“Não estaria nos meus planos”, garante ex-BBB Morango sobre voltar ao reality

Publicado há um ano
Por Arthur Pazin
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Na próxima terça-feira (21), começa, na TV Globo, a 20ª temporada do Big Brother Brasil, que está prometendo um elenco imperdível e novidades que vão agitar ainda mais a atração. Em 2010, a edição inovou ao contar com um time bastante colorido.

Além de Serginho Barros, o Orgastic, e Dicésar Ferreira, a Dimmy Kieer, a temporada teve em sua equipe de brothers e sisters, a jornalista Angélica Morango. Em entrevista ao Observatório da TV, Morango relembrou sua passagem na casa mais vigiada do Brasil, contou detalhes sobre a carreira e falou sobre a experiência de estar vivendo em uma ilha.

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A ex-sister garantiu que não voltaria a participar do reality, mas não se arrepende de sua passagem pelo confinamento, pelo contrário, são tantas lembranças e experiências, que a mineira resolveu se isolar de grandes centros urbanos para se dedicar a um novo projeto: o lançamento de sua biografia. Confira:

Você ainda é reconhecida pelo BBB?

Angélica Morango durante confinamento no BBB 10 (Foto: Reprodução/TV Globo)

“Sim, as pessoas me reconhecem. É inesperado pra mim, porque eu me formei em Jornalismo em 2007 e entrei no programa em 2010. Eu já trabalhava na TV como repórter de rua e apresentadora de um programa de esportes na TV Paranaíba, afiliada da Record TV em Uberlândia (MG), e portanto as pessoas já me viam, já me conheciam e tinham uma relação comigo, mas era mais profissional. Quando eu fui pro BBB, além de aumentar esse alcance de visibilidade, eu mostrei um outro lado meu, o meu lado pessoal, que chora, que ri, fala bobeira e as pessoas se lembram disso com muito carinho. É muito surpreendente pra mim 10 anos depois continuar recebendo esse carinho em todos os lugares. Na padaria, no supermercado, entre os vizinhos. Às vezes as pessoas batem o olho e não lembram exatamente mas depois falam que achou no Face, no Google que e sabiam que me conheciam de algum lugar. É bem corriqueiro”.

Tem alguém de sua edição que você ainda mantém contato?

“Sim. Tenho contato com o Serginho, Cacau (Cláudia Colucci) e Elieser Ambrósio.”

Você ainda acompanha o reality? Teve torcidas recentes?

“Não consigo acompanhar diariamente há muitos anos já, mas sempre acompanho pelas redes sociais, então acabo sabendo o que está acontecendo, vejo um vídeo e tal, mas parar pra assistir, acompanhar e torcer não mais. Eu também não tenho muita sorte porque a maioria dos participantes de qualquer reality, sempre que torço sou bem pé frio, então parei com isso.”

Você voltaria a participar do programa?

“Não é uma prioridade e não estaria nos meus planos. A minha vibe hoje é bem diferente. Vou fazer 35 anos agora em março e na época que participei tinha 24 anos, então a cabeça da gente muda e o que a gente quer, deseja e os motivos disso também mudam bastante ao longo de 10 anos e tudo isso é muito bom. Não me arrependo de nada do que eu fiz na casa e olho pro meu passado, de maneira geral, de forma muito complacente. Acho que a gente tem que ser assim mesmo. A gente não pode se martirizar ou ficar pensando sobre o que podia ter falado, podia ter feito anos atrás, porque a cabeça que a gente tinha no passado não era e nunca seria a mesma que a gente tem atualmente. Então por mais que em alguns momentos eu não tivesse tido tanta maturidade ou tanta clareza pra enxergar e pra lidar com uma situação, era a cabeça e a maturidade que eu tinha na época e tudo bem.”

É curioso observar que sua edição reuniu três homossexuais assumidos em um tempo em que se discutia muito menos sobre representatividade na televisão. Você acha que hoje com mais discussão e, consequentemente, polarização, seria a mesma coisa ou não? O que vocês sentiram da reação do público após o confinamento?

Dicésar, Serginho e Morango, os participantes ‘coloridos’ do BBB 10 (Foto: Reprodução/TV Globo)

“Sem dúvidas foi uma edição que marcou bastante. A gente não vivia, na época, um momento tão efervescente e de tanta discussão sobre o assunto e nenhum momento tão polarizado como a gente vive hoje, mas na minha opinião, foi uma aposta muito acertada do Boninho por causa da visibilidade, as pessoas se sentiam representadas. Muita gente conversou comigo, com o Dimmy, o Serginho, e contou que por causa do programa, por causa da nossa participação, viu uma abertura para falar sobre o assunto com a família, se assumir não só pra si, que sabemos que faz toda a diferença, mas que tiveram coragem de falar sobre isso para as famílias e amigos. Só quem é LGBT sabe o peso que isso tem, o peso que a gente carrega, então o fato de ter podido ajudar tanta gente é muito gratificante e quem fala sobre o assunto com segurança, naturalidade, tranquilidade sobre si e sobre sua sexualidade, abre portas, incentiva pessoas a terem mais coragem, abrem o diálogo. Então, é fundamental, seja num reality, seja na novela, em filmes ou na vida real, hoje em dia a gente precisa manifestar o nosso amor. A política se faz dessa forma também, quando a gente anda de mãos dadas com a pessoa que a gente gosta na rua, quando a gente não tem vergonha ou melindre pra fazer um carinho, pra dar um beijo num lugar público, porque a gente viveu durante muitos anos se privando de fazer isso. Portanto, a visibilidade, de maneira geral, abre portas e caminhos e acaba sendo uma ‘luzinha’ no fim do túnel pra tantas e tantas pessoas. Sobre a polarização que vivemos hoje, apesar de o Brasil e o mundo estar indo, politicamente, ladeira abaixo, vivemos um momento maravilhoso porque eu acredito no amor, eu tenho muita esperança que as coisas mudem brevemente, até porque, apesar de existir um movimento muito forte, que é castrador, boçal, um movimento que se diz conservador nos costumes e liberal na economia, é péssimo, mas ao mesmo tempo a gente está forte, em várias frente de cultura, de responsabilidade e é o momento do ‘ninguém solta a mão de ninguém’ e eu acho que isso está mais forte do que nunca. Então, acaba sendo um alívio saber que ao longo do tempo, por mais que a gente esteja numa realidade muito louca hoje, a gente está em um bom momento no sentido de ver pessoas acordarem, pessoas tendo mais acesso à comunicação, num momento muito melhor que há 10 anos.”

