Fabiula Nascimento e Emílio Dantas falam da experiência em Amor e Sorte

Diretores e roteiristas explicam o episódio Territórios, estrelado pelo casal de atores

Publicado há 3 meses
Por André Santana
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O casal de atores Fabiula Nascimento e Emílio Dantas protagoniza Territórios, um dos episódios da série Amor e Sorte. A produção da Globo, que estreia em setembro, tem quatro episódios gravados remotamente, cada um deles estrelado por artistas que estão quarentenando juntos.

Em Territórios, Fabiula e Emílio vivem um casal em confinamento forçado diante de uma pandemia que transformou o mundo. Transformação, aliás, é a palavra-chave desta e das outras três tramas da série, criada por Jorge Furtado e com direção artística de Patrícia Pedrosa — e de Andrucha Waddington em um dos episódios, com Fernanda Montenegro e Fernanda Torres.

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As roteiristas Adriana Falcão e Jô Abdu, que têm em comum séries de sucesso no currículo como A Grande Família, escreveram juntas o episódio Territórios, sobre um casal que decide se divorciar à noite e acorda com a notícia de que o congresso de que ele participaria está cancelado, assim como voo que ia pegar.

Eles são, portanto, impedidos de se separar de fato por causa da pandemia. Para piorar, ela fica doente com suspeita de covid-19. Resultado: precisam ficar confinados juntos, mas isolados e separados dentro do mesmo apartamento.

“Esse é um texto que fala da dificuldade do momento para aquele casal, que sabia que se amava, mas que estava com uma crise no meio de uma pandemia. A mensagem que queremos passar é que as crises podem se resolver e muitas vezes são necessárias. Esse casal, que foi obrigado a conviver, teve que se reinventar. Às vezes, é legal reinventar. Pode ser que se saia muito mais forte, se amando mais até”, comenta Adriana Falcão.

“A pandemia mudou completamente os relacionamentos. A gente não sabe como será mais daqui para frente. No início, principalmente, era uma grande interrogação. Agora que estamos tentando conviver melhor com tudo isso, acho que muitos processos de família começam a ficar mais sofisticados na emoção. Você vê o sofrimento do outro. Estamos todos ferrados juntos, então vamos nos ajudar”, complementa a autora.

Jô Abdu concorda que a pandemia e a quarentena mudaram os relacionamentos entre as pessoas que se viram obrigadas a conviver neste período. “Você pode enganar as pessoas com as quais convive por muito tempo; a si mesmo por algum tempo; mas não consegue enganar todos que estão confinados com você por toda uma quarentena. Os que conviveram na quarentena, no sentido de coabitar, participaram de uma espécie de Big Brother mundial, onde o melhor e o pior de cada um teve que ser encarado. Uma seleção natural fortaleceu os relacionamentos mais saudáveis, e minou os que já estavam mal das pernas. Muita gente que tava sem coragem de por um ponto final no que um dia foi uma história de amor, pôs. E muitas outras começaram um novo capítulo de suas relações”, reflete a autora.

Se a convivência e a rotina são um desafio que pode vir acompanhado de uma série de conflitos, experimentar coisas novas pode ser uma saída para deixar os dias mais leves. Foi o que aconteceu com Fabiula Nascimento e Emílio Dantas nos bastidores das gravações de Amor e Sorte.

“Uma das partes mais legais disso tudo foi a revisita. Eu lembrei de quando trabalhava com produção de vídeo. O primeiro cabo que a gente teve que colocar aqui em casa, com fita crepe, me deu um saudosismo muito grande do meu primeiro emprego. E, vivendo tudo isso, fiquei muito interessado em fazer a fotografia remotamente também”, reflete Emílio Dantas.

Para Fabiula, mexer em todos os aparelhos foi uma diversão à parte. “Toda essa parte da câmera, de logar cartão… Pegar em uma câmera na mão e realizar um plano, entendendo qual é o peso daquilo. De ir no olhar sem premeditar. Essa parte técnica de operar as coisas foi a que eu mais aprendi e a que eu fiquei mais interessada em aprender. As coisas como arte e caracterização já fazem muito parte do meu trabalho. Mas pegar uma câmera na mão foi um prazer enorme”, relata a atriz.

Além dos aprendizados técnicos, a experiência marcou e fortaleceu a relação do casal, na avaliação dos atores, que destacam os momentos de redescoberta um do outro e da própria casa. “Como tivemos que fazer a câmera na mão, consegui ver nuances do Emílio de outra perspectiva. Fazia cenas bem de perto e é bonito você ver o outro compondo aquele quadro, toda a doçura dele estava ali em destaque”, revela Fabíula. “Foi um tempo de a gente se reabastecer”, define Emílio.

O sentimento de diversão e a felicidade de experimentar coisas novas se repete na perspectiva da direção. Para Ricardo Spencer, que assina a direção do episódio ao lado de Patrícia Pedrosa, todo o trabalho foi uma grande aventura.

“Quando a Patrícia me chamou foi uma felicidade, porque neste período todo não sabíamos quando iríamos retornar para os sets. De repente caiu na nossa mão de novo a chance de estar com o elenco registrando uma ação. O fato de não estar presencialmente foi a parte mais difícil. E eu não tinha conhecido a casa deles ainda. A primeira coisa que fiz foi desenhar uma planta baixa a partir de vídeos que eles me mandaram para ficar mais familiarizado”, comenta.

“O que marcou muito para mim foi ter sido feito a várias mãos. Por mais que estivéssemos ali dando dicas, foram eles que fizeram. Dependemos muito da sagacidade, do talento e do bom gosto deles. Isso tudo nos levou a ter essa facilidade. Eles foram perfeitos neste sentido”, elogia Patrícia, referindo-se ao casal.

Patrícia Pedrosa e Ricardo Spencer estiveram juntos em diversos trabalhos. Mister Brau, Shippados e Todas as Mulheres do Mundo foram alguns deles. “Quando surgiu a oportunidade de chamá-lo para fazer um dos episódios, não tive dúvidas. O fato de nos conheceremos facilitou muito. Eu já conhecia o Emílio, o Spencer, o fotógrafo… Isso fez com que começássemos o processo lá na frente. Além disso, é muito prazeroso trabalhar com duas pessoas tão sensíveis como Fabiula e Emilio, que agregam valor subjetivo, estético e consensual em tudo que eles fazem”, celebra.

Para Jorge Furtado, criador e supervisor de texto de Amor e Sorte, contar com as pessoas certas é um dos trunfos do projeto. “Existe um tipo de diretor e de criador que tira o melhor das pessoas. Não é o meu caso, eu convido os melhores logo”, brinca.

“Quando surgiu o projeto, pensei: ‘Vou chamar logo a turma que sei que não tem erro’. Eu participei até bem pouco, só no comecinho. Mas a única coisa que propus de ponto de largada, era que começasse lá em cima a história. Nesta quarentena todos nós estamos aprendendo sobre nós mesmos. Um casal que de repente tem de se reinventar é um bom ponto de partida”, finaliza.

Amor e Sorte é uma série em quatro episódios, criada por Jorge Furtado. O episódio Territórios tem roteiro de Adriana Falcão e Jô Abdu, direção artística de Patrícia Pedrosa e direção de Ricardo Spencer.

Confira abaixo a chamada de Amor e Sorte:

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