Em 1988, minissérie da Globo retratou os últimos dias da escravidão no Brasil

Publicado há 3 anos
Por Fábio Costa
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Em 1988, além do regime adotado para a produção da série quinzenal Tarcísio e Glória, que era feita em parceria com os dois atores, sócios da Globo no empreendimento, a emissora também firmou parceria com as produtoras Cininvest e Avan e lançou a minissérie Abolição, sob a batuta do diretor Walter Avancini e produção de Paulo César Ferreira. O texto ficou a cargo de Wilson Aguiar Filho, com a colaboração de Joel Rufino dos Santos, e Avancini respondeu também pelo roteiro final.

Composta de apenas quatro capítulos, a minissérie foi exibida em novembro de 1988, entre os dias 22 e 25, e integrou um projeto que retratava os dois grandes momentos da História do Brasil no final do século 19: a assinatura da Lei Áurea, que libertou os escravos, e a Proclamação da República, que alterou nosso sistema de governo.

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Na fazenda do Coronel Macedo Tavares (Milton Moraes), enquanto sua família vive uma vida de luxo e conforto, os escravos padecem. São os dias que antecedem a assinatura da Lei Áurea, em 1888, e a Princesa Isabel (Tereza Rachel) não tem a exata dimensão do que este seu ato poderá representar em termos de transformações na vida do País, uma vez que os negros foram mesmo libertados, mas sem quaisquer condições de serem devidamente absorvidos dignamente pela estrutura social que os subjugava.

Princesa Isabel (Tereza Rachel) em Abolição (Reprodução)

A escrava Iná (Ângela Corrêa) lidera uma revolta dos escravos da fazenda de Tavares, líder espiritual e grande guerreira que é. Ao contrário dela, Lucas (Luiz Antonio Pilar), que tem o sobrenome de Tavares como era costume da época – escravos registrados em nome de seus senhores –, acredita na integração pacífica entre negros e brancos. Essa diferença de pensamento impede que os dois consigam ser felizes juntos em termos amorosos. Junto à luta de ambos, cada um a seu modo, a ação de personalidades da época, entre políticos, juristas e homens de imprensa, de posições contrárias ou favoráveis ao movimento abolicionista.

Iná (Ângela Corrêa) e Elias Mamadu (Kadu Carneiro) em Abolição (Divulgação)

José do Patrocínio (Valter Santos), André Rebouças (Jorge Coutinho), Ângelo Agostini (Edwin Luisi) e Silva Jardim (Buza Ferraz) são alguns dos abolicionistas, enquanto a discussão política em torno da questão engloba deputados e senadores como Paulino de Souza (Mário Lago), o Barão de Cotegipe (José Lewgoy), Quintino Bocaiúva (Ivan de Albuquerque), Joaquim Nabuco (Luiz Armando Queiroz) e o Conselheiro João Alfredo (José Augusto Branco).

Paulino de Souza (Mário Lago) e Barão de Cotegipe (José Lewgoy) (Divulgação)

No elenco ainda, as presenças de Martha Overbeck, Emiliano Queiroz, Edney Giovenazzi, Cristina Prochaska, Mira Haar, Céline Imbert, Léa Garcia, Sebastião Lemos, José de Araújo, Breno Moroni, Renato Coutinho, Thiago Justino e Valdir Fernandes, entre outros. Luiz Antonio Pilar, Tereza Rachel, Carlos Kroeber (D. Pedro II) e Odilon Wagner (Conde D’Eu) retomariam os mesmos personagens em República, minissérie produzida pela mesma equipe e exibida no ano seguinte, também celebrando o centenário deste fato histórico.
Na época da exibição, a história da minissérie foi lançada em romance, publicado pela Editora Record. Em tempos de pouca imaginação na grade do Canal Viva, ao menos este espaço do Grupo Globo, nos 130 anos da Abolição, poderia resgatar esta minissérie que fala de um momento tão importante e controverso da nossa História.

Capa do livro escrito a partir do enredo da minissérie (Divulgação)
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