No BBB 10, você não se relacionou amorosamente com ninguém na casa. Se tivesse oportunidade, teria se relacionado?

“Não. Não me relacionei romântica ou sexualmente com ninguém lá, mas queria, porque foi uma época que eu fiquei desde o confinamento até sair, até transar a primeira vez, uns três meses ou mais sem sexo, então foi bem difícil, foi surreal e se eu tivesse oportunidade sim, eu teria me relacionado assim como a Clara e a Vanessa, do BBB 14, tiveram esse envolvimento ou a Manu e a Angelis e a Manoella, da Fazenda de Verão. Isso é sensacional, é maravilhoso!”

Como você está profissionalmente hoje?

“Sou jornalista, trabalho pro UOL já tem 8 ou 9 anos como freelancer, trabalhei seis anos na Rádio Transamérica, num programa de humor, o Transalouca, que foi uma grande escola. Sou também fotógrafa e digital influencer, tenho além do meu Instagram pessoal, um perfil bem novo que eu comecei esse ano que é o Tô Na Porta, um perfil que fala sobre amor, dor de cotovelo e putaria, e está bem bacana, já tem 1500 seguidores em 2 semanas. E sobre projetos, além de manter o que faço, vou lançar um livro biográfico, um projeto bastante novo, parei de tocar como DJ no final do ano para poder me dedicar a esta biografia.”

Onde você está morando?

“Moro em São Francisco do Sul, ilha catarinense, uma cidade de 50 mil habitantes. Vim pra cá pra dar segmento ao meu projeto, ao que me propus no ano passado que é escrever minha biografia. Eu queria um ritmo de vida diferente, queria experiências novas, então eu fiz essa mudança de vida. Morei por 10 anos em São Paulo, trabalhei lá e no Brasil todo como DJ e no final do ano passado, decidi definitivamente encerrar minha carreira como DJ pra poder conseguir estar presente de corpo e alma nessa nova experiência de escrever minha biografia, mas não só. Tô aqui pra viver também e é uma pergunta que todo mundo faz, explico que vim trabalhar, mas essencialmente,vim viver e está sendo muito gostoso. Estou aqui há pouco mais de três meses.”

Está solteira? Tem filhos (pode ser de patas)?

“Sim. Estou solteira e tenho três gatos adotados que vieram comigo pra ilha. Dois são adotados de uma ONG e um foi abandonado no meu antigo prédio. Eles são minhas vidinhas.”

O que foram aquelas fotos suas trabalhando na roça em 2017? Você virou fazendeira? Explique.

Morango durante intercâmbio, em 2017, quando trabalhou voluntariamente em colheitas orgânicas, na Europa. (Foto: Reprodução/Instagram)

“Em 2017 eu fiz um mochilão pra Europa que não foi exclusivamente de turismo, mas um sistema de trabalho voluntário em fazendas orgânicas. Sou vegetariana há 18 anos, é um assunto que me interessa demais, e existiu essa possibilidade através de uma plataforma que se chama WWOOF (World Wide Opportunities on Organic Farms), que conecta fazendeiros orgânicos a voluntários que queiram trabalhar nelas, e isso em locais ao redor do mundo, então eu escolhi Portugal e depois fiz uma tourzinha pela Europa. Foi uma p*** experiência. Eu fiquei na casa de pessoas que eu nunca tinha visto da minha vida, na casa mesmo, dormindo no quarto ao lado, comia com essas famílias. Foi como um intercâmbio, mas sendo adulta e aprendendo sobre orgânicos, foi, assim, mágico. Fui aprender um pouquinho mais de orgânico e de quebra, conheci a Europa que era um sonho de adolescente que eu tinha.”

Existe algum outro caso ou fato que aconteceu com você após o BBB que você gostaria de contar para os leitores?

“Me sinto privilegiada de dizer que conquistei a realização dos meus maiores sonhos profissionais e que minhas decisões foram muito acertadas. Sou muito feliz e estou realizando mais um sonho que é o de morar na praia, ter essa tranquilidade e ao mesmo tempo me dedicar a escrever meu livro, porque essa biografia me foi muito pedida, fui muito cobrada para reunir curiosidades sobre o BBB e sobre minha carreira de DJ, vida pessoal. No entanto, o fato mais marcante que aconteceu na minha vida pessoal, foi o fato de ter me casado (com a comissária de bordo Rabyta). Foram quatro anos juntas, nos separamos, mas continuamos amigas e como nós preservávamos muito nossa relação, porque ela era aeromoça e era importante que não fosse exposta pras pessoas respeitarem ela como profissional, já que, infelizmente, algumas pessoas, às vezes, confundem uma coisa com outra, foi muito bom. O meu casamento me marcou bastante.”

Rabyta e Morango durante cerimônia, em 2013 (Foto: Divulgação/Glau Lima)
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