Ex-RBD e vilã ardilosa não salvam Triunfo do Amor da mediocridade

Folhetim é um trágico equívoco na carreira do renomado produtor Salvador Mejía

Publicado há 24 dias
Por Cadu Safner
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E lá se foi um mês de capítulos pedantes, insonsos e repletos de incoerências da novela Triunfo do Amor, a mais recente estreia inédita do SBT na faixa das novelas da tarde. Beirando a mediocridade, o folhetim protagonizado pela ex-RBD e agora estrela da Netflix, Maite Perroni, caminha para o topo no ranking dos piores títulos mexicanos da história da emissora no horário.

As atuações fogem do caricato e são tão desprezíveis que não caberiam sequer como paródia de um humorístico ultrapassado. A atriz Victória Ruffo, um das veteranas mais reconhecidas e prestigiadas no país de Thalía, dá vida a Vitória, uma poderosa estilista que comeu o pão que o diabo amassou ao engravidar de um seminarista e ser expulsa de casa. Sendo assim, obrigada a abandonar sua filha recém-nascida.

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Ruffo nunca se perdeu tanto num papel como nessa adaptação. Chega a ser uma ofensa a Helena Hojo, que conduziu com glória e maestria essa mesma personagem em O Privilégio de Amar, versão de sucesso da rede de San Angel, produzida em 1998.

Adela Noriega e René Strickler protagonizaram O Privilégio de Amar e Maite Perroni e William Levy Triunfo do Amor (Foto: Divulgação / Televisa S.A.)

Adela Noriega, então, deve ter sentido dores de barriga ao assistir Maite Perroni destruindo a icônica Cristina encarnada de Maria Desamparada. E favoritismo não cabe aqui. Tampouco saudosismo. Ambas as atrizes tem suas qualidades e defeitos. A questão são as performances em cena. Perroni, sim, teve mais recursos que Noriega, mas não fez esforço algum na entrega de Maria.

Triunfo do Amor é toda controversa. Nada convence, é tudo muito leviano, recheada de problemáticas que não se sustentam, como por exemplo, Vitória e o padre João Paulo acreditarem numa falsa filha.

Victória Ruffo, em Triunfo do Amor (Reprodução: Televisa S.A.)

O assassinato diabólico da governanta Tomásia, que recebe um golpe de bengala na cabeça e tem seu corpo queimado na lareira dentro de casa, com a ajuda de um mero desconhecido, que entra inesperadamente na casa de Bernarda e se dispõe a ajudar no crime, gratuitamente. É bizarro!

O sumiço da funcionária não desperta a curiosidade do padre, que foi crido por ela. Nem mesmo a polícia é chamada para investigar o caso. O assassinato apenas começa e termina ali mesmo. Talvez, lá para o final da história, o assunto volte à tona e Bernarda pague pelo crime.

Em capítulo demoníaco, Bernarda mata Tomásia de forma truculenta (Divulgação: Televisa S.A.)

Produzida em 2010, pela Televisa, a trama originária de Cristal, de Delia Fiallo, gerou tantos problemas quanto a versão brasileira produzida pela rede de Silvio Santos, em 2006, também de nome Cristal. A crítica especializada caiu matando em cima de Mejía, que transformou a quase cinquentona Victória Ruffo em jovenzinha de 16 anos no início da novela.

Fiallo, questionada por um jornalista mexicano à época, sobre o que achava do nome Maria Desamparada para sua protagonista, ela foi taxativa: “É a coisa mais ridícula e melodramática que já vi”, esbravejou.

Com uma escalação de elenco completamente equivocada, com ressalva, é claro, para Daniela Romo, em perfeita sintonia com sua personagem religiosa do mal, Bernarda, a Televisa errou em quase tudo. Tanto é que personagens entram e saem da trama como num mercado em dia de promoção.

Dominika Paleta interpreta Helena em Triunfo do Amor (Reprodução: Televisa S.A.)

Ainda sobre Daniela Romo, mesmo em boa forma, sua vilã ardilosa não salva Triunfo do Amor do mais baixo nível de produção. Sem recursos técnicos o suficiente, Triunfo do Amor padece no ar sem investimentos.

Observamos que cenários, objetos de cena e a própria direção do renomado Salvador Mejía Alejandre se assemelhem ao clássico seriado Chaves. É risonho e ao mesmo tempo triste, levando em consideração a trajetória de grandes sucessos na carreira do produtor, com destaque para Fuego en La Sangre (2008), Mundo de Feras (2006), A Madrasta (2005), A Usurpadora (1998), e Esmeralda (1997).

Maite Perroni e William Levy como Maria e Max em Triunfo do Amor (Divulgação / SBT)

Chega a ser uma ofensa à atração de Roberto Gómez Bolaños tal comparação. Maite Perroni e William Levy, em suas piores performances em cena, acredito eu que desejam apagar da história este trabalho. Na mesma medida que são shipáveis, são odiosos.

A novela ainda tem um longo caminho pela frente e a tendência é que a história se levante um pouco dessa leviandade. Em tempo, fica como lição para a direção do SBT, repensar melhor a escolha. Nem toda inédita merece nosso tempo.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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