Diretor e elenco contam como foi a preparação para série Treze Dias Longe do Sol

Publicado há 3 anos
Por João Paulo Reis
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Em Treze Dias Longe do Sol, um grupo de pessoas fica soterrado sob os escombros de um prédio que desaba, uma situação de extrema tensão. Dois meses antes de dar início às gravações da minissérie, que começaram em dezembro de 2016, o elenco passou por um processo de preparação e ensaios que envolveu um olhar especial tanto para as questões de força física — já que parte do grupo passou alguns dias gravando e se deslocando entre destroços e entulhos — quanto para as questões emocionais dos atores. O coautor e diretor artístico da minissérie, Luciano Moura, fez questão de ensaiar com todo o elenco antes de começar a gravar. “Para mim, esse momento é tão importante quanto à gravação em si. Ali, posso reescrever o texto, mudar a intenção do personagem, aumentar ou diminuir a cena e fazer as alterações necessárias para chegar ao que busco. Gosto de entender a cena a partir do momento em que vejo os atores nela”, comenta o diretor.

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Ao lado de Luciano, o preparador Tomás Rezende teve como primeiro objetivo conectar o grupo emocionalmente. “Eles estavam em uma situação limite de soterramento sem ter garantia de sobrevivência. Essa conexão era fundamental”, explica o preparador, que se fez valer de sons de desmoronamento e um ambiente escuro para aguçar ainda mais essas sensações no elenco.

Durante os ensaios, os atores foram estimulados a explorar sentimentos, muitas vezes conhecidos, mas com uma intensidade maior, de forma que pudessem compor seus personagens e suas histórias. “Todo o processo de preparação me ajudou a enxergar a dor, o medo e o desespero de uma forma que nunca havia experimentado, bem profundo mesmo”, comenta Carolina Dieckmann. Entre os atores que deram vida aos operários, o processo foi ainda mais forte. “Todo o trabalho nos exigiu física e mentalmente, mas foi maravilhoso. É difícil chegar a algum resultado de cena em situações tão limite sem cair no estereótipo, melodrama banal ou mesmo falsidade de sensações. O trabalho de preparação nos ajudou a fugir dos clichês, erguendo um mundo à volta dos personagens e suas relações entre si. Era preciso construir o medo real”, lembra Marcos de Andrade, intérprete de Messias. Para Antônio Fábio, que vive Jesuíno, a união entre cenografia e preparação já se mostrava bastante eficiente desde o primeiro dia na locação: “No espaço de gravação, a cenografia era ‘hostil’. E era necessário que fosse assim. Poeira, água, cimento, estruturas metálicas. Lembro que a primeira vez em que entrei no estúdio, tomei um susto pela veracidade daquilo”.

Além das emoções necessárias para uma situação como essa, havia também a necessidade de sensibilizar esses personagens com uma ideia de coletividade, de apoio mútuo, pois essa seria a única chance para eles. “Cada um lidava com o desejo de sair dali de uma forma diferente, mas eles tinham de agir em conjunto pela sobrevivência”, conceitua Luciano. Houve uma atenção especial na construção da relação entre esses personagens, era importante formar uma rede de afeto e confiança para criar uma interdependência para a sobrevivência. “Esse mesmo paralelo pode ser traçado com o grupo de familiares que fica à espera de notícias dos soterrados. Eles precisavam também se unir e se apoiar para enfrentar esse drama juntos”, diz Rezende.

Outro ator que passou por uma preparação importante foi Fabrício Boliveira. O bombeiro Marco Antônio, líder do resgate do desastre. Era necessário que ele tivesse a consciência da tragédia que aconteceu em seu passado – por uma falta de limites, ele colocou um colega em risco, que acabou morrendo – para que isso refletisse em sua conduta no presente. Ele tinha de encarar esse “fantasma” e ainda assim ser o responsável pelo resgate daquelas pessoas.

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