Documentário ‘Sertanias’ percorre cenários de uma das maiores obras de Guimarães Rosa

Publicado há 3 anos
Por João Paulo Reis
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“Uma autobiografia irracional”. Foi assim que Guimarães Rosa definiu seu “Grande Sertão: Veredas”, um dos livros mais importantes da literatura brasileira. Percorrer os cenários dessa obra tão emblemática, que se passa no sertão de Minas Gerais, foi a chave para Juliana Dametto Guimarães Rosa, sobrinha do autor, mergulhar na personalidade do tio, dando origem ao documentário “Sertanias”, que a GloboNews exibe neste sábado, às 20h30. A produção marca os 50 anos de morte de Guimarães Rosa.

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“O documentário é uma jornada de descoberta sobre o meu tio. Apesar de não ter tido contato com ele, sempre ouvi meu pai contar histórias desse pedaço do Brasil “, diz Juliana, que assina roteiro e direção com Alexandre Roldão. Junto com a equipe da GloboNews, eles acompanharam, por quase uma semana, o Caminho do Sertão. Iniciativa de movimentos sociais e de ONGs que atuam no Vale do Urucuia, região noroeste de Minas, o percurso é baseado em uma das rotas do livro. No romance, esse roteiro é percorrido pelo jagunço Riobaldo e seu bando.  No total, 75 pessoas apaixonadas pela obra participaram da quarta edição da caminhada. Para  Roldão, “Sertanias” é um documentário que mostra o Brasil a fundo. “Vamos mostrar uma parte do país que não deveria ser esquecida. São histórias riquíssimas e, como pano de fundo, áreas de cerrado preservado. Isso tudo entremeado por um dos maiores clássicos da literatura nacional”, conta.

O percurso é exaustivo. Os participantes acordam  às 4h da manhã e começam a andar às 6h. A média é de 30km por dia, com uma temperatura que oscila entre o frio e o calor intenso. Eles partem de Sagarana, uma vila que fica no município de Arinos, a 200km de Brasília, e a chegada é em Chapada Gaúcha, na porta de entrada do Parque Nacional Grande Sertão Veredas. Pelo caminho, além de veredas, chapadas e chapadões, Juliana e Alexandre encontraram histórias comoventes, que mostram a universalidade e a atemporalidade da obra de Rosa. Uma dessas histórias é a de Cida Miranda, que também participou da caminhada e conta como o pai foi morto por um fazendeiro da região.

Quem leu o romance vai identificar as paisagens que aparecem ao longo do documentário. Um dos maiores estudiosos da obra de Guimarães Rosa também viajou com a equipe da GloboNews. O alemão Willi Bolle, professor de literatura da USP, veio para ao Brasil em 1966, depois de se apaixonar por “Grande Sertão: Veredas”. Ele já percorreu alguns roteiros do sertão mineiro que aparecem no livro, mas é a primeira vez que conhece o Vale do Urucuia. “O sertão para mim é um mergulho no Brasil. Guimarães Rosa  teve a capacidade de fazer um retrato da região onde viveu suas principais experiencias de vida, e colocou os moradores em primeiro plano “, diz Bolle.

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