Globo Repórter celebra 45 anos com sucesso e em plena forma

Publicado há 3 anos
Por Fábio Costa
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Após a experiência bem-sucedida do Globo Shell Especial, jornalístico patrocinado pela empresa de combustíveis Shell exibido mensalmente entre 1971 e 1973, a Rede Globo decidiu bancar ela mesma uma experiência no gênero, com mais liberdade editorial e sem marca de patrocinador no nome da atração, prática já em desuso na época. Nascia assim o Globo Repórter, cuja primeira edição foi ao ar em 3 de abril de 1973, uma terça-feira, às 23h. Já em 1974 passou para as 21h, logo após a novela das 20h da emissora – posição que ainda mantém, embora a novela tenha passado a ser das 21h, entre no ar entre 21h15min e 21h30 e o jornalístico já esteja perto das 23h novamente.

Globo Repórter faz diferença na TV sem apelar por audiência

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Servindo tanto como um espaço para divulgação científica, informações sobre países e povos do mundo todo, o mundo animal, comportamento e transformações sociais quanto cumprindo o papel de ir mais a fundo na abordagem de temas tratados no dia a dia pelos telejornais, o Globo Repórter é hoje o programa jornalístico no ar há mais tempo na televisão brasileira, com uma fórmula consagrada e imitada pela concorrência.

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Com recursos ainda escassos para produzir um jornalístico baseado em gravações externas, a solução no começo foi fazer cinedocumentários, calcados nas imagens, nos depoimentos dos entrevistados e no poder da narração dos locutores. Segundo o Projeto Memória das Organizações Globo, na edição de estreia foram apresentadas quatro reportagens de temas diversos: “o universo das escolas de samba; as iminentes eleições no Chile, Argentina e França; a carreira do piloto campeão de Fórmula-1 Emerson Fittipaldi; e a situação dos índios Siouxsie nos Estados Unidos”. Os ramos Pesquisa, Atualidade, Futuro, Artes, História, Ciência, Aventura e Documento foram utilizados na década de 1970 para segmentar os grandes temas gerais das reportagens do Globo Repórter. O trabalho de profissionais como Eduardo Coutinho, João Batista de Andrade, Walter Lima Jr., Fernando Pacheco Jordão, Guga de Oliveira e Maurice Capovilla contribuiu para que temas espinhosos para a época fossem tratados no programa, ainda que por vezes tenham sido censurados ou, de forma mais sutil, restritos em exibições apenas para as praças retratadas, como “A Escola de 40 Mil Ruas”, sobre os meninos de rua paulistanos, exibido apenas em São Paulo e substituído na rede por uma reportagem de “tema nacional”. Outros programas históricos do Globo Repórter dessa fase foram “O Último Dia de Lampião” (1975), “Seis Dias de Ouricuri” (1976), “Theodorico, o Imperador do Sertão” (1978), uma edição sobre o Caso Aracelli (1977), sobre a menina intoxicada, violentada e assassinada no Espírito Santo em 1973, e o censurado “Wilsinho Galileia” (1978), docudrama com o ator Paulo Eudes na pele do jovem marginal que havia sido morto recentemente na ocasião.

Outros profissionais de valor que estiveram envolvidos na produção, redação e direção do Globo Repórter nos anos 1970 foram Luiz Carlos Maciel, Washington Novaes, Georges Bourdoukan, Dib Lutfi, Gregório Bacic, Hermano Penna, Geraldo Sarno e Alain Fresnot. O diretor geral dos primeiros anos foi Paulo Gil Soares, e hoje a diretora é Silvia Sayão. No começo dos anos 1980, numa reformulação promovida após o fim do núcleo paulista do Globo Repórter e a concentração no núcleo de jornalismo carioca, era comum que um mesmo programa apresentasse mais de um tema, em reportagens de 15 a 20 minutos de duração, e só depois o padrão voltou a ser um único assunto dominar toda a edição. Essa fase teve como editor-chefe o jornalista Roberto Feith, que era correspondente da emissora em Londres. Em 1984 a função passou a ser exercida por Jorge Pontual, até 1995, quando foi substituído por Silvia Sayão como coordenadora editorial. Foi ainda nos anos 1980 que o videoteipe passou a ser utilizado largamente na produção das reportagens para o programa, em substituição ao filme, o que garantia maior agilidade no processo de gravação, edição e finalização do material.

Na primeira metade da década de 1990, com Celso Freitas à frente do programa, voltaram a ser feitas edições com mais de uma reportagem por semana, embora temas relevantes e de interesse no momento tivessem a preferência e tenham recebido edições inteiras dedicadas a eles, como a morte do piloto automobilístico Ayrton Senna (1994), a Guerra da Bósnia (1994), o cemitério clandestino no bairro paulistano de Perus com diversas ossadas de desaparecidos políticos durante o regime militar (1995), a morte dos integrantes da banda Mamonas Assassinas (1996) e a entrevista exclusiva da fraudadora da Previdência Social, Jorgina de Freitas (1997).

Sérgio Chapelin, que esteve no primeiro Globo Repórter e está nele hoje, é a cara do jornalístico. Na celebração dos 40 anos do programa no Vídeo Show, em 2013, o apresentador declarou que tanto não esperava que a atração durasse tanto tempo quanto que ele mesmo ainda estivesse na televisão tanto tempo depois. Mas nesses 45 anos Cid Moreira e Eliakim Araújo também apresentaram o Globo Repórter, e desde 2010 Glória Maria divide o comando do programa com Chapelin quando não está numa de suas viagens intrépidas mundo afora. A jornalista, que antes de entrar no programa das sextas havia passado dois anos fora do ar e dez comandando o Fantástico ao lado de Pedro Bial, inaugurou nova fase em sua carreira.

Nos anos 2000, especialmente por conta de investidas da concorrência como os filmes arrasa-quarteirão da sessão Tela de Sucessos, do SBT, as noites de sexta passaram a ser menos confortáveis para a Globo, que viu o Globo Repórter perder em diversas ocasiões. Foi também o auge de críticas da própria audiência em relação à repetição de pautas, apelidando o programa de “Globo Animal”, por exemplo, numa referência a assuntos muito recorrentes a cada semana. Mas a audiência perdida foi recuperada graças a movimentos errados da mesma concorrência e a outros, corretos, de sua equipe, que diversificou ainda mais os repórteres convidados a fazer reportagens pelo Brasil e pelo mundo, dando espaço a figuras muitas vezes conhecidas apenas em mercados locais, e a uma leveza no tratamento de temas de interesse geral, saúde, comportamento e qualidade de vida, sem descompromisso com a seriedade jornalística. Hoje, a audiência média do Globo Repórter é de 24 milhões de espectadores por edição, sendo 30% deles pertencentes às faixas A e B e outros 52% integrantes da classe C, ótima marca para um programa que vai ao ar na sua faixa horária.

O famoso e inconfundível tema do programa é uma versão instrumental da “Freedom of Expression”, que toca no filme Corrida Contra o Destino, de 1972. Nos primeiros tempos o jornalístico utilizava a mesma versão executada no filme, por J. B. Pickers (nome dado ao conjunto de músicos contratados liderados pelo compositor e produtor da música, Jim Bowen), mas depois foram sendo feitos novos arranjos.

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