Elyfer Torres fala de representatividade afro na TV mexicana e sucesso de “Betty” pelo mundo

Publicado há 7 meses
Por Cadu Safner
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Desde que foi anunciada a chegada da telenovela Betty a Feia em Nova York no Brasil, pelo SBT, aumentaram expressivamente as buscas pelo nome da atriz mexicana Elyfer Torres, de 23 anos, no Google e em sites de notícias. Quem é essa “novata” tão comentada? Os questionamentos se multiplicavam na medida em que o público foi descobrindo que “Betty” não se tratava de um produto originalmente mexicano, ou melhor, da Televisa, com quem o SBT mantém contrato fidelizado desde os anos 90, entre pausas e diferentes modelos de contrato. Elyfer, então, tem se projetado no Brasil como a protagonista de novela mais próxima da realidade.

Afrolatina, quando nos referimos à bela jovem como “novata”, dá-se por sua explosão repentina no mercado decorrente do sucesso da nova roupagem da história de Fernando Gaitán. Embora tenha feito participações em produções como La Rosa de Guadalupe, La Piloto 2El Secreto de Selena, sua projeção como atriz veio somente agora em 2019, quando Elyfer desbancou várias atrizes de renome no mercado e conquistou o requisitado papel da “feia”. A equipe do Observatório da TV, é claro, não poderia deixar de ir atrás de Elyfer Torres e trazer para o público brasileiro um pouco mais de sua vida e trajetória.

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Elyfer Torres interpreta Betty na novela homônima (Reprodução: Instagram)

Atriz diz ter sido emocionante integrar o elenco de Betty, a Feia em Nova York

Questionada sobre como foi fazer parte de uma novela mundialmente famosa e com uma narração atemporal, Elyfer conta ter sido emocionante. “Nunca na minha vida pensei em contar essa história, mas estou muito feliz por ter sido escolhida. E tenho orgulho do que fizemos, de poder reintroduzir a história para toda uma geração. Além disso, uma mensagem tão poderosa quanto autoestima, liberdade e poder”, explicou ela, que hoje movimenta cerca de 305 mil seguidores no Instagram.

Com mais de 20 versões pelo mundo, Yo Soy Betty La Fea, incluindo a brasileira, Elyfer revelou que optou por não assistir nenhuma delas. “Na verdade, decidi não ver nenhuma versão para poder criar essa Betty do zero, através do que o texto me deu e pelas coisas que eu estava descobrindo sobre o personagem. Ainda não vi nada da versão brasileira, mas prometo que verei. Gostaria também de conhecer a atriz Giselle Itié, já que agora eu vou ao Brasil. Conheço a América [Ferrera] que fez Ugly Betty, Angelica Vale que fez A Feia Mais Bela e preciso da Ana [María Orozco], a original“, disse ela.

Elyfer Torres, de 22 anos, é a primeira negra a protagonizar novela na Telemundo (Divulgação: Telemundo)

“Betty” transformou Elyfer Torres em uma artista de grande influência. E sobre essa responsabilidade de dialogar com diversas gerações e ser referência de comportamento, a atriz explica: “Penso que todos os artistas, muito expostos ou pouco, têm uma responsabilidade social muito importante. Existem pessoas que nos seguem, admiram e valorizam nossa opinião, principalmente jovens, sinto a responsabilidade de ser um bom exemplo ao tomar boas decisões, por que eu sou assim“, disse.

Eu gosto de ser positiva e seguir meus objetivos. E quero inspirar mais as pessoas para o mesmo, para que saibam que, se você acredita em si mesmo, tudo é possível. Gosto de mostrar como sou, muito livre. Nas minhas redes sou muito aberta para que eles saibam sobre minha intimidade. Então, se você quer me conhecer, é uma questão de me seguir nas redes (risos)”.

