Flops dos últimos anos: quais foram as novelas menos vistas de 2010 a 2019?

Publicado há 9 meses
Por Fábio Costa
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Já que citamos quais foram as novelas de maior audiência de 2010 a 2019, também é válido ir na contramão e apresentar aquelas que, embora por vezes tenham conquistado números expressivos e satisfatórios para suas emissoras, acabaram entrando para a galeria das novelas menos vistas do período. Vejamos quais foram elas. A saber, os números considerados para a listagem são os da média geral da audiência conquistada. Sem levar em conta eventuais altos picos, por exemplo.

Trinca de autores não conseguiu conduzir ao sucesso um cartaz das 21h da Globo

Meme de Babilônia (Reprodução)

E é claro que não falamos de outra novela que não Babilônia, exibida em 2015. Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga pareciam surgir com uma história com poder de fogo capaz de elevá-la a um grande sucesso. No entanto, o público rejeitou diversos elementos da história de cara. Ademais, uma forte campanha de setores da sociedade contra a abordagem de temas como a homossexualidade e a corrupção por parte de um político supostamente evangélico comprometeu o bom andamento do projeto.

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A proposta era contrapor duas vilãs, Beatriz (Glória Pires) e Inês (Adriana Esteves), uma pior do que a outra, a uma mocinha honesta a todo custo, Regina (Camila Pitanga). Esta foi tachada de chata, enquanto a rivalidade das outras não chamou a atenção. Embora Glória Pires e Beatriz tenham rendido um dos grandes memes do ano já no primeiro capítulo com o “Não estou disposta”. De modo que infelizmente Babilônia passou à história como um grande fracasso, com 25,4 pontos de média geral. Junto com ela nas piores posições do horário desde 2010 estão A Lei do Amor (2016/17), com 27,2, e A Regra do Jogo (2015/16), com 28,5. É… não foram anos fáceis.

Às 19h, os autores de um grande sucesso viveram problemas no trabalho seguinte

Jonas Marra (Murilo Benício) em Geração Brasil (Divulgação/ TV Globo)

Depois do grande sucesso de Cheias de Charme (2012), seus autores Filipe Miguez e Izabel de Oliveira foram cercados de expectativas em uma nova investida, que ocorreu em 2014. Todavia, desta vez a coisa mudou de figura. Geração Brasil, que mesclou enredo de novela com uma temática supostamente jovem, falando de tecnologia, informática e com um protagonista à la Steve Jobs, Jonas Marra (Murilo Benício), foi atrapalhada até pela Copa do Mundo FIFA de Futebol e fechou com média geral de 19,4 pontos. De maneira que isso faz dela a líder entre as novelas menos vistas do horário desde 2010.

Na segunda colocação vem sua antecessora na faixa, Além do Horizonte, de Marcos Bernstein e Carlos Gregório, com 19,7. Em terceiro lugar vem Alto Astral, que substituiu Geração Brasil e teve 22 pontos de média geral. Só para ilustrar, a novela foi escrita por Daniel Ortiz com base numa sinopse deixada pela novelista Andréa Maltarolli, falecida em 2009.

Novela de autor português foi a menos vista às 18h na Globo desde 2010

Isis Valverde e Marco Pigossi em Boogie Oogie (Divulgação/ TV Globo)

De 2010 para cá, a líder entre as novelas menos vistas na faixa das 18h da Globo foi a que marcou o lançamento de um novo autor, o português Rui Vilhena. Ele lançou Boogie Oogie em agosto de 2014. Anteriormente, Rui havia colaborado com Aguinaldo Silva em Fina Estampa (2011/12). Ademais, em Portugal o novelista assinou trabalhos de êxito como Sedução e Ninguém Como Tu nos anos 2000, além de ter atuado no roteiro da segunda versão de Vila Faia, primeira novela produzida naquele país. Mas esse êxito não atingiu a novela global, que por aqui fechou em 17,4 pontos de média geral. Com 17,8 pontos ficaram Meu Pedacinho de Chão (2014), de Benedito Ruy Barbosa, e Espelho da Vida (2018/19), de Elizabeth Jhin, a despeito de sua grande qualidade e de muitos elogios da crítica especializada.

No horário das 23h, empate técnico entre dois remakes entre as novelas menos vistas

Personagens de Saramandaia (Divulgação/ TV Globo)

A Globo estreou em 2011 o horário das 23h para novelas mais curtas, e em seus primeiros anos a tônica foi de refazer títulos clássicos. Entre 2011 e 2014, foram exibidas novas versões de O Astro, Gabriela, Saramandaia e O Rebu, uma por ano. As duas últimas registraram 15 pontos de média geral, ante índices mais próximos dos 20 nos projetos anteriores. Saramandaia foi escrita por Ricardo Linhares, com base no original de Dias Gomes de 1976. José Mayer, Lília Cabral, Leandra Leal, Débora Bloch e Gabriel Braga Nunes viveram os papéis centrais.

Por sua vez, O Rebu foi criada por Bráulio Pedroso em 1974 e recriada por George Moura e Sérgio Goldenberg, com Patrícia Pillar, Tony Ramos, Marcos Palmeira, Sophie Charlotte e Daniel de Oliveira à frente do elenco. Com efeito, entre 2015 e 2018 a emissora apostou em histórias inéditas para sua faixa das 23h, cujas novelas passaram a ser chamadas de superséries.

