“É a nossa História”, diz Lázaro Ramos sobre especial Falas Negras

Publicado há 17 dias
Por Renan Vieira
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A Globo exibe no Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, depois da novela A Força do Querer, o especial Falas Negras, com 22 depoimentos reais de pessoas que lutaram contra o racismo e pela liberdade, a favor da justiça, em registros biográficos ou em vídeos que a História nos ofereceu.

Essas falas históricas são interpretadas por atores, todas em primeira pessoa, em um projeto criado por Manuela Dias, sob a direção de Lázaro Ramos.

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Desde os relatos coloniais de Nzinga Mbandi, que datam de 1626, aos ensinamentos pacifistas de Martin Luther King Jr., passando pela veemência de Malcolm X e Angela Davis, até a força de Marielle Franco, ou as dores de Mirtes Souza, mãe do menino Miguel, e Neilton Matos Pinto, pai de jovem João Pedro, Falas Negras mostra que o espírito de luta e de resistência dos povos afrodiaspóricos ultrapassa a barreira do tempo, os limites territoriais, e permanece vivo até os dias de hoje.

“O projeto nasceu durante a pandemia, durante três semanas de episódios tão simbólicos. Teve o assassinato do João Pedro, na semana seguinte o assassinato do George Floyd, e depois teve a morte do Miguel, um assassinato indireto que evidencia de forma quase caricatural a nossa chaga histórica”, explicou Manuela.

Ela ainda completou: “Isso tudo me mobilizou e propus para a TV Globo que a gente fizesse o especial. Sugeri abrir espaço para essas aspas para mostrar a inconformidade com o que a gente vem vivendo há mais de 500 anos”.

Entre a produção de um capítulo e outro de Amor de Mãe, novela das nove, da qual é autora e que retomou as gravações no mês de agosto, Manuela organizou os textos selecionados após uma extensa pesquisa de Thaís Fragozo sobre depoimentos históricos.

“Eu vejo o Falas Negras como telefilme e como uma obra de arte. Assim como o ‘Human’ (documentário do cineasta Yann Arthus-Bertrand), como ‘Jogo de Cena’ (documentário de Eduardo Coutinho), como muitos filmes que trabalham com depoimentos reais ficcionalizados. Além de ter Caravaggio como inspiração para a fotografia”, afirmou.

Lázaro Ramos, junto da assistente de direção Mayara Pacífico, conduziu por dez dias ensaios feitos de forma remota, onde o elenco contou com a preparação da atriz Tatiana Tibúrcio e teve aulas sobre a trajetória dos personagens dadas pela antropóloga Aline Maia, que também é consultora do especial.

“Procuramos atores que fossem bons contadores de história, porque o projeto, na verdade, é isso. Ele não tem grandes movimentos de câmera e mudanças de cenários, aposta na capacidade de os atores contarem bem essa história, que é o que vai fazer com que o espectador se envolva com ela”, revelou Lázaro.

A cenografia, assinada por Mauro Vicente Ferreira, levantou um baobá, de proporções reais – sendo cinco metros de altura e a copa de seis metros de diâmetro – dentro do cenário para abrir o especial. Ao longo do programa, os demais cenários contam com fundo cenográfico de texturas, que funcionam como pano de fundo das histórias.

“Não queríamos grandes interferências da cenografia, por se tratar de uma temática tão delicada. Pensamos em iniciar o projeto pela África e o que poderia ter essa referência, o baobá, que é a árvore-mãe, um elemento tão presente no continente e com todo simbolismo que ele representa. E o resultado ficou incrível”, comentou Mauro, que também trabalhou com um piso com uma textura semelhante a do barro para compor esse cenário.

Para o figurino do especial, assinado por Tereza Nabuco, a opção foi executá-lo da maneira mais próxima das imagens disponíveis nos canais de pesquisa.

“Estamos falando de várias personalidades, algumas desconhecidas da grande maioria. A intenção é aproximar o público dessas imagens e, mais ainda, dessas pessoas. A ideia é abrir a porta para a primeira apresentação. Não é um documentário, portanto, com base na realidade, podemos ficar livres também para reforçarmos o que achamos de relevante em cada um, seja com adereços, cabelo, roupas e, principalmente, as atitudes”, disse a figurinista.

Em seguida, concluiu: “O grande destaque nesse projeto são as palavras que saem da boca desses heróis. Se hoje estamos aqui contando essa história para um canal aberto, é porque eles deram muitos passos nessa direção, abriram caminhos”.

E todas as falas são muito fortes. Lázaro Ramos confessou que, desde o seu primeiro contato com os textos, ficou mexido.

“Quando li o material todo, fiquei parado por um tempo pensando em como que eu ia lidar com aquilo. Mas, ao mesmo tempo, sei que tudo aconteceu de verdade, não tem ficção aqui. É o que a nossa História produziu. Então, senti como um convite para refletir sobre como a gente vê a História. O meu desejo é que as pessoas se sintam motivadas a agir. É a nossa História, foi o que nós produzimos. E aí? O que faremos com isso?”, perguntou ele.

Idealizado e organizado por Manuela Dias, Falas Negras é dirigido por Lázaro Ramos, conta com Thaís Fragozo na pesquisa e Aline Maia como consultora e pesquisadora. Integram o elenco do especial Fabricio Boliveira, Babu Santana, Guilherme Silva, Ivy Souza, Naruna Costa, Taís Araujo, Heloisa Jorge, Barbara Reis, Mariana Nunes, Izak Dahora, Silvio Guindane, Olivia Araujo, Reinaldo Junior, Aline Deluna, Flávio Bauraqui, Bukassa Kabengele, Angelo Flavio, Samuel Melo, Aílton Graça, Tulanih Pereira, Valdineia Soriano e Tatiana Tiburcio.

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