Deus Salve o Rei não foi um grande fracasso de Ibope, mas um gigantesco fracasso artístico

Publicado há 2 anos
Por Gabriel Vaquer
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Na noite desta segunda-feira (30), depois de quase oito meses de penúria, a televisão brasileira se livrou de uma das tramas mais pretensiosas e horrendas da história das novelas, incluindo todos os horários: “Deus Salve o Rei“, da Globo.

Entretanto, findado seu último capítulo, havia um consenso grande: a novela teve uma melhora com a entrada de Ricardo Linhares como supervisor de texto, além de ajustes na direção feita por Fabrício Mamberti.

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Veja mais: Bruna Marquezine posta texto após o fim de Deus Salve o Rei: “Faria tudo exatamente igual”

Todavia, nas redes sociais, e entre colegas jornalistas, a novela sai até com o saldo positivo. Bom, como Nelson Rodrigues já dizia: “toda unanimidade é burra”. E eu estou aqui pra discordar dos amigos.

Durante toda a trajetória, “Deus Salve o Rei” não teve uma única história que pudesse atrair o público de forma consistente. Até hoje, depois de seu fim, não sei exatamente qual é o fio condutor na história.

Contudo, o que fez Ricardo Linhares até aqui foi tentar criar factoides durante a trama para tentar movimenta-lá. O problema é que todos, absolutamente todos, eram frágeis ou chatos de acompanhar.

Pra mim, o maior exemplo é quando Amália (Marina Ruy Barbosa, na mocinha mais chata dos últimos anos) quase foi enforcada. Foi uma história que não ligou nada a coisa alguma. Além de, claro, ter sido mal escrita.

Selena (Marina Moschen) e Otávio (Alexandre Borges) de Deus Salve o Rei (Divulgação/TV Globo)

Quem foi bem em Deus Salve o Rei

Mesmo tendo muitos, mas muitos defeitos, principalmente em trama, “Deus Salve o Rei” teve algumas qualidades. Poucas, mas teve. Afinal, não vivemos num mundo maniqueísta, né?

Vale lembrar aqui que, durante toda sua duração, Marina Moschen teve o único bom papel de toda a novela em sete meses e fez jus a confiança mais uma vez. A garota já havia ido bem em “Rock Story” e “Malhação: Seu Lugar no Mundo”. Mostra que merece um papel protagonista, devido ao seu carisma e qualidade como atriz.

Todavia, outro destaque foi a bruxa Brice, feita por Bia Arantes. A jovem atriz, que tinha feito um trabalho oka na quase interminável “Carinha de Anjo”, do SBT, voltou para a Globo num papel curioso e difícil. Manteve-se bem e, espero, ganhe uma chance numa novela melhor.

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Por fim, acho justo falar de Johnny Massaro e Tatá Werneck. Principalmente antes da intervenção de Linhares, Lucrécia e Rodolfo eram um bom alívio cômico. Não me fizeram desligar a TV muitas vezes.

Catarina (Bruna Marquezine) de Deus Salve o Rei (Divulgação/TV Globo)

Quem foi mal em Deus Salve o Rei

É impossível dizer que Bruna Marquezine foi bem. Aliás, colegas viram melhora em sua atuação durante o tempo. Confesso, não consegui ver melhora. Continuei vendo uma atuação artificial, que criou um muro entre ela e o público. Além de zero esforço para fazer sua Catarina palatável.

Mas os piores da novela, sem dúvida, foram o casal Amália e Afonso (Rômulo Estrela, decepcionante em seu primeiro papel protagonista). Amália, além de ser chata, era a boazinha menos boazinha da galáxia. Uma personagem hipócrita, como poucas vezes se viu.

No entanto, Afonso não atrás. Dúbio, era impossível torcer para ele. Me peguei, em dado momento, querendo que o rei Otávio (Alexandre Borges muito acima do tom) mandasse esse mocinho pro raio que o parta. Enfim, o casal protagonista era de dar dó.

No fim das contas, “Deus Salve o Rei” até deu um bom Ibope, fechando com 25,5 pontos na Grande São Paulo. Mas foi um grande fracasso artístico, pois foi uma novela sobre o nada em muitos momentos e irritantes em outros.

Chega a ser desrespeitoso com a Globo Silvio de Abreu afirmar que a novela é uma “das grandes vitórias” da emissora. Enfim, que venha “O Tempo Não Para”, que convenhamos, tem uma ótima sinopse.

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