Figurino de Nos Tempos do Imperador aposta numa abordagem realista

Beth Filipecki e Renaldo Machado assinam os figurinos da produção

Publicado em 3/8/2021
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Com mais de 35 anos de carreira, cerca de 50 novelas na TV Globo, sendo 15 delas retratando o século XIX, Beth Filipecki assina, com Renaldo Machado, o rico figurino de Nos Tempos do Imperador, novela das seis que estreia nesta segunda-feira (9). Por se tratar de uma história fictícia, mas com alguns personagens reais, o compromisso do figurino é com a honestidade.

Segundo Beth, assim como a trama e as demais áreas de produção, a intenção é que, com base nas pesquisas e na história real, o público tenha a oportunidade de ver figurinos da época e conheça mais sobre os personagens. A produção das roupas é toda feita nos Estúdios Globo, sendo 70% do material oriundo do acervo, que passa por uma customização em função dos tons da novela.

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“Fizemos um reaproveitamento total do acervo, mas mexemos nesse original. Também estamos evitando produzir lixo. Tecemos os fios na medida, e estamos construindo um figurino sustentável”, destaca Beth. Outra curiosidade é que cada personagem feminina tem uma cor predominante nas roupas, de acordo com seu perfil.

Em parceria com o figurino, a caracterização da novela é conduzida por Lucila Robirosa, responsável por manter o tom épico e realista dos personagens. Uma atenção à essência de cada personagem foi fundamental para a composição do visual como um todo. No caso de Dom Pedro II (Selton Mello), fica claro que foi um homem que não priorizava a roupa ou o visual. A caracterização do personagem foi inspirada em fotos históricas e promete chamar a atenção do público.

“Selton usa lentes azuis claras e terá momentos diferentes a cada passagem de tempo. Mais novo, estará com a sobrancelha marcada e barba castanha. Na fase seguinte, Selton quase não usa caracterizações. Após a Guerra do Paraguai, se perceberá um envelhecimento, com o cabelo branco e uma longa barba branca, que demora quatro horas para ser preparada”, detalha Lucila.

Beth complementa: “Dom Pedro II tinha uma aparência mais austera, sem interesse na competição da moda, mas cultuava barbas, bigode, um símbolo de masculinidade. Fazia questão de ter um traje puído e conquistar seu lugar através do trabalho”. Já a Imperatriz Teresa Cristina (Leticia Sabatella) segue o estilo comedido do Imperador, com vestidos em tom azul e diferentes perucas, que variam o penteado. A princesa Leopoldina (Melissa Nóbrega/Bruna Griphao) surge de lilás, e Isabel (Any Maia/Giulia Gayoso), de azul claro.

A Condessa de Barral (Mariana Ximenes), por sua vez, foi criada para que tivesse muita distinção, vivesse e soubesse se portar em qualquer lugar, assim como se vestir em diferentes ocasiões, sem exageros. Mariana Ximenes escureceu o cabelo para interpretá-la, usa lentes escuras e conta com cinco perucas diferentes, que mudam de acordo com os penteados.

Os vestidos da Condessa são de seda pura, mais sofisticados, em tons predominantemente verdes. Através da pesquisa ampla feita pela equipe, seu figurino busca traduzir o empoderamento da mulher também nas roupas da época, o que é representado nos trajes da jovem Pilar (Gabriela Medvedovski), por exemplo. A personagem é mais despojada e não usa espartilhos. O amarelo é a cor escolhida para ela, em tecidos mais rústicos e com elementos masculinos, simbolizando sua luta por espaços que, na época, não eram das mulheres.

“Ela representa a luz solar, a ideia da esperança, o que reproduz a liberdade. É progressista, está com a cabeça voltada para ser a primeira médica do Brasil. Junto com a irmã Dolores (Daphne Bozaski) foi criada sem mãe e sem afeto, por isso construímos um figurino mais seco, sem bordados, enquanto estão na fazenda”, conta Beth.

Na época, as classes em ascensão procuravam imitar os padrões dos grupos mais elevados, o que poderá ser visto nos figurinos de personagens como Jorge/Samuel (Michel Gomes). No início da trama, ele é um homem escravizado, até ser ajudado pela Condessa de Barral (Mariana Ximenes), quando passa a usar as vestimentas de Eugênio (Thierry Tremouroux): camisa, calça, chapéu e sapato. Por isso, ao chegar à Corte, ele aparenta ser um proprietário rural e não um homem da cidade.

Na sequência, após ser acolhido por Dom Olu (Rogério Brito), na região da Pequena África, vai usar roupas com elementos africanos. Neste núcleo, o conceito de liberdade passa por todos os personagens. Segundo a figurinista, o trançado do cabelo e nos tecidos representa a prisão. Quando as personagens se tornam livres, soltam as tranças, os nós e usam roupas mais soltas. “Temos a oportunidade de mexer nas roupas no corpo desses personagens para refletir seus níveis de liberdade”, detalha Beth.

Tonico (Alexandre Nero) é outro personagem cujo figurino passa por uma mudança, sempre retratando sua esquisitice. Quando está na fazenda, usa muitas peças em couro e outros materiais pesados, está sempre de botas. Quando chega à Corte e é eleito Deputado, começa a se preocupar mais com a aparência.

Essa mudança de visual com a chegada à cidade ganha ares cômicos na interpretação do casal João Batista (Ernani Moraes) e Lota (Paula Cohen). Recém-chegados do interior, compram tudo o que é novidade, mas têm de aprender a usar, sempre buscando seguir o exemplo da nobreza. Lota não está natural com suas roupas, parece usar uma armação. Batista passa por isso também. Não sabe ficar dentro das roupas e estranha.

“Lota vai ter perucas e apliques diferentes. Era a época do cabelo dividido ao meio e os cachos. Ela usa roupas com recortes em andares, crinolina, armação de baixo, mas toda caracterização da Família Pindaíba representa o exagero”, completa Beth.

Outro núcleo divertido que chama a atenção pelo figurino e a caracterização é o dos personagens Licurgo (Guilherme Piva) e Germana (Vivianne Pasmanter), que dão continuidade ao sucesso de Novo Mundo e herdam as roupas da produção anterior.

“Eles estão mais velhos, enrugados, maltratados, mas continuam porcos, sujos. Representam o que resta, mas com muita energia. A gente manteve tudo o que trouxeram, mas com adaptações. No lugar da roupa de cima, agora Germana está de ceroula. Temos todo cuidado e carinho com esses dois personagens”, explica Beth.

Vivianne Pasmanter usará uma peruca inteira e grisalha, diferente dos apliques da novela anterior. Além disso, terá manchas, pelos no rosto e verruga. Já Licurgo (Guilherme Piva) estará careca e com psoríase na cabeça. Ambos estarão quase sem dentes, com dentaduras. Com tantos efeitos, a dupla leva cerca de três horas para se caracterizar.

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