Diretor especialista em crianças faz oficina de atores mirins

Ricardo Carvalho, o “Tio Gordo”, filma roteiros de ficção em laboratório destinado ao público infanto-juvenil

Publicado há 2 meses
Por Redação
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Por Edianez Parente

Quem não se lembra do sucesso dos bebês vestidos de bichinhos de pelúcia nos comerciais dos “Mamíferos”? Ricardo “Gordo” Carvalho, diretor publicitário dos filmes da inesquecível campanha da Parmalat, é um expert no trabalho com crianças e adolescentes nos estúdios de filmagem. Agora, o diretor também diverte e desperta a vocação artística em crianças por meio de oficinas de atores.

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Não são cursos educativos nem têm qualquer caráter profissionalizante, tampouco se buscam novo talentos nem crianças prodígio. O projeto leva o nome de Tubo de Ensaio e consiste em oficinas de lazer para crianças a partir de cinco anos e até 15 anos de idade, para vivenciar o mundo do cinema, atuar em equipe e ampliar o universo cultural. Quem sabe até o infante se descubra um ator.

Antes da pandemia do novo coronavírus, os laboratórios, nos quais Carvalho trabalha com outros especialistas, eram presenciais e consistiam em um final de semana de imersão e vivência das crianças no ambiente de cinema.

O set era o conjunto completo, com cenário, maquiador (de personagens), figurino, equipe técnica e refeição (o catering), num clima muito parecido com o que acontece nas filmagens profissionais.

As crianças tinham noções de exercícios de voz, expressão corporal, coreografia e música. Ao final de cada turma, o resultado era um curta-metragem com a história editada pelo próprio Ricardo “Gordo” Carvalho, que já abordou nas filmagens temas como uma emissora de rádio, um circo e alguns contos infantis.  

Agora, com as medidas de isolamento social, começa a nova fase digital do Tubo de Ensaio, feita à distância, com as aulas, ensaios e captações todas por meio do smartphone. Na etapa pré-filmagem muitos adolescentes vêm surpreendendo o próprio diretor, dado o conhecimento técnico das ferramentas que dominam.

Ricardo “Gordo” Carvalho criou uma história narrada a partir de um noticiário de televisão. O assunto principal do telejornal é baseado num desdobramento do famoso conto da Chapeuzinho Vermelho: o julgamento do Lobo Mau.

Os atores mirins assumem papéis de apresentadores do telejornal, repórteres e personagens da história infantil em três cenários: emissora de TV, floresta e tribunal. Tudo está sendo feito via aplicativo de reuniões online Zoom, desde os ensaios com todos do elenco, em grupos, e depois até a captação individual.

Cada um na sua própria casa, os 20 atores mirins da produção têm de trabalhar a partir de um kit caseiro, composto por um pano de chroma (para formar um fundo neutro, que depois terá aplicação na edição), tripé para sustentação do telefone celular e luz da própria casa.

Nesta primeira versão da história, Chapeuzinho Vermelho é interpretada por uma menina de cinco anos de idade. Após finalizado, o curta-metragem será exibido na página do Tubo de Ensaio no Facebook, veja aqui.

Carvalho conta que as crianças dão muitas sugestões nos seus textos, que ele acata, já que ele entende o diretor de filmagem como um capitão de navio: a tripulação tem de trabalhar junto.

 “Não buscamos novos talentos, as oficinas reúnem todo tipo de criança, e sevem para que ampliem a bagagem, muitas para perderem a timidez”, ele ressalta. Ele conta o caso de uma adolescente que perdeu a timidez e se descobriu cantora com a oficina, enquanto a mãe dela resolveu cursar teatro.

Para o diretor, chamado pelas crianças de “Tio Gordo”, o exercício de atuar ajuda e faz bem ao desenvolvimento da autoconfiança. Ele diz que, às vezes, segurar a ansiedade dos pais é mais difícil do que trabalhar com crianças.

Ele conta que há pais que questionam quando uma criança assume um papel e não o outro – “Por que meu filho é este e não aquele personagem?”_ , ao que Carvalho responde prontamente: “Porque o ator não escolhe; o diretor é quem vai experimentando, de acordo com a característica e a habilidade de cada um”.

Carvalho não seleciona, recruta nem contrata crianças, já que os laboratórios são oficinas pagas pelos pais. A ideia dele, no entanto, é no futuro poder ampliar e transformar a oficina num projeto maior de conteúdo.

Para ele, ao trabalhar com crianças, o set tem de ser acima de tudo um lugar divertido. “Quanto menor a criança, mais fácil. O bebê é espontâneo, gracinha, tem de estar se sentindo bem e se divertindo”.

E o maior segredo, diz ele, é ser prático: “Sou verdadeiro, falando de igual para igual, se a criança já passou de quatro anos de idade eu já estabeleço a relação: ‘Vem cá, vamos conversar’.  A capacidade de entendimento de uma criança é de 300%”, afirma.

Carreira

Gaúcho, Ricardo Carvalho começou sua trajetória há 30 anos, em Porto Alegre, na RBS (afiliada da Rede Globo), onde atuava em pós-produção, na publicidade e jornalismo. 

Nos anos 1990, migrou para São Paulo, onde desde então vem atuando em empresas produtoras de publicidade como TVC, 5.6, Film, Cia. Ilustrada, Bossa Nova, Academia de Filmes, Conspiração e Mixer. 

Entre seus trabalhos, além dos filmes para a Parmalat, estão muitos comerciais feitos para marcas como McDonald’s,  Nestlé e Procter & Gamble, entre outras.

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