Das temporadas de Malhação, a menos assistida desde 2010 foi…

Casa Cheia, exibida entre 2013 e 2014 e de autoria das escritoras Ana Maria e Patrícia Moretzsohn, mãe e filha. As irmãs Anita (Bianca Salgueiro) e Sofia (Hanna Romanazzi), filhas de Vera (Isabela Garcia) com seu ex-marido Caetano (Paulo Betti), formam um triângulo amoroso com Ben (Gabriel Falcão), brasileiro criado nos Estados Unidos. O título da temporada vem do casarão onde Vera juntou sua família com a do novo marido, Ronaldo (Tuca Andrada), e que era alvo da cobiça de Maura (Alexandra Richter). Dona de uma casa de festas vizinha do casarão, ela desejava expulsar a família do imóvel para incorporá-lo a seu empreendimento. A média geral da temporada, que permaneceu 11 meses no ar, foi de 14,1 pontos. Mais de seis pontos abaixo dos resultados da mais vista, Viva a Diferença.

Entre as novelas menos vistas dos últimos anos, uma produção audaciosa da Record TV

Rayanne Moraes caracterizada como Pietra (Divulgação)

Exibida em 2017, Belaventura reinaugurou um segundo horário de novelas na Record TV, depois de anos apostando apenas em um. Escrita por Gustavo Reiz, a história era ambientada na Idade Média, num reino que batizava o projeto. Em Belaventura, as intrigas palacianas e as dificuldades dos romances eram alinhavadas junto a um empenho de produção que embarcou na recente onda do tema. Rayanne Morais (Pietra) e Bernardo Velasco (Enrico) foram os protagonistas. Com efeito, até a Globo embarcou nessa onda, com sua Deus Salve o Rei (2018). Mas não foi suficiente para chamar a atenção da audiência da emissora, e a novela fechou com 5,8 pontos de média geral.

Na década das histórias infantojuvenis no SBT, entre as novelas menos vistas está justamente uma direcionada aos adultos

Eduardo (Flavio Tolezani) e Amanda (Patrícia Barros) em Corações Feridos (Lourival Ribeiro/SBT)

Embora desde 2012 a dramaturgia inédita brasileira do SBT tenha se reduzido a apenas um horário, e tenham sido feitas apenas novelas infantojuvenis, não podemos deixar de considerar para uma listagem como essa as novelas adultas produzidas anteriormente. De maneira que uma delas acabou entrando para a galeria das novelas menos vistas desde 2010. Não é outra senão Corações Feridos (2012), escrita por Íris Abravanel a partir de um original de Caridad Bravo Adams.

A TV brasileira já havia conhecido duas versões da mesma história: Calúnia (1966), na TV Tupi, e A Mentira, mexicana exibida em 2000 pelo próprio SBT. Flávio Tolezani, Patrícia Barros, Cynthia Falabella e Victor Pecoraro foram os protagonistas da novela, que teve média geral de 4,6 pontos. Com quase nada a mais (4,7) ficou Amor e Revolução (2011), de Tiago Santiago. Graziella Schmitt, Cláudio Lins e Lúcia Veríssimo foram os atores principais da história, ambientada na época da ditadura militar.

Na Band, novelas turcas tiveram altos e baixos

Os protagonistas de Asas do Amor, Seda Bakan e Kadir Dogulo (Divulgação)

Apesar de terem conquistado um público fiel, as novelas turcas da Band nunca chegaram a índices muito expressivos se comparados aos de SBT e Record. De modo que, enquanto as bíblicas de uma e as infantojuvenis da outra viram várias vezes os dois dígitos de audiência, a Band com as turcas ficou entre um e dois pontos na maioria das ocasiões. Exibida por aqui em 2018 durante pouco mais três meses, Asas do Amor fechou com 1,4 de média geral. Minha Vida, exibida entre 2018 e 2019, registrou um pouco mais, 1,8. Todavia, não foi satisfatório para a emissora, que inclusive não apenas encerrou-a sem exibir a íntegra da novela, como também colocou em seu lugar uma produção portuguesa, Ouro Verde. Até a reprise precoce de Mil e Uma Noites em 2017, dois anos depois da exibição original, teve mais público, chegando a dois pontos de média.

Desempenho de algumas reprises mostrou que para o público nem sempre Vale a Pena Ver de Novo

Thiago Fragoso era o protagonista de O Profeta (divulgação)

Entre as novelas menos vistas de 2010 para cá no Vale a Pena Ver de Novo, três delas registraram desempenho bastante aquém do comum na sessão. Uma já havia tido repercussão mediana às 19h em 2007/08 durante sua exibição original: Sete Pecados, de Walcyr Carrasco. A precoce reapresentação levada ao ar no último trimestre de 2010 atingiu 12,8 pontos de média geral.

No entanto, não foi o repeteco menos visto no período, posição que cabe a O Profeta (2006/07), supervisionada pelo mesmo Walcyr, mas escrita por Duca Rachid e Thelma Guedes. Sua média geral à tarde foi de 11,8 pontos, abaixo não apenas de Sete Pecados como também de Cobras & Lagartos (2006), de João Emanuel Carneiro. Embora tenha sido muito pedida durante quase 10 anos, seu retorno em 2014 registrou apenas 12,4 pontos. Só para ilustrar, foram todas reprises “inéditas”, mas ficaram abaixo de “rerreprises” como as de Mulheres de Areia (em 2011/12) e O Rei do Gado (em 2015).

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