Em 2003, escravidão infantil em Chocolate com Pimenta não impactou; Brasil teve aumento do crime em 2020

Negros como empregados e trabalho infantil eram normalizados pelas pessoas

Publicado há 2 meses
Por Cadu Safner
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Eu escolho a Ana Francisca“, respondeu Darlene, uma criança de 10 anos que foi criada como escrava por Jezebel (Elizabeth Savalla). A emocionante cena ocorreu quando a vilã foi desmascarada e expulsa de casa por Ana Francisca (Mariana Ximenes).

Jezebel quis a todo custo que Darlene fosse embora com ela, afinal, quem iria preparar seu chá? “Darlene, o que você está fazendo que não está carregando as malas? Você é muito molenga, Vamos!?”, rechaça a megera antes de Ana Francisca encorajar Darlene a escolher com quem quer ficar.

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Darlene escolheu ficar com Ana Francisca e se libertar da escravidão (Reprodução: Globo)

Ela tem adoração por mim. Meu torrãozinho de açúcar“, alega Jezebel. Mas aos prantos, Darlene se nega a ir com a vilã e dá um abraço em Aninha, posicionando-se sobre seus direitos. A cena é de impacto, mas não foi o suficiente para despertar a reflexão sobre racismo e escravidão infantil em 2003, quando Chocolate com Pimenta foi leva ao ar pela primeira vez.

Darlene em cena de Chocolate com Pimenta (Reprodução: Globo)

O autor Walcyr Carrasco, com histórico de abordagens de apelo social e prestação de serviço em suas histórias, fez de tudo para que a trama de Darlene abrisse espaço para a discussão do tema, mas naquele ano o mundo era completamente outro. Passou batido por público e imprensa.

Artistas negros até pouco tempo atrás eram estigmatizados na TV e quase nunca agraciados com destaque e protagonismo. Agora, com a reprise da novela alcançando êxito de audiência no Canal Viva, chama a atenção o alerta que o famoso escritor fez.

Darlene e Ana Francisca em Chocolate com Pimenta (Reprodução: Globo)

Para se ter uma ideia, de 1º de janeiro a 18 de junho deste ano, 26 denúncias de violação de crianças e adolescentes envolvendo trabalho infantil foram registradas no Ministério Público do Trabalho (MPT) do Ceará, publicou o Diário do Nordeste mês passado.

O número representa um aumento de 62,5% em relação ao 1º semestre de 2019, quando foram registradas 16 denúncias. Chocolate com Pimenta se passa no século 20, mais de 30 anos após a Abolição da Escravatura. Todavia, um século depois disso, agora em 2020, ainda é preciso falar, reforçar e discutir sobre racismo e escravidão infantil.

Elenco infantil de Chocolate com Pimenta (TV Globo)

Ainda no Diário do Nordeste, especialistas apontaram para este aumento do trabalho infantil em 2020, que acabou impulsionado pelo isolamento social por conta da pandemia de covid-19. Nos seis meses iniciais deste ano, já foram 26 denúncias. Fica o alerta, se souber de algum caso, denuncie: 0800 644 3444.

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