Falas da Vida: Chicão e Joãozinho Carnavalesco estão no especial da Globo

O programa apresentado por Zezé Motta será exibido no Dia Internacional dos Direitos da Pessoa Idosa

Publicado em 23/09/2021 20:25
Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

O abandono, o desrespeito e o preconceito com o idoso brasileiro são uma reclamação unânime entre os cinco personagens do especial Falas da Vida, que será exibido na TV Globo dia 1º de outubro, com apresentação de Zezé Motta, após a novela Império.

No Dia Internacional dos Direitos da Pessoa Idosa, eles representam na TV este grupo que soma aproximadamente 20 milhões de pessoas no Brasil. Tal queixa é uma realidade e a solidão pode ser uma consequência para muitos deles.

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Chicão, 89 anos, um dos personagens do especial, vive numa ILPI (Instituição de Longa Permanência para Idosos), em São Paulo, e escolheu o trabalho como o seu grande objetivo e meta de vida.

“Sempre quis trabalhar para lutar pela minha sobrevivência. Outros têm família, os filhos os ajudam, eles ajudam os filhos. A mulher trabalha, ajuda também o marido, sempre em conjunto. Como eu não me casei, toquei a minha vida sozinho, procurando lutar por mim mesmo. Não tive ninguém para me ajudar, não”, comenta Chicão, que foi pedreiro, ajudante geral e faxineiro, e hoje não tem ninguém além de suas lembranças e memórias.

Como diz a sabedoria popular, solidão não é estar só, é sentir-se só, e Chicão fez dos limões da vida uma limonada. Com seu jeito alegre e sempre disposto a ajudar quem quer que fosse, Chicão conquistou amigos ao longo da vida, que compensaram à sua maneira a falta de uma família.

“Trabalhei por seis anos como servente de pedreiro —, com dois anos eu já sabia trabalhar de pedreiro, mas e a coragem que eu tinha de enfrentar? Chegar na obra e pedir para ser pedreiro? Não é fácil você chegar sem estar preparado. Cheguei numa obra e o pedreiro disse que já tinha visto meu trabalho e que eu ‘acertava bem o tijolo’. Cheguei e fiz. O dono da construção era um coronel do exército italiano. Ele gostou de mim e eu fiquei trabalhando lá. Sabe quanto tempo eu trabalhei com ele? Foram 20 anos. Ele era patrão e amigo, e era irmão, e mais”, relembra Chicão.

O trabalho lhe trouxe amigos, assim como ir morar na ILPI. No local, seu Chicão é conhecido e querido por todos. É muito prestativo e uma de suas atividades preferidas é tirar abacate maduro do pé, além de receber novos hóspedes e fazê-los sentir-se bem ali. A solidão, contudo, manobrada durante toda a vida com os amigos que fez no trabalho, se faz presente quando pensa na família. Com sua participação no especial, Chicão espera que seus irmãos e sobrinhas o vejam na TV e saibam do seu paradeiro. A vida os afastou, pois cada um precisou sobreviver à sua maneira.

“Eu tenho sobrinhas que moram a duas horas de ônibus daqui. Tenho essa esperança, de que ela assista a esse programa na TV Globo e, caso me veja, queira descobrir onde é que fica essa casa dos velhinhos. Só isso que está nos meus pensamentos. Daí para a frente, não tem mais nada”, deseja Chicão.

Com uma trajetória de vida bem diferente de Chicão, Joãozinho Carnavalesco, outro personagem do especial, tem 74 anos e quatro filhos, cada um de uma mãe diferente. Ele flertou com o sucesso durante muito tempo da sua vida, fez parte do Trio Mocotó, Originais do Samba e segue carreira solo desde 1992. Hoje, vive com a renda de um salário mínimo e pequenos cachês de shows que ficaram mais raros nesses tempos de pandemia. Joãozinho mora com Lúcia, sua companheira há sete anos.

“Temos uma amizade muito grande. Fui despejado há alguns anos e foi ela quem me acolheu. Resolvemos um cuidar do outro. Ela tem 67 anos e muita disposição. Eu morava num apartamento na esquina da Ipiranga, em São Paulo, e não tive mais condições de pagar. Então veio uma ordem de despejo. A cada seis meses o oficial de justiça voltava. Durante quatro anos eu consegui levar, mas depois não teve mais jeito”, comenta o músico.

Joãozinho não imaginava que chegaria a esta idade tão bem como está. Seu pai morreu com 28 anos, teve um AVC. “Eu tinha sete anos na época. Quando me aproximei da idade que ele faleceu, comecei a ficar cabreiro. As pessoas costumam dizer que a morte é descanso, mas eu prefiro viver cansado mesmo (risos)”.

Extrovertido e brincalhão, responsabilidade foi algo pra Joãozinho que veio com o passar do tempo. “Quando você é novo, é muito inconsequente. Conforme vai envelhecendo, não faz mais nada de besteira. Eu era mulherengo pra caramba, agora chega. Não gosto de dormir fora de casa. Com o tempo, a gente adquire a experiência e vê que não vale a pena”, comenta.

Joãozinho é enfático ao falar sobre a falta de respeito com os idosos. “O idoso, aposentado, sofre discriminação no trabalho; não dão oportunidade, e isso leva muitos à depressão. O aposentado, o idoso, gosta de produzir e muitas vezes é o que sustenta a família. Os atendimentos nos hospitais, a educação, a cultura. Tudo é péssimo para os idosos”, lamenta.

Mas o compositor tenta sacodir a poeira e dar a volta por cima. “Quando eu subo no palco com a minha banda, deixo o astral lá no alto. Eu sambo, tenho a mesma energia de sempre. A diferença é que agora apareceram as dores pelo corpo (risos)”, brinca João.

Falas da Vida tem direção geral de Patrícia Carvalho, direção de Ivone Happ e roteiro assinado por Ines Stanisiere, com produção de Beatriz Besser. Rafael Dragaud é o diretor executivo e Mariano Boni, diretor de gênero. O especial vai ao ar na TV Globo no dia 1º de outubro, logo após Império; e será exibido ainda no GNT, dia 4 de outubro.

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Em Alta

Carregando...

Erro ao carregar conteúdo.

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio