abordou o uso de drogas, que infelizmente ainda assombra muitas famílias. Como foi a pesquisa para retratar o tema e o resultado da campanha socioeducativa?

Meu método é antropológico: chego perto, convivo. Percebia que tudo o que sabia sobre dependência química era a visão da polícia, dos médicos. E quis observar os dependentes. Pensar a campanha do ponto de vista deles. Essa foi a chave de ela ter sido tão bem-sucedida. Frequentei muitas clínicas, conversei com pessoas internadas e com outras que tinham conseguido superar a dependência. A trajetória de Mel (Débora Falabella) foi intercalada com depoimentos de dependentes, internados ou não, contando sua experiência, seu fundo de poço. E também de seus familiares. Era o recado duro e sofrido de quem vivia o problema. E foi imensa a escuta. A campanha recebeu prêmio da Sociedade de Medicina e repercutiu até no exterior: nos Estados Unidos ganhamos prêmios do FBI e do DEA.

Os bordões ganharam as ruas e nunca foram esquecidos. Como foi a criação deles?

Os bordões nascem da escuta. De andar na rua, de frequentar ambientes populares, como a gafieira, por exemplo.

Como você acredita que a novela será recebida agora, já que nossa sociedade está em constante mudança?

O ser humano é essencialmente o mesmo, desde que o mundo é mundo. Seus instintos básicos estão ali. Cada época valoriza algumas dessas características e reprime outras, mas a essência não muda. É nisso que eu foco. Acredito que quando você consegue tocar o humano, as histórias se tornam atemporais. Podem ser compreendidas em qualquer época e por culturas muito diferentes.

O que O Clone representa em sua tão bem-sucedida carreira?

Representa muito. Escrever é uma maneira de buscar compreender o universo que você retrata. De ampliar sua visão de mundo. O Clone me deu isso. E me encheu de emoção pelas vidas que foi capaz de tocar, fazendo com que tantos dependentes químicos buscassem tratamento por vontade própria, que suas famílias compreendessem o que se passava com eles, e que muitas pessoas, impressionadas com a crueza com que a história foi contada, tenham desistido de experimentar a droga.

Imaginava que Dona Jura e o núcleo de São Cristóvão ficaria tão popular? Para quais personagens ou núcleos mais gostava de escrever?

Ah, imaginava sim. Dona Jura é a cara da mulher brasileira que toca a vida sozinha. Não tinha preferencias por nenhum núcleo. Todos eles eram essenciais para o resultado final do quadro que eu queria mostrar.

Jayme Monjardim

Jayme Monjardim (Divulgação)

O que sentiu quando soube que O Clone iria ao ar novamente 20 anos após a exibição original?

Quando soube que a novela seria reexibida fiquei muito feliz, pois é uma obra incrível que aborda a clonagem e o mundo muçulmano de forma muito mágica. A Gloria escreveu os personagens e o universo por onde eles caminham carregados de magia, exploramos de forma linda o Marrocos, desde Marrakech, até Fez e o deserto do Saara. Juntamos o que tinha de mais bonito no Marrocos e isso deu um charme, impactou na imagem e na obra como um todo. É muito bom que a novela esteja de volta e mais pessoas possam assisti-la.

Como foi gravar por mais de um mês no Marrocos?

Ficamos de 45 a 50 dias, era muito deslocamento em várias cidades do Marrocos. Trabalhamos em Fez, Marrakech, Darfur e muitos outros lugares, então nossa estadia foi longa. Gravamos sob um calor de 50 graus, mas foi inesquecível, faria tudo de novo.

Quais foram os maiores cuidados para abordar os principais temas: cultura muçulmana, clonagem e uso de drogas?

Uma das coisas mais importantes foi o cuidado para falar de um tema novo, a clonagem. A Gloria estudou muito, estava dominando esse processo, e depois mostrar para todos o universo da campanha contra as drogas, para que as pessoas entendessem o que realmente acontece, como identificar se algum parente seu está começando a se envolver, quais são os sinais. Nas conversas com o dependentes químicos tomamos muito cuidado para trazermos a realidade, sermos delicados na hora de abordar o tema e tomamos todos os cuidados possíveis na captação de imagens. Foi uma campanha maravilhosa que fizemos e que deu muito certo, num momento muito importante. Foi uma das maiores campanhas que a televisão fez até hoje.

O que O Clone representa em sua carreira?

Essa novela é um marco na minha vida, sempre digo que os trabalhos são como filhos, e alguns deles como O Clone e Terra Nostra, por exemplo, vivi de forma muito intensa, eles irão estar comigo para sempre no coração. O Clone é uma novela mágica e é muito bom que ela esteja de volta. Me emociono assistindo às chamadas da programação.

A atuação do elenco foi muito importante para o resultado da obra. Quais foram suas maiores surpresas?

Sempre digo que a novela escolhe seus atores. Por mais que às vezes a gente queira muito um ou outro ator, é incrível porque vão acontecendo coisas e você acaba não tendo aquele ator e vem outro que acaba sendo muito melhor do que o que você tinha escolhido. É incrível, isso aconteceu em O Clone e acontece muito.

Qual a principal lembrança que guarda das gravações?

As lembranças são as melhores. Eu já tinha morado no Marrocos quando pequeno com a minha mãe, mas acabei tendo uma grande vivência nesse universo árabe com a novela que foi muito importante para minha vida e meu crescimento pessoal.

Qual núcleo era mais interessante dirigir?

A novela como um todo, mas claro que o núcleo que morava no Marrocos era muito interessante pelos costumes, pelas danças…Mas o mais importante é que quando implantamos uma novela, damos um tom, e cada núcleo tinha sua importância e seu significado. Para mim sempre é mais importante conceituar o trabalho como um todo e cada pedacinho da novela tem o seu encanto.

Em suas produções normalmente a música antecede a criação da teledramaturgia. A trilha sonora de O Clone foi muito marcante, especialmente a trilha incidental. O que você recorda do processo de elaboração de toda a trilha sonora da trama?

A trilha de O Clone é muito marcante, como alguns outros trabalhos que já fiz com o Marcus Viana. Quando você pensa na trilha de O Clone percebe que música, imagem e texto se completam. A Miragem definia a Jade, quando você escuta essa música e o refrão ‘somente por amor a gente põe a mão…’ você vê a novela ali. Acho que esse entrosamento da música com imagem e texto faz com que você nunca mais esqueça alguns momentos da história.

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