Diretor José Villamarim define a nova novela das nove, Amor de Mãe: “Recorte da vida”

Publicado há um ano
Por Renan Vieira
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O diretor artístico José Villamarim se prepara para colocar no ar seu maior projeto na Globo, Amor de Mãe, a nova novela das nove. Ele é mineiro, formado em Economia e soma quatro indicações ao Emmy International Awards pelas novelas Paraíso Tropical e Avenida Brasil, o episódio em homenagem ao grupo Mamonas Assassinas do programa Por Toda Minha Vida, e pela minissérie Justiça.

Villamarim já dirigiu 15 novelas, entre elas tramas icônicas
como Avenida Brasil, O Rei do Gado, Torre de Babel, Anjo Mau, Irmãos Coragem, Mulheres
Apaixonadas, Cabocla, entre outras. Assinou como diretor Onde Nascem os Fortes,
O Canto da Sereia, Amores Roubados e O Rebu.

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No cinema, dirigiu o longa-metragem Redemoinho, vencedor do prêmio do júri especial do Festival do Rio, em 2016, e do prêmio de melhor direção e de melhor filme pelo júri do FESTin, festival de cinema itinerante da língua portuguesa, em 2018. Amor de Mãe é a segunda parceria de Villamarim com Manuela Dias, que foi também autora de Justiça.

Entrevista com o diretor

Qual a principal
característica de Amor de Mãe para você?

Amor de Mãe é um recorte da vida. O que eu acho mais interessante nessa novela é que ela resgata um caráter humanitário que está em falta. E não estou me referindo à nenhuma questão política. A personagem da Lurdes sintetiza isso, é uma mãe coragem, guerreira e que tem uma ética própria. Ela é uma mulher positiva, que acredita na vida e é muito admirada pelos filhos. Todos nós conhecemos uma Lurdes na vida real. Pode parecer mais fácil ter um olhar de desencantamento, mas eu e Manuela acreditamos na vida e isso vai se esparramar pela história. 

E
qual a importância de falar sobre maternidade em uma novela?

A
mãe é uma das figuras mais heroicas da face da terra em muitas culturas. A mãe
é célula mater, e a história trata dessa figura. O ideal, como diz
a Manuela, é que ao final de cada capítulo o espectador ligue para sua mãe.
Sonhamos com isso.

Os
personagens não são maniqueístas. Como a história é conduzida a partir disso?

É a vida que surpreende, a vida que dá ganchos, a vida que vira o jogo. As questões estão dento da novela, mas a ação dramática não é construída pelo vilão. Todo mundo na história é normal, são pessoas que a gente conhece. Uma hora faz algo errado, uma hora é do mal, outra do bem. Não há uma pessoa o tempo todo boa ou o tempo toda má, assim como na vida. 

Locações

Por
que você escolheu São Cristóvão como inspiração para o fictício Bairro do Passeio?

O
bairro de São Cristóvão é como uma Babel humana e arquitetônica. E isso é a
cara da novela. É um bairro que tem uma mistura de gente, de arquitetura, de
temperatura, de luz. A luz é muito particular lá, os rasgos de luz daqueles
viadutos, as entradas, é tudo muito a favor e está dentro do contexto do que é
essa novela. O viaduto que atravessa o bairro significa também um corte, uma
interrupção ou um movimento.

Como
foi construir um viaduto que corta a cidade cenográfica? Quais outros pontos
você destaca do cenário externo?  

O viaduto é realmente um destaque dentro da cidade cenográfica. Eu sempre passo por esse viaduto que corta São Cristóvão e já fiquei muitas vezes parado no engarrafamento ali. Eu sempre fiquei olhando aquele lugar e acho muito inspirador. Imagina o que é um viaduto atravessar uma cidade, casas, o mundo privado, a intimidade das pessoas.

Quando eu li a novela e percebi tão fortemente essa questão humana na trama, logo lembrei dessas imagens que observava do engarrafamento. São Cristóvão reúne comércio, indústria têxtil, moradias, bares, viaduto e oferece essa miscelânea que a novela também tem, já que a história frequenta vários tipos humanos. Além disso, eu acho que o viaduto dá uma ideia de movimento, transformação.

Rio de Janeiro

A
novela é ambientada no Rio de Janeiro e sua ideia é trazer um olhar a partir da
Baía de Guanabara. Por que essa escolha?

O
Rio de Janeiro tem uma potência imagética muito forte. E um dos lugares que eu
mais me encanto é quando eu estou cruzando a Baía de Guanabara, vendo o Rio de
Janeiro da Ponte Rio-Niterói. É uma das imagens mais lindas da cidade. Além
disso, temos na trama um personagem cuja a luta dele de mudar o mundo passa
pelo desejo de despoluir a Baía de Guanabara. Então, esse ponto de vista já
está dentro da narrativa da novela. Acho que é um outro olhar da cidade.

Quais
escolhas e referências estéticas te ajudam a contar essa história?

Como eu estou fazendo uma novela, eu visito o gênero no jeito de filmar, de colocar a câmera, mas tento subverter a forma. Estou tentando fazer com a segunda ideia e não com a primeira que tenho. Antes, fazer câmera na mão era uma linguagem, agora não mais.

O que não significa que isso não vai aparecer na novela. Não estou trabalhando com boca de cena, por exemplo, nem com quatro câmeras. Novela é uma gramática que está introjetada no brasileiro e, por isso, tento não repetir o que já foi apresentado ao longo dos anos, mas sempre respeitando o gênero.

Novos estúdios

‘Amor
de Mãe’ vai inaugurar o novo estúdio da Globo. Como é para você estar à frente
da primeira novela do MG4?

Eu adoro estar à frente da primeira novela gravada no MG4, pois quando a Globo avança tecnologicamente, ela coloca a grande produtora que ela é à disposição. Com o MG4, temos três estúdios para a gravação de Amor de Mãe, o que faz com que seja possível ter cenários fixos com materiais reais em suas composições. Isso ajuda na construção do conceito dessa narrativa, que é a busca da realidade. Além da qualidade das novas câmeras e lentes disponíveis nos novos estúdios.

A
trilha sonora da novela vai do samba ao funk, certo? O que você pode nos falar
sobre a trilha?

A
novela fala de uma brasilidade e nada mais brasileiro do que o samba e,
atualmente, o funk. Além disso, a trilha é composta por canções que me afetam.
Para mim, sem música não há drama. Em geral, as músicas que eu uso no set estão
também na trilha. Como eu trabalho com essa questão de sempre estar cruzando a
linha, afetando, emocionando, em busca de catarses cênicas, música é um
instrumento que ajuda, potencializa.


no elenco nomes novos, mas também veteranos. Além de atores que estiverem em
seus últimos projetos. Como foi a escolha
do elenco?

Eu sempre busco trabalhar com atores que eu gosto e admiro. Não tenho o menor problema em repetir elenco, desde que os atores estejam bem escalados. Também me preocupo em escalar pessoas fora do eixo Rio-São Paulo. Além disso, é importante ter frescor e, por isso, acho muito bom lançar nomes. 

Gosto de pontuar ainda que ter a Regina Casé em Amor de Mãe é quase como um lançamento, já que ela estava há 18 anos longe das novelas.  Ela é uma grande atriz e passou um tempo enorme sendo apresentadora. Mas ao olhar todo o histórico da Regina, constatamos que ela fez grandes personagens em novelas, no cinema e no teatro. É um privilégio tê-la no elenco.

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