Elyfer Torres (Divulgação: Escena Magazine)

Representatividade nas novelas mexicanas na opinião da estrela de Betty, a Feia em Nova York

Por muitos anos discutiu-se na mídia em todo o mundo a falta de representatividade de seu povo na Teledramaturgia mexicana. Sobre essa questão e também sobre o mercado para afrodescendentes no México, Elyfer é realista. “Muito ruim, não há representação. A televisão na América Latina tem sido aspiracional e pouco representativa; nos Estados Unidos é mais representativa. O que significa que eu cresci vendo histórias que não me representavam e, portanto, toda uma geração e todas aquelas por trás, é por isso que eu nunca senti que poderia fazer parte disso, mas agi por amor e paixão e, no final, trouxe resultados, que é algo que também nos lembra essa história. Não importa como você pareça, de onde você é ou qual seja o seu sexo, você pode conseguir tudo o que sonha. Espero que haja mais espaços para representação diversificada de quem somos como latinos na América Latina e no mundo, por isso também quero fazer TV nos EUA, para representar as latinas com dignidade“, conta ela, que também se alterna com a carreira de cantora.

Como citado acima, o papel de Betty foi muito disputado por atrizes na Telemundo. Perguntamos se Elyfer sofreu algum tipo de situação de inveja de outros artistas por ser tão nova e ter completado os requisitos para viver a personagem. A atriz negou e ressaltou não estar preocupada com o que os outros pensam. “Eu apenas deixo fluir e agradeço“.

Críticas e fama

Eu aprendi que a única opinião que importa sobre mim é minha e é exatamente isso que eu quero que meus fãs entendam, porque faz parte da reivindicação de seu poder escolher sobre você e sua vida. Então os críticos geralmente ignoram isso, não estou interessado porque as críticas no final são apenas percepções e todos temos percepções diferentes. E então a fama não existe, é uma ilusão (risos). Bem, a fama para mim é saber que mais pessoas me conhecem e agora, adoro conhecer pessoas na rua, adoro conversar com elas e tirar fotos, isso enche minha alma, acho que essa é uma das grandes recompensas de ser artista. Saber que isso afeta suas vidas de alguma maneira bonita“.

Betty (Elyfer Torres) em Betty, a Feia em Nova York (Reprodução: SBT)

“Betty” estreou no Brasil com grandes expectativas e tem sido um sucesso, para Elyfer, o fato de todas as pessoas já terem vivido um pouco das situações das quais a personagem se envolve pode responder. “Todo mundo em algum momento de nossas vidas tem sido Betty, nós sentimos isso. Também porque a adaptação está em nosso tempo e como nos relacionamos hoje. E obviamente também porque a história é incrivelmente bem escrita! O que o personagem agregou à vida Elyfer? Ela contou que o aspecto físico que sempre considerou como algo à parte, é muito menos importante do que tudo o que a faz ser o que é. “Isso é graças a Betty, que me ama sem condição. É graças a ela! Me deixou uma bela lição e espero que para mais pessoas também“.

De malas prontas para desembarcar no Brasil, perguntamos também quais eram as suas expectativas e lugares que deseja visitar. “Minha viagem está pronta, estarei em março e faremos um Meet and Greet para conhecer os brasileiros. Estou morrendo de vontade de ir para São Paulo! Há muitos lugares que eu não sei se terei tempo, espero que sim!”.

Novelas brasileiras

Não tive a oportunidade de ver uma novela brasileira, mas ouvi muita música e adoro. Me tornei fã da Anitta, Silva e Karol Conká, adoraria colaborar em uma música com um deles ou com eles. Um sonho! E eu realmente gostaria de fazer alguma participação especial ou algo assim em uma novela no Brasil“.

Sabemos que você está envolvida em um novo emprego na Telemundo. O que você pode nos adiantar? “Sim, será chamado ‘Inimigo Íntimo 2’. Apareço na segunda temporada. Ela é uma personagem incrível, o nome é Alicia e é muito diferente de Betty, em todos os sentidos, ele vai ao ar nos Estados Unidos este ano, não sei quando no Brasil, mas estou feliz. Eu trabalho e eles podem me ver agindo de maneira diferente, em um drama de ação muito diferente. E também lançarei minha nova música em breve!“, revelou Elyfer